quarta-feira, dezembro 31, 2014

Ano novo fresquinho à porta! Bora lá rebentar com este também!

Ora então está aí à porta mais um ano fresquinho, novinho em folha, prontinho para rebentarmos com ele. Prontinho para ficar tudo como está: para se manterem as hipocrisias e desavenças familiares, as disputas no emprego, para discutirmos com a cara metade e dizer coisas que não queríamos, para não cumprir os objectivos que traçámos. E esperando nada mais do que isto, tudo o que vier acima é lucro!
Mesmo assim 'bora lá comprar a cueca azul nova e devorar as doze passas, não vá o diabo tecê-las e as coisas para o ano serem ainda piores que no ano presente. ´Bora lá fazer desejos de muita saúde, amor e sucesso profissional por aqueles que nos são mais próximos... não sei porquê entrego sempre de bandeja todos os doze desejos, todos, todinhos! É no que dá ter uma família grande.
A ver se este ano deixo o altruísmo de lado, e não me esqueço de dedicar uma, só uma, a última de todas, a mim mesma! 
Afinal se eu não tiver desejos para mim, quem os terá?

sexta-feira, dezembro 26, 2014

Tão frágeis que somos!

Decorreram dez anos sobre a tragédia do Tsunami no Índico.
Este ano tive a felicidade de viajar para a Tailândia, onde conheci algumas das zonas que foram devastadas nesse dia. Muito do que se perdeu ao nível dos resorts, dos hotéis, dos restaurantes está hoje recuperado, mas a mágoa e o medo estão ainda muito presentes na vida de quem sobreviveu.
Esta fotografia tirei-a nas ilhas Phi Phi, e é um dos muitos sinais que se encontram nas ruas das zonas costeiras. Depois da devastação permanece o alerta.
Fica um misto de tristeza e de estranheza saber que estamos num cenário tão maravilhoso, mas igualmente tão intenso e dramático.
Tão frágeis que somos!


Teorias da Limonada

As ausências é Deus que as dita, as presenças são sempre culpa nossa.






quarta-feira, dezembro 24, 2014

Bom natal, limoneiros!

Da rouquidão à afonia num piscar de olhos... É a loucura total cá em casa porque a ralhadora ficou sem voz! Mesmo assim, venho aqui pedir-vos que comam todas as iguarias que vos apetecer sem culpas (pr'ó ano faz-se dieta), abracem e beijem todos os que desejam, amem tudo o que têm com muita garra! Há lá coisa melhor?! Bom natal, limoneiros!

quinta-feira, dezembro 18, 2014

O mundo está cheio de gente parva ou é impressão minha?

Ao energúmeno que hoje, no Colombo, se mandou quem nem um louco à única mesa disponível na zona de restauração, apesar de ainda não ter o que comer, e de me ter visto carregada de sacos e tabuleiro na mão:
Bom Natal!

quarta-feira, dezembro 17, 2014

Será que dormiram lá em casa e eu não dei conta?

Não entendo o pessoal dos ginásios que entra e sai dos balneários sem cumprimentar ninguém.
Será que dormiram lá em casa a noite passada e eu não dei por isso?

Entram já com uma pessoa ali toda exposta, e não se dignam sequer a um "bom dia"? Mas que raio de intimidades são estas? Aquilo não é propriamente a sala de espera do Serviço de Finanças Lisboa 8. Há ali pessoas em trajes menores! Há mínimos minha gente!

Faz lembrar aqueles casais que se enrolam para uma noite tórrida de sexo sem sequer saberem o nome um do outro. Não se falam no dia seguinte?




As férias escolares e o nosso trabalho

Vantagem das férias escolares: hoje houve greve do metro e não dei por nada.
Desvantagem das férias escolares: não saber o que fazer com eles enquanto trabalhamos.

E com o que é que uma pré-adolescente se entretem nas férias escolares, enquanto a mãe está a trabalhar? A colar posters dos seus ídolos na parede do quarto, pois claro!

E ainda me manda as fotos com a legenda: "Working :-)"







Não precisam de agradecer a dica

Como não sei estar parada e sou uma miúda cheia de paciência, as prendas deste ano voltam a ter direito a identificação por foto em vez da tradicional etiqueta com o nome escondido por baixo da fita de decoração... não fosse eu fã de fotografia.





De nada!



segunda-feira, dezembro 15, 2014

Isto de ser crescido não é assim tão bom!

Quando somos novos achamos que somos donos do mundo e do nosso destino, estamos cheios de energia para mudar a ordem natural das coisas, para fazer diferente, para sair "fora da caixa".

Quando somos putos, os adultos são velhos a partir dos 30, a maior parte das vezes não têm razão e inexplicavelmente estão sempre mal-dispostos, apesar de terem a sorte de só fazer o que lhes dá na real gana. E é exactamente por isso que estamos desejosos de sermos crescidos! Para fazer o que nos apetece! Liberdade!

Hoje são os meus filhos que me veem com esses olhos. E eu não sei quando nem como é que tudo isto mudou...porque eu também já fui assim.

Quando era miúda, estava sempre desejosa de uma festa ou de uma oportunidade para usar sapatos de salto alto, agora estou sempre desejosa de chegar a casa para os descalçar.

Quando era chavalita, armada ao pingarelho, maquilhava-me para parecer mais velha e disfarçar as borbulhas, agora uso maquilhagem para esconder as olheiras, as rugas e outras tantas imperfeições que aparecem com a idade.

Uma ida à discoteca implicava, no mínimo, uma hora de produção entre banho, escolha de roupa, veste, despe e torna a vestir,  maquilhagem, para depois dançar até cair. Agora conseguir deitar-me no sofá a ver um filme que me surpreenda ou o Benfica a ganhar 0-2 ao Porto,  já é uma "noite em grande".

Quando era adolescente o frio era psicológico e não condicionava aquilo que me apetecia vestir, agora não me deito sem saber o tempo que vai fazer amanhã, e à noite, nem de verão saio de casa sem um casaco.

Irritava-me que me chamassem "miúda", agora estranho quando me chamam "senhora".

Quando tinha 16 anos sabia exactamente a mãe que eu não queria ser: chata, ralhadora, demasiado preocupada com a casa e com as arrumações do quarto, e se os sapatos estão fora do lugar...agora tenho momentos em que não consigo deixar de ser essa mãe.

Quando andava na escola achava que os adultos eram uns sortudos, pois não tinham de se levantar cedo e estudar para os testes, agora pagava para voltar a ter essas "responsabilidadezinhas".

O Natal era sinónimo de receber prendas. Hoje sou eu que compro as prendas, mas os filhos é que as recebem, porque é assim que a família e os amigos nos presenteiam a partir do momento em que eles nascem.

Quando era uma jovem inconsciente não via a hora de ser livre para fazer o que queria sem dar satisfações aos pais, agora tenho de dar satisfações ao patrão, ao marido, aos filhos, ao ministério das finanças...

Não tenham pressa, miúdos, que isto de ser crescido não é assim tão bom!




E assim foi o #DESAPEGO

São Pedro pode ser o Guardião das Chaves do Céu, mas ainda não está suficientemente sensibilizado para a causa da luta contra a Epilepsia, caso contrário não nos tinha feito tamanha desfeita este Sábado.

Mesmo assim o Desapego foi um sucesso! Senão vejam:

O Antes:







O Depois:



Obrigada a todos os que sairam do conforto de suas casas e fizeram questão de marcar presença. Obrigada igualmente aos que, apesar de  não conseguirem estar presentes, arranjaram forma de participar à distância. A internet é uma coisa fantástica.

Obrigada mesmo! Pró ano há mais :-)



sexta-feira, dezembro 12, 2014

Amanhã é Dia de Desapego!

#Desapego
13 de Dezembro 2014
Emporio N- Rua Capitão Salgueiro Maia, nº 15, loja 2
Moscavide, Lisboa
911 031 819 ou 211 347 650

É verdade, a Emporio N está carregadinha de peças que as nossas generosas "desapegadoras" estão a entregar.  Aqui têm uma amostra:








Agora, para isto funcionar há que comparecer amanhã, certo? Para fazer comprinhas, para eventuais doações, para aparecer na foto de família, ou pura e simplesmente para apoio moral, pelo motivo que entenderem, mas apareçam. A LPCE- Liga Portuguesa contra a Epilepsia precisa de todos nós!

Contamos convosco e com quem mais queiram trazer, para que no dia seguinte tenhamos excelentes novidades para vos dar.


PS: Obrigada aos colegas do The Fashion Hunters pela partilha do evento, aqui

Nota: Os preços das peças entregues por particulares para este evento, são da exclusiva responsabilidade das respectivas "desapegadoras".


terça-feira, dezembro 09, 2014

Jennifer Lawrence está poderosa no "Serena" de Susanne Bier

Hoje estou uma língua solta que não se aguenta!
Já vai para o terceiro post num único dia, estou imparável! Não me podem dar feriados que eu fico assim...

Vim aqui só para vos dizer que a Jennifer Lawrence está poderosa no "Serena" de Susanne Bier. Aliás, a personagem é tudo menos serena.

Desde que vi a Jennifer em "Despojos de Inverno" passei a ter um respeito enorme por esta miúda. Não é apenas uma carinha laroca de Hollywood, não é mais uma Julia Roberts (e eu até gosto da Julia Roberts). Esta miúda tem um potencial enorme, e tem-no revelado nas suas personagens de mulheres com carácter, fortes e lutadoras, apesar de um tanto ou quanto tresloucadas ou reveladoras de alguma perturbação.

Esta Serena é a personificação da mulher que não olha a meios para atingir fins, que luta para conseguir o que quer, e que não está habituada a perder. A história de uma mulher que teria todos os atributos (jovem, sexy, inteligente, trabalhadora), e condições para ser uma mulher realizada, mas cujos desgostos da vida a empurram para um precipício que insiste em desafiar em vez de se afastar. Em vez de se refugiar e consolar com o tanto que tem, desconstrói-a não saber lidar com aquilo que não pode ter. E é esse o seu fim, é isso que a destrói!

Se o desenrolar da história está "batido" e "mais do que visto" em Hollywood, o mesmo não se pode dizer das interpretações de Jennifer Lawrence e Bradley Cooper.

Na minha opinião, a não perder.

Trailer do Filme

O #Desapego é já no próximo Sabado!

Tal como já foi referido no post do passado dia 2, a Limonada associou-se ao evento #Desapego.

Para quem ainda não sabe do que se trata:
DESAPEGO é uma iniciativa da EMPORIO N e da FOCUS, com o objectivo de angariar fundos para a IPCE- Liga Portuguesa contra a Epilepsia.

A ideia é pegar em artigos de colecções privadas, como malas e sapatos de marca (a preços não tão acessíveis), e vendê-las em segunda mão a preços mais em conta. Para além disso, a loja terá à venda peças das suas colecções a preços de saldo.

No dia 13 de Dezembro, sábado, a partir das 10.00h, 10% das receitas obtidas na loja irão reverter a favor da IPCE. 

Para além de colaborar com o evento aqui no Blog, e angariando "Desapegadoras", decidi eu própria "desapegar-me" de algumas peças, as quais estarão à venda na EMPORIO N no dia do evento: Camisola rosa laços Red Valentino (100€), Camisola Cavalli manga comprida (45€), camisola Cavalli alças (25€), Camisola transparência Rinascimento (20€) e cinto ganga Versace (35€).



Posso desde já adiantar-vos que o #Desapego está a ganhar contornos sólidos e incríveis, porque a vossa participação tem sido fantástica.

Temos recebido imensas peças de roupas, malas, sapatos, etc. Tanta coisa que não temos mãos a medir para etiquetar, catalogar e organizar tanto artigo até sábado. Mas com vontade tudo se faz.

Agora o que é fundamental MESMO, é a vossa presença no próximo sábado. "Desapegadoras" ou não, "Compradoras ou não", a vossa presença é fundamental para dar asas a este projecto.

EPI (Associação Portuguesa de Familiares, Amigos e Pessoas com Epilepsia), a LPCE (Liga Portuguesa contra a Epilepsia), e a Emporio N esperam receber-vos no próximo sábado, dia 13, entre as 10.00h e as 19.00h.

Até Sábado!
Porque a "Epilepsia é mais do que ter crises".



Loja Emporio N

911 031 819 ou 211 347 650




É o que se leva desta vida!

Não sei vocês, mas para mim o que se leva desta vida é o que se come, o que se bebe, as cidades e recantos que se descobrem, ou pura e simplesmente fazer algo pela primeira vez na vida. E nada como um fim-de-semana prolongado para ter tempo para estas coisas.

Pela primeira vez na vida atravessei o Tejo num cacilheiro. Vi Lisboa de fora, a sua silhueta, os seus recortes. Já não é novidade, é certo, mas nunca é de mais dizê-lo, Lisboa é de cortar a respiração!

Talvez para quem faça esta travessia diariamente já não haja este arrebatamento, porque há transportes a apanhar, horários a cumprir, um emprego à espera e a ânsia do regresso a casa. Mas para quem, como eu, tiver a sorte de este passeio estar fora das suas rotinas diárias, recomendo com todas as letras.

Fazer a travessia até Cacilhas de câmara fotográfica em punho, almoçar uma valente mariscada acompanhada de uma imperial gelada no restaurante "Farol" (mesmo ali à saída do cais), visitar a Fragata Fernando II,  percorrer a ruela principal que se inicia com a igreja da Nossa Senhora do Bom Sucesso, passando por um tapete de esplanadas e restaurantes, até ao posto de turismo onde é possível saber como chegar ao Cristo Rei.






No regresso, desembarcando no Cais do Sodré, deslizar até uma das maiores e mais lindas praças a céu aberto. Qual Plaza Maior, qual quê? O Terreiro do Paço está um assombro. A luz, as cores, os malabaristas, os homens-estátua, os vendedores de óculos de sol, as montras cheias de queijadas e pão-de-ló e bolo-rei, os Tuk-tuks, os turistas... três adolescentes que deixaram de estar com os seus amigos e família para animar a Rua Augusta com sons de Natal ao violino, as moedas que se depositam nas caixas dos artistas, os sorrisos de agradecimento.

Uma cidade fotografada, visitada, partilhada, que respira, que tem um ritmo cardíaco. A minha cidade não é mais uma cidade-fantasma, onde os passeios de fim-de-semana se limitavam a restaurantes e shoppings. A energia vibrante que encontrei em Madrid ou Barcelona, em Londres ou Paris, e que tanto me desgostava não encontrar na minha cidade, finalmente sinto-a em Lisboa.

Isto sim, é Limonada da Vida!









terça-feira, dezembro 02, 2014

Comprar roupa e malas por uma causa nobre!


DESAPEGO é uma iniciativa da EMPORIO N e da FOCUS, com o objectivo de angariar fundos para a LPCE- Liga Portuguesa contra a Epilepsia.

A ideia é pegar em artigos de colecções privadas, como malas e sapatos de marca (não tão acessíveis), e vendê-las em segunda mão a preços mais em conta. Para além disso, a loja terá à venda peças das suas colecções a preços de saldo.

No dia 13 de Dezembro, sábado, a partir das 10.00h, 10% das receitas obtidas na loja irão reverter a favor da IPCE. 

Sim, eu sei que este mês são milhentas as sugestões de peditório, e que por muito que o nosso coração queira, a carteira não permite.

Mesmo assim, partilho convosco porque creio ser uma boa oportunidade para adquirir com desconto aquela roupa ou mala que tanto gostamos (que normalmente está fora do nosso orçamento), mas principalmente porque é uma causa que me toca em particular...

Por isso, metam aí na vossa agenda: 13/12/2014 a partir das 10.00h na EMPORIO N


Não + pêlo!

Então mas agora a moda é pêlo colorido na axila?!
Não não... não pode ser... Não é higiénico nem estético, aliás roça o badalhoco e o piroso em grande escala.

Se alguém vos disse que a axila colorida tinha o mesmo efeito que a cauda de um pavão, isso é publicidade enganosa, essa pessoa mentiu-vos com todos os dentes que tem.

Cheira-me que isto deve ter começado com alguma amiga, daquelas que tem inveja da nossa beleza e nos dá os conselhos errados para não sermos mais bonitas que ela...e a partir daí foi o dilúvio...

A mim não me apanham. O facto de há uns anos atrás ter ficado fã da depilação a laser, não me permite hoje em dia que, num acesso de loucura, eu me deixasse contagiar por esta depravação.

Não, não... acabem lá com isso.

Homens de barba ainda vá lá (e mesmo assim, só para alguns), mulheres de axila farfalhuda e colorida não, ok?





segunda-feira, dezembro 01, 2014

Porque este blog é uma democracia

Na sequência da Rubrica Perguntas Absolutamente Incríveis, eis a Pergunta Absolutamente Incrível sugerida pelos pré-adolescentes lá de casa.

Aluno: Stora, posso ir à casa-de-banho?
Stora: Fazer o quê?


(A sério, senhora professora? quer mesmo saber?)







PS:
Também te costumam fazer perguntas absurdas, despropositadas, vazias? Partilha-as com o Blog!

quarta-feira, novembro 26, 2014

Enfiem-lhe uma máscara de ferro e esqueçam que ele existe!

Tenho resistido a gozar, comentar, filosofar acerca destes acontecimentos relacionados com José Sócrates.

Tenho lido algumas coisas acertadas e outras bastante absurdas, como por exemplo "pena de morte, sem comtemplações".  Esquece o/a comentador/a que não existe pena de morte em Portugal, e, mesmo que ouvesse, duvido que corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais fizessem parte dos crimes puníveis com tal pena.

Ele há comentários para todos os gostos. Desde os adeptos fervorosos aos cães raivosos. Descobri esta manhã, por exemplo, uma página comunitária de apoio à libertação do ex-primeiro ministro (aqui ) . Viva a Democracia!

Já li que tudo o que lhe está acontecer é merecido, outros que defendem que um ex-governante deveria ter tido outro tratamento, outros ainda defendem que tudo isto é um conluio por parte do governo para "entalar" António Costa ou até para desviar as atenções do caso dos Vistos Gold, outros que alegam uma encenação dos media, outros ainda protestam que o juíz Carlos Alexandre tem em mãos demasiados processos de extrema complexidade e que significa demasiado poder e responsabilidade concentrados numa única pessoa... Whatever!

Já o rol de piadas acerca de José Sócrates não tem fim à vista. Algumas bastante inteligentes, outras nem por isso. É natural que, depois de tanto tempo a gozar com a nossa cara, o povo pague na mesma moeda. Até porque, normalmente, quem ri por último ri melhor.

Mas o que eu queria mesmo era ver-me livre deste senhor, e a modos que não consigo. Já quando foi substituído e fez as malas recto a Paris, pensei que me livraria da personagem, mas enganei-me. O seu regresso ao país e à nossa RTP deixou-me perplexa. Recusei-me a ver/ouvir qualquer comentário feito nesse tempo de antena, e espantava-me que ainda houvesse quem lhe desse ouvidos.

Desde a história da detenção, não há por onde fugir, levamos com Sócrates 24horas por dia. Já não há paciência! Graças a Deus que ontem houve Liga dos Campeões, graças a Deus que hoje à Benfica!

Em vez de o enviar para Évora, e o pessoal andar por lá a tirar selfies à porta do estabelecimento prisional, mandem-no de volta para França. Levem-no para a ilha de Santa Margarida (ali junto a Cannes), enfiem-lhe uma máscara de ferro e esqueçam que ele existe, pelo menos até ao julgamento.

Já o estou a imaginar a dar cabeçadas na parede da cela, repetindo para si mesmo "devia ter ido para a Venezuela, devia ter ido para a Venezuela, devia ter ido para a Venezuela".






"Se a morte fosse mesmo o fim de tudo, seria isso um óptimo negócio para os perversos, pois ao morrer teriam canceladas todas as maldades, não apenas do seu corpo mas também da sua alma." 
Sócrates, o ateniense




segunda-feira, novembro 24, 2014

Vamos lá chamar os nomes às coisas!

Beleza (s.f), segundo o dicionário Priberam, define-se como "uma perfeição agradável à vista e que cativa o espírito; pessoa formosa".

Por muito que achemos que um concurso de beleza é fútil, porque se dá maior relevância aos atributos físicos do que aos dotes intelectuais, a verdade é que se trata de um concurso de beleza.

Sim, é suposto uma Miss Mundo ter o mínimo de conhecimentos de cultura geral, mas neste tipo de eventos o que se quer é que seja gira à brava! Um espanto de mulher! Daquelas com as medidas todas no sítio, que parecem pintadas pela mão de Miguel Ângelo, e que nos faça pensar "custava muito aos meus paizinhos terem-me feito assim tão gira e boa, custava?" ou que nos dê vontade de lhe chamar nomes feios tipo "nojenta de boa".

Aquilo não é um concurso de QI, de leitura, de avaliação de conhecimentos, é um con-cur-so-de-be-le-za.

Neste Miss Mundo Muçulmano 2014, título conquistado pela tunisina Fatma Ben Guefrache, avalia-se a beleza e a "capacidade para recitar os versos do Alcorão"! Ora, lamento, mas isto não é um concurso de beleza.

Deviam chamar-lhe "Miss relativamente gira de cara, porque o resto do corpo não dá para ver, e com capacidade para decorar versos do Alcorão", e deixavam participar qualquer miúda (muçulmana ou não) que soubesse algumas partes do Alcorão de cor, permitindo que o relógio em ouro (um dos prémios do concurso) estivesse ao alcance de quem reunisse esses atributos independentemente das suas crenças. Isso é que era uma estalada sem mãos que o Islão dava ao resto do mundo, demonstrando uma enorme tolerância para com as outras religiões.

Um pouco à semelhança do que acontece com o recrutamento para a causa jihadista: desde que mudes o nome de Fábio, Sandro, Celso ou Manel para qualquer coisa como Abdu, e que estejas disposto a decapitar ocidentais, tás recrutado! 

Notícia do DN aqui.






sábado, novembro 22, 2014

A Fé é como a opinião, cada um fica com a sua!

Não faças isso Jim!
Eh pá, não!

Sabes que gosto de ti à brava! Fosses tu 15 anos mais novo e serias com certeza o meu preferido para fazer de Christian Grey no cinema.

Sim, eu sei que sentiste um chamamento quando interpretaste Jesus Cristo, que te saiu do corpo algum do sofrimento pelo qual o grande JC passou, que és feliz e agradecido por Deus e com Deus. Sabes que me apaixonei pela tua entrega a esse Jesus!

Adoro que sejas um homem bom, um homem de fé e de convicções, mas quando te dá a pancada de evangelizar o mundo ninguém te aguenta! Cansas-me com esse discurso estilo Testemunha de Jeová, homem!

Ok, não precisas de ser um mauzão vingativo como o Conde de Monte Cristo, bastava ficares-te pelo John Reese. Podes perfeitamente viver segundo as tuas crenças e praticar o bem sem maçar os outros!

A Fé é como a Opinião, cada um fica com a sua!









quinta-feira, novembro 20, 2014

Lumbersexual, que é como quem diz, o lenhador-barbudo!

Homens que me lêem, dos macho-conservadores aos metrossexuais e spornossexuais deste mundo, segundo as mais recentes dicas da imprensa de moda, o que está a dar agora é ser o lenhador-barbudo com um look super-hiper-mega-sexy de tão despreocupado e tou-nem-aí que é! E também tem nome, chama-se ser Lumbersexual!
Vejam no Link como trajar a rigor:



Atenção! Fashion Alert: barba não é para todos!!!

E agora pergunto eu, senhores da moda, porque é que não há este tipo de denominação para as ladies? Eu gostava à brava de ter um modelo a seguir! Qualquer coisa como:

-Kardashianossexuais (as que partilham fotos de atributos físicos online);
-voluntariossexuais (quando não estão a fazer voluntariado, estão a pensar nisso);
-shoppingsexuais (as eternas viciadas em compras);
-casadossegredossexuais (com um QI equivalente ao de um concorrente da casa dos segredos);
-tattoossexuais (as que estão na onda das tatuagens);
-futebolossexuais (as que atraem os homens por gostarem de bola e de coisas de tipicamente masculinas)
and so on and do forth...

Vá pensem lá nisso, que o mundo feminino está a "ressacar" por um role model!








terça-feira, novembro 18, 2014

E se neste Natal tivesse um amigo secreto que lhe enviasse um postal?

Chama-se Polar Post Crossing2014, e é uma iniciativa do Blog Quadripolaridades, imbuída de espírito natalício.

Semelhante ao Pen Pal, o objectivo é a troca de postais de Natal, com um "amigo secreto" inscrito no Quadripolaridades, via correio normal (postais de Natal à séria). Nada de postais electrónicos!

Como a autora do Quadripolaridades menciona, a ideia é " fazer alguém  sorrir ao abrir a caixa do correio pelo menos uma vez no ano".

As regras são simples, vejam aqui!

segunda-feira, novembro 17, 2014

Bucket List da Limonada!

À semelhança dos enormes Morgan Freeman e Jack Nicholson no filme The Bucket List, há uns tempos meti na cabeça que haveria de listar as coisas que gostaria de fazer antes de abandonar este mundo.

Diz o povo que "só se vive uma vez", que não voltamos cá para repetir a experiência. Se por acaso voltar, ainda corro o risco de reencarnar nalguma beterraba, o que não deve ser uma existência lá muito agitada e preenchida. Por isso, o melhor é fazer planos neeeeeeesta vida e não esperar pela próxima. Quanto mais depressa melhor, que a vida são dois dias! Por isso, bora lá!

Desta lista constam alguns desejos que já foram concretizados e referidos anteriormente no blogue, mas faltava a compilação.

Se por acaso, se concretizarem todos com alguma brevidade, logo penso noutros que me prologuem a estadia mais uns anitos, porque, não sei vocês, mas eu gosto à brava de cá andar.

 Antes de tudo isto terminar gostava de:
- ver os Pink Floyd ao vivo (feito), mas não me importava nada de os ver novamente mesmo velhinhos como estão;
- experimentar um charro em Amesterdão (feito, não fiquei fã);
- ouvir o riff do Satisfaction dos Stones ao vivo e a cores (feito, neste último RIR);
- ver o pôr-do-sol mais maravilhoso deste mundo (feito, em Santorini na Grécia);
- fazer uma Roadtrip pelos EUA sem destino, sem marcações... parando naqueles motéis de estrada, como se vê nos filmes;
- escrever um livro;
- levar os meus netos à escola;
- saltar de pára-quedas (para isso tenho de perder o medo primeiro);
- pisar cada um dos 5 continentes;
- deixar de ter fobia com cobras;
- ver e ouvir, ao vivo e a cores, uma orquestra dirigida pelo enorme Ennio Morricone;
- ter uma tarde ininterrupta de cinema, saindo de uma sala para a outra, non-stop;
- ler novamente o "Crime and Punishment" de Dostoievsky, com outros olhos que não os dos meus 18/19 anos;
- ir a Graceland "ver" o Elvis;
- jantar no Jules Verne da Torre Eiffel;
- visitar a Muralha da China e as pirâmides de Gizé;
- concluir que a minha pré-adolescente se tornou numa adulta que dá valor ao amor e à amizade, e que os mesmos são pilares fundamentais na sua vida.








sexta-feira, novembro 14, 2014

Rubrica Perguntas Absolutamente Incríveis - parte II

Dois amigos encontram um sem-abrigo na rua:
-Vais dar dinheiro a esse gajo?
-Não, estou a devolver-lhe o dinheiro que ele me emprestou na semana passada.

-Também já usas aparelho?
- Não, isto é o novo kit de maquilhagem da Estée Lauder. Sinto-me muito mais fashion desde que o estou a usar.

- Tás aqui?
- Não, sou a réplica clonada da minha pessoa depois de ter sido raptada por aliens durante três dias.


-Tás a ver televisão?
- Não, estou a levantar dinheiro, a convidar o Matthew Mcconaughey para vir cá jantar a casa, e a encomendar um soufflé de chocolate com entrega ao domicílio para daqui a meia-hora, tudo através deste comando. Há coisas fantásticas não há?

- O gajo é gay, a sério?
- Não, às vezes finge só porque o seu sonho desde menino sempre foi ser vítima de bullying pelos colegas da escola e pelos colegas de trabalho...

domingo, novembro 09, 2014

"Como imaginas o funeral dos teus pais?"

Não param as reacções ao anúncio da Fidelidade que pergunta "Como imaginas o funeral dos teus pais?"



Não vejo o grande drama à volta deste anúncio... Ok, confronta-nos com um tema sobre o qual ninguém gosta de falar, mas quantas vezes já ouvimos um amigo dizer qualquer coisa como:
- quando morrer quero ser cremado e que espalhem as minhas cinzas pelo rio Tejo;
- quando morrer gostava que passassem Elvis Presley no meu funeral;
- quando morrer quero rosas brancas; etc.

E se tivermos de tratar do funeral de um ente querido? Porque razão é mais fácil falar da nossa morte do que da morte de alguém que amamos?  Sim, magoa mais do que pensarmos na nossa própria morte.

Mas será "sempre pior para quem cá fica" como garante o anúncio? Não, o mal é sempre de quem vai! Por mais castrador que seja o sofrimento, o mal é sempre de quem deixa de viver e de sorrir! E é só nisto que o anúncio erra! Não é preciso mandar os criativos da Fullsix (responsavéis pelo anúncio) para a fogueira, bolas! Até porque o Halloween já lá vai...

Mais mórdido do que o anúncio da Fidelidade é a proposta da empresa suíça Algordanza Memorial Diamonds. A Algordanza propõe-se a um "funeral" completamente inovador transformando cinzas do nosso ente querido num diamante. Isso mesmo, é possível prestar a devida homenagem transportando os restos mortais no dedo anelar com um diamante de cor azulada disponível em três cortes diferentes.

A propósito da nova rubrica da Limonada, "Perguntas Absolutamente Incríveis", imaginemos o seguinte cenário:
Duas amigas:
-Que lindo o teu anel, foi o teu marido que te ofereceu?
-Mais ou menos, o diamante foi feito com os restos da minha sogra!

Ele há gostos para tudo!





sexta-feira, novembro 07, 2014

Rubrica Perguntas Absolutamente Incríveis!



Filho: Mãe, empresta-me o teu corta-unhas!
Mãe: Para que queres o corta-unhas? 
Filho: É para podar as árvores de fruto no jardim que nós não temos! Daahh!


Mulher a sair de casa:
Marido: Vais assim vestida?
Mulher: Não, são seis e meia da manhã e eu acordei com uma vontade enorme de experimentar a roupa do ano passado! Quem sabe se não terei futuro no travestismo...


Chegando a um restaurante às 20.30h de uma sexta-feira:
Empregado: É para jantar? 
Cliente: Não, vim para passar o fim-de-semana. O Check-out é até que horas?


Mulher ao volante, marido no pendura:
Marido: Vais virar à esquerda?
Mulher: Não, pus o pisca só para ver se sabias o caminho.


Filha sentada no sofá de livro aberto:
Pai: Tás a ler?
Filha: Não, estou a ter sexo tântrico com um futuro Prémio Nobel da Literatura.

Duas amigas num self-service:
-Vais comer isso?
- Não, estou aqui na qualidade de inspectora da ASAE para verificar a validade dos produtos utilizados na confecção desta refeição.



(to be continued, se pedirem muito)





sexta-feira, outubro 31, 2014

O senhor, com todo o respeito, é uma besta!

Ainda não estou em mim depois do artigo que li esta manhã, por isso vou ali respirar fundo e já volto.  Não vou nada, vai mesmo assim de rajada!

Senhor José António Saraiva, director do Semanário Sol, o senhor não me vai ler, mas seja como for aqui vai.

Na sua opinião, o facto de as mulheres terem começado a trabalhar perturbou o equilíbrio de toda uma sociedade matriarcal: os divórcios multiplicam-se, os jovens já não se casam, temos filhos de mães e pais diferentes e crianças infelizes, e daqui até ao consumo de drogas e ao suicídio é um pulinho.

O senhor, com todo o respeito, é uma besta! Mas não o digo de ânimo leve, explico porquê!

Passo a citar o seu artigo:
" as mulheres chegam a casa estafadas ao fim do dia de trabalho, não tendo paciência para os filhos nem para fazer nada. Muitos maridos protestam- e elas reclamam com eles por não ajudarem. Só que os homens resistem, pois nunca viram os seus pais dividir as tarefas caseiras. O mal-estar no casal instala-se".

"as mulheres preocupam-se mais com as carreiras do que com a família"

"as mulheres conversam mais tempo com alguns colegas do que com os maridos"

"A casa fica vazia o dia inteiro". Estava a pensar comprar um cão para lhe fazer companhia, mas o mais certo era ser mais uma tarefa a somar às centenas das quais me ocupo.

"as tarefas ficam por fazer". Só se for na sua casa, porque na minha não ficam.

Todas as manhãs sou a primeira a acordar, preparo pequenos-almoços e lanches para a escola, tiro a loiça do jantar da máquina e arrumo a suja do pequeno almoço, tiro do congelador o que destino para o jantar, faço a cama (os miúdos fazem as deles), arranjo-me para sair e vou trabalhar.

À tarde vou buscar a filha à escola, levo-a às actividades e volto para o trabalho (felizmente tenho um que me permite fazê-lo), e tento chegar a casa a tempo de fazer o jantar.

Normalmente é um dos miúdos a pôr a mesa, a não ser que tenham muito para estudar. Não faço intenções de criar miúdos habituados a que sejam as mães ou as empregadas a fazer-lhes tudo!

Janto com a minha família, arrumo a cozinha (aliás, arrumamos todos, cada um trata do seu prato), vejo se há roupa para lavar, estendo e/ou apanho roupa do estendal enquanto a criançada prepara a suas roupas e mochilas para o dia seguinte.

Deito os miúdos e começo a planear o dia de amanhã. Quando me deito tento ler um pouco, mas o cansaço nem sempre permite.

Sempre que posso estudo com os miúdos, sem bem que os professores pedem para que os deixemos estudar sozinhos.

As compras no supermercado são responsabilidade do pai. Tento que os meus filhos vejam os pais a dividir tarefas, para que o ciclo (a desculpa referida por si) não se repita.

Não deixo a minha família para último lugar, nem perco tempo com conversas infrutíferas. Gosto do meu trabalho e de ter uma ocupação que não seja só passar a ferro e mudar fraldas. Gosto sobretudo da minha independência financeira, de ganhar para mim, de não precisar do marido para comprar um par de cuecas.

Há tempo para tudo. Basta querer, basta que toda a familia queira! E para isso é preciso educar a família. Dá trabalho, mas vale a pena.

O problema não está no facto de as mulheres terem abandonado as tarefas domésticas, o problema reside no facto de os homens não se terem apercebido que essas mesmas tarefas são de ambos. O facto de as mulheres saírem para trabalhar, implica que os homens têm de colaborar mais em casa. E foi isso que vocês ainda não atingiram, ou preferem não atingir (por vezes gostam de se fazer de parvos. Dá um jeito danado!)

Não queremos ser homens, digníssimo senhor, nem ser tratadas como tal. Podemos e devemos contribuir para o crescimento da nossa economia, contribuir para o futuro do nosso país e do mundo, pois temos inteligência e capacidades para tal. E não é a ficar em casa que isso vai acontecer.

Há uns meses atrás fui à China em trabalho. Os meus filhos ficaram bem entregues e orgulhosos da aventura da mãe. Não viraram delinquentes pelo facto de, por uns dias, eu não estar lá para os deitar. Pelo contrário, tiveram o exemplo de que quando nos surge uma oportunidade devemos aproveitá-la, quando nos surge um desafio há que aceitá-lo de braços abertos.

Não tenho a mais pequena dúvida de que contribuí muito mais para a educação, personalidade e carácter dos meus filhos pelo simples facto de ter ido, do que ficando em casa a verificar se fizeram os TPC.

No final, dando uma de psicologia barata, o senhor ainda nos pergunta se somos felizes. Da minha parte digo-lhe sem medos: Sou sim, obrigada! "Duplamente explorada", mas feliz e realizada.

No auge dos seus 65/6 anos, sugiro que se reforme e vá para casa. Sabe, os avós podem ter (se quiserem) um papel fundamental nestas "novas famílias", e contribuir amplamente para a harmonia que o senhor pretende. Acho que é lá que o senhor está a fazer falta. O Semanário Sol e o país tinham muito a ganhar com essa sua decisão!

(Para quem se quiser dar ao trabalho de ler Link para o artigo mencionado)






quarta-feira, outubro 29, 2014

"Então mas é só isto? Onde é que estão os piropos ofensivos e badalhocos?"


Anda por aí um vídeo que se tornou viral (tendo já mais de 5 422 672 visualizações), porque a protagonista recebeu mais de cem assédios verbais e assobios, limitando-se a passear na rua de jeans e t-shirt.
Este aqui

Eu não queria falar deste tema dos piropos novamente, mas como não gosto de exageros (a não ser quando vou aos restaurantes e as doses são bem servidas), obrigam-me a vir aqui mexer na ferida.

Os comentários escandalosos, motivadores de tanta celeuma, retratados no referido vídeo são coisas como isto:

"How you doing today?" 
"Smile!"
"What´s up beautiful? Have a good day"
"Somebody´s acknowledging you for being beautiful, you should say thank you more!"
"God bless you"
"Hey baby"
"Hey beautiful"
"How are you doing this morning?"
"Have a nice evening"
"Hey sweetie"

e para mim a melhor de todas "Hey look it there, i just saw a thousand dollars". Epá isto é do melhor! Isto é uma delícia.

Cheguei ao fim e perguntei a mim mesma "Então mas é só isto? Onde é que estão os piropos ofensivos e badalhocos?"

Ok, uma mulher deveria ter o direito a andar na rua sem ser importunada ou abordada, mas bolas, em lado algum eu ouvi uma ofensa efectivamente digna desse nome.

Estes senhores são uns gentlemen comparado com aquilo que uma mulher é obrigada a ouvir aqui neste paraíso à beira-mar plantado. Agora nem tanto, porque o sector da construção civil está parado e os senhores das obras ficam em casa ou então já emigraram, mas aqui há uns anos... Ou será que sou eu que já estou a ficar velha? Se calhar é isso!

O vídeo termina com um apelo para contribuir com donativos para a Hollaback (" a non profit dedicated to ending street harassment")!
Estou a pensar seriamente em desviar as quantias que tenho no KIVA, ou em levantar aquele depósito esquecido no Banco Mau, para me dedicar exclusivamente a esta causa!

Tenham juízo, pá!





domingo, outubro 26, 2014

Preferia mil vezes continuar chateada contigo!

Não, ouve-me! Isto não tem nada a ver connosco, nem com a nossa história.

Vamos esquecer que, apesar da diferença de idades, já fomos best friends, no tempo em que eu imitava a tua forma de vestir e experimentava as tuas roupas, que adorava o teu cabelo louro comprido, que me pegaste a febre do Elvis, que berrámos canções no teu BMW vermelho de capota aberta, que gravava telediscos para tu veres no fim-de-semana. A esse capítulo eu chamo "Quem me dera ser tu".

Vamos esquecer que a tua filha foi a minha "primeira" filha desde o momento em que a vi, e que tratar dela foi das coisas mais maravilhosas que me proporcionaste. A esse capítulo eu chamo "Tempos de Paz".

Vamos esquecer essencialmente aquilo que temos sido até hoje! Não importa as desavenças, o que já discutímos, que batemos com a porta e nada mais foi como antes. Não importa que tenhamos seguido caminhos opostos, e que eu te tivesse à distância. A esse capítulo eu chamo "Vidas Separadas".

A vida, tal como um livro, tem vários capítulos: tem princípio, meio e fim! E isto ainda vai a meio, bolas!

Dizem que por vezes as coisas más vêm ter connosco para que possamos resolver outros assuntos, que há males que vêm por bem, que é nas tragédias que as pessoas se unem. Foda-se, que se lixem os outros assuntos! Preferia mil vezes continuar chateada contigo a resolver as coisas desta forma. Era sinal que estavas bem!

Não, este momento é sobre ti e sobre o que há a fazer! A este capítulo vamos chamar "e tudo fica bem quando acaba bem" ou " depois da tempestade vem a bonança".

Melhor ainda, fazemos assim: este capítulo vais escrevê-lo tu, boa? Para isso tens de respirar fundo, ganhar fôlego e preparar-te para o que der e vier!

E vais dar o teu melhor, não vais?  Promete-me, please!

sexta-feira, outubro 24, 2014

E a LIMONADA recebeu um LIEBSTER AWARD




Comentário de ontem no BLOG da LIMONADA:
"Descobri este blog há uns tempos e tenho vindo cá regularmente pois gosto bastante da tua escrita. Como tal, nomeei-te para o Liebster Award" Assinado A cavalo num burro

E perguntam vocês, o que é o Liebster Award?
Pois, eu também não sabia, mas fiquei a saber quando a Fifi do acavalonumburro me nomeou. Blog que tenho acompanhado há algum tempo, não fazendo a mínima ideia que a referida autora também me seguia.  

O Liebster Award é uma forma de dar a conhecer blogs com menos de 200 seguidores, como a Limonada.

Sendo nomeados, temos que responder às perguntas que nos colocaram, nomear outros blogs, identificá-los e dar-lhes perguntas para responder. Uma espécie de passagem de testemunho.

E as perguntas que o acavalonumburro me colocou são:
1) Como te defines enquanto pessoa e blogger?
Meu deus, como é que se responde a isto? Eu sou a pior pessoa para falar de mim como pessoa... mas, aqui vai!
Esforço-me para ser uma filha agradecida, uma mãe atenta, uma mulher interessante e interessada, uma amiga disponível, uma profissional dedicada.
Como blogger escrevo aquilo que me apetece e me dá na real gana, até porque não sei quem está do outro lado e é impossível agradar a gregos e troianos. 


2) Porque é que tens um blog?
Escrevinhava umas coisas já desde os tempos de faculdade, mas sempre achei que não tinha nada de relevante para dizer ao mundo. 
No ano passado fiz um mini curso de escrita criativa com Pedro Sena Lino e descobri que afinal tinha umas coisas para dizer e que havia pelo menos três ou quatro pessoas no mundo que gostavam de me ler. 
Para além disso, com a maturidade veio o atrevimento e uma vontade incontornável de partilhar arrelias, sentimentos, certezas e incertezas de uma forma quase terapêutica.


3) Qual é o ponto forte do teu blog?
Sinceridade.

4) Quais são os temas que mais te interessam e inspiram?
Tento escrever, quando me dá prazer e não por obrigação, sobre aquilo que agita o meu dia-a dia e mexe com as minhas entranhas: as relações com quem me circunda, os desafios de criar um filho, as memórias de infância, a família, as coisas que gosto e não gosto, revelando inevitavelmente uma parte de mim.

5) O que mais aprecias noutros blogs?
Que sejam diferentes do meu, que me façam dizer  "como é que eu não pensei nisto", que me surpreeendam e sobretudo que me façam rir.

6) Tens algum/s blog/s de referência?
Nenhum que gostasse de salientar em particular. Gosto de vários, por motivos diferentes. Não tenho uma Bíblia dos Blogs, ou se calhar ainda não a descobri. Se descobrir, prometo que aviso!

7) O que é que achas que é preciso para um blog ter sucesso?
Ter pessoas que o leiam, que o visitem com regularidade! Para tal, há que manter alguma cadência, uma constância interessante o suficiente para "agarrar" quem nos encontra.

8) Como gostavas que estivesse o teu blog daqui a 2 anos?
Carregadinho de comentários, críticas e sugestões.

9) O que achaste do blog que te nomeou?
Já me surpreendeu e me fez rir alguma vezes. 

Blogues nomeados (com menos de 200 seguidores)

As perguntas para os nomeados são:

1) O que mais te orgulhas de ter feito na vida?

2) Porque te lançaste nesta aventura de ter um blogue?

3) Já alguma vez te arrependeste e achaste que era melhor ter ficado sossegado? 

4) Com que frequência escreves e porquê?

5) Lista 5 coisas que gostas.                                                            

6) Lista 5 coisas que não gostas.

7) O que não gostas de ver reflectido noutros blogues?

8)  De que temas te recusas a falar/comentar/postar?

9) O que dizem os teus olhos? (Brincadeira, lol) O que achas do blogue que te nomeou?



Algumas regras a seguir pelos bloguers nomeados:
Responder a todas as perguntas;
Referir o link do blog que te nomeou;
Nomear entre 5 a 10 blogs com menos de 200 seguidores;
Obrigatório informar os blogs da nomeação;
Fornecer aos blogs nomeados o link para a publicação em causa (para que lhes seja explicado o que devem fazer).





terça-feira, outubro 14, 2014

Parabéns a nós, mano!

Esta coisa de fazer anos no mesmo dia de um irmão tem muito que se lhe diga.

Para começar os meus pais têm uma pontaria desgraçada, Sim, porque fazer gémeos é uma questão de genética e hereditariedade, agora ter a habilidade de acertar na mesma data ao fim seis anos é digno do Lucky Luke.

Desde cedo aprendi a partilhar. Não só porque lá em casa éramos 4 filhos e sempre nos foi incutida a partilha de roupas e livros, mas porque tive o enorme prazer de partilhar com o meu irmão o quarto e o aniversário (o dia que normalmente as crianças têm na ideia como o seu dia). Eu adorava!

Não, nunca quis um quarto só para mim, nunca precisei desse espaço. Sempre foi muito mais divertido adormecer à conversa com ele, a ouvir o "Oceano Pacífico", a partilhar as aventuras e desventuras da escola, dos namoros, dos sonhos para o futuro, a viajar na maionese... Quando o outro já não dava resposta, é porque tinha adormecido.

Cedo descobrimos uma enorme cumplicidade, cedo fomos mais do que simples irmãos, fomos grandes amigos e partilhadores de experiências.

Era frequente entrar no quarto e ele estar a "arranhar" qualquer coisa à guitarra, e quando me via dizia-me "conheces esta?". Só descansava quando os trabalhos da escola assim o exigiam, ou quando efectivamente a música estava "sacada" na íntegra. Quando isso acontecia, chamava-me " anda cá, tu cantas enquanto eu toco, que tu sabes a letra" e estávamos horas naquilo. Tínhamos uma versão só nossa do "Sweet Child of Mine" dos Guns and Roses. Era brutal!

Recordo, com um sorriso na alma, o dia em que acordei com o enorme estrondo da porta do roupeiro, olho para o lado e a cama dele está vazia, levanto-me e, espreitando entre a cama e o roupeiro, vejo-o deitado no chão, a dormir. Foi provavelmente das maiores gargalhadas que já dei na minha vida.

Lembro-me igualmente do dia, no recreio da escola, em que me vieram dizer "epá, vai ali ao campo da bola que o teu irmão está a dar espectáculo".  Dirigi-me ao campo da bola, e lá estava ele, à guitarra, a tocar "More than words" dos Extreme, rodeado de miúdos a graúdos que aplaudiam e cantavam com ele. Devia ter uns dez anos e eu dezasseis... tive um orgulho danado! Só não chorei com vergonha dos colegas. Sempre teve um jeitão para a música, o sacana do miúdo! (Já eu tive lições de órgão e não ligava nenhuma àquilo, se arrependimento matasse...)

Ou do dia em que entro o portão do colégio e me dizem que o meu irmão está na enfermaria, pois tinha sido empurrado de um muro pelos colegas. Com o lábio superior todo rebentado, assim que me vê desata num choro, e abraça-me na procura de um conforto que normalmente procuramos no colo da nossa mãe.

Ainda hoje é frequente nos telefonarmos e o outro dizer "bolas, estava a pensar em ti". Ainda hoje, mesmo à distância, parece que sentimos que o outro não está bem. Ainda hoje partilhamos escritas e músicas, gostos e desejos.

Todos os anos à meia-noite da véspera do nosso aniversário nos telefonamos, para darmos os parabéns um ao outro. Todos os anos sinto que não é o meu dia, mas o nosso dia.

Este ano foi ainda mais especial! Ao fim de cerca de dez anos, conseguimos juntar-nos ao jantar e fazermos a festa juntos (o que nem sempre é possível dada a distância geográfica que nos separa). Talvez por isso, este ano bateu-me a nostalgia da infância e adolescência que partilhámos e umas saudades tremendas daqueles tempos.

Por isso, digo com frequência aos meus filhos e sobrinhos, apesar de terem um quarto cada um, quando vos apetecer durmam juntos, conversem muito, partilhem o que são e o que gostariam de ser! Não há tempo que passe nem memórias distantes que vos tire o prazer desses momentos!

LOVE YA BROTHA!




segunda-feira, outubro 13, 2014

Short Story - A vida é como um trapézio sem rede

(Nota: Ao contrário da maioria dos textos deste blog que relatam experiências e vivências da autora, o texto que se segue é puramente ficcional.)


O Verão ainda cheira à minha avó. Era sempre na casa de campo da avó Catarina que eu passava as férias de Verão. 

Apesar de viver numa casa isolada, a cerca de 20 km da aldeia mais próxima, a avó gostava de se arranjar como se estivesse à espera de visita: saia travada, camisa de seda, casaco de malha.

A avó já há muito que não trabalhava e, por isso entretinha-se a encher-me a barriga de mimos. Bem cedo, na cozinha cheirava a pão quente e café acabadinho de fazer. A jarra que a minha mãe lhe ofereceu por alturas de um aniversário, compunha a mesa do pequeno-almoço com malmequeres e papoilas acabadas de colher no jardim em frente ao alpendre.

Lembro-me que o cheiro a jasmim vinha essencialmente do seu carrapito enrolado com perícia, grisalho, outrora cor de terra. O rosto rugoso mas saudável, próprio dos seus estimados oitenta anos, era de sorriso fácil. A aguadilha dos olhos grandes e verdes escondia-se por detrás dos óculos minúsculos assentes na ponta de um nariz arrebitado. Dos lábios finos e bem definidos, apesar de antediluvianos, saía uma voz bondosa e humilde mas activa, de cada vez que me contava uma história ao deitar.

Os passos eram curtos mas convictos, passos de quem caminha de cabeça erguida. Sempre lhe admirei a aliança apertada nos dedos curtos e roliços. A avó enviuvou cedo, mas nunca permitiu entregar-se aos devaneios de uma nova paixão. Fez o avô feliz durante toda uma vida e isso para si era o bastante. 
- “52 anos de vida que partilhei com o teu avô. O truque está em fazê-lo acreditar que é ele quem manda”, dizia-me. 

E deixava-me sempre num mutismo hilariante quando acrescentava enigmas como “A vida não é aquilo que queremos, mas devemos vivê-la com a imaginamos”.

Hoje, no regresso do funeral da avó, precisei de voltar à sua casa, de me recolher nos seus pertences. Talvez agora, com a sua partida, conseguisse finalmente entrar no misterioso sótão de sua casa. Durante alguns segundos ponderei se deveria invadir aquele espaço. 

Na infância, sempre que nas férias de verão eu e o primo João nos juntávamos na casa da avó, tínhamos ideias assustadoras e alucinantes acerca do que ela guardaria naquele espaço sombrio e proibido. Tantas vezes tentámos que um distraísse a avó enquanto o outro procurava a chave, mas o ranger do soalho nos denunciou e por pouco não apanhámos uma valente vassourada.

A minha indecisão durou apenas segundos, pois a curiosidade era avassaladora, e eu precisava mais do que nunca de sentir o seu cheiro, de estar perto do que era seu… Entrei!

Nada tinha de sombrio. Tinha uma janela, a luz era fecunda e quente. Não era um sótão vulgar nem poeirento, como seria de julgar. Estava limpo, arrumado, e os pertences da avó encaixotados ordenadamente como se soubesse que iria morrer no dia seguinte e não quisesse dar o trabalho a ninguém de o arrumar. 

Sentia no ar o seu perfume, como se ainda ontem a avó ali tivesse estado. Nos meandros das memórias da avó uma edição de poemas de Fernando Pessoa. Folheei-o: apontamentos, notas, frases sublinhadas, textos lidos e relidos. A avó adorava Pessoa, e fazia questão de o partilhar comigo como se fossem palavras sagradas.

Numa caixa pequena, enlaçada por uma fita de veludo escarlate, um velho álbum de fotografias da avó, do avô e da minha mãe com apenas alguns meses de vida. No meio de duas páginas, um retrato solto, diferente dos demais, retalhado e amarelado pelo tempo e nele, um soldado…um desconhecido de uniforme. Nas costas da foto estava escrito: “Will be back as soon as this insane war is over. Forever yours, Henry”.

Não demorei muito a perceber que a figura daquela foto teria sido alguém importante na vida da avó. Mas quem seria?

Sabia que a avó tinha vivido uns anos em Londres, quando o seu pai aceitou um lugar na embaixada de Portugal, teria ela apenas três anos. Sabia que o meu apelido Murray era fruto do seu casamento com o avô Peter. Sabia que os conhecimentos da língua adquiridos por terras de sua majestade lhe permitiram leccionar inglês anos mais tarde quando se refugiou da guerra em Portugal. Mas quem seria este Henry? Algum tio-avô de quem nunca ouvi falar?

Para além da intrigante foto, dentro de um pequeno baú estava um mapa, rotas percorridas traçadas a vermelho e vários bilhetes de comboio obliterados. Era-me difícil imaginar que a doce e pacata avó das minhas férias de verão na casa de campo tivesse percorrido a europa de comboio.

Não sei ao certo quanto tempo passei dentro daquele sótão, mas precisava de devorar de uma só vez toda a informação disponível, a história da vida de alguém que me foi tão próximo, e acerca de quem afinal pouco sabia.

Durante anos, tive a sensação de que havia algo mais acerca da avó Catarina, mais do que uma mulher apaixonada pela sua profissão, mais do que a esposa dedicada, mais do que a mãe preocupada, mais do que a avó extremamente carinhosa. Havia algo de misterioso e interessante, algo que eu não conseguia explicar por palavras, por vezes nem a mim mesmo. Era um certo borbulhar na barriga que se manifestava sempre que partilhava comigo uma das suas sábias epifanias “A vida é como um trapézio sem rede, passamos a vida a tentar não cair dos malabarismos que fazemos dela.” Eram estas expressões que me faziam catalogá-la de super-heroína: sem fato especial, sem super poderes, sem precisar de salvar o mundo, heroína apenas porque me inspirava.

A certa altura deparei-me com um envelope cujo remetente indicava Lucy Barnes e o destinatário Kathy Pais (Kathy diminutivo de Catarina, dirigida à minha avó, deduzi). “Talvez não devesse lê-la” pensei, mas o impulso foi mais forte do que a razão. Abri a carta e comecei a ler:

 “London, October, 9th, 1940,
Dear Kathy,
I miss you terribly. London has been the closest thing to hell since you´ve departed. This war is leading us to complete misery and desperation. Hope to find you both in good health, and that Portugal has received you with open arms. Unfortunatelly, we haven´t heard from Henry again, my dear. No letters, no news, not anything. I´m sure that Peter will take good care of you and the baby. Please write as soon as possible.
Affectionately.
Lucy Barnes”.

-Henry, novamente?! Preciso de saber mais sobre este homem, mas não me parece boa ideia envolver nisto a minha mãe, pelo menos por enquanto. 

Num instante voltei a guardar tudo o que tinha encontrado naquele sótão, arrumei o baú que agora me parecia mais pesado que nunca, peguei na caixa da fita escarlate e saí.

Lá fora chovia copiosamente ou como diria a avó “it was raining dogs and cats”. Sempre adorei os anglicismos que espontaneamente lhe surgiam nas conversas.

Dei uma corrida até ao carro e dirigi-me a casa. Assim que pus a chave à porta, apressei-me para o computador da sala. Tinha um nome (Lucy Barnes) e uma morada, nada mais. Teria de ser o bastante.

Umas duas horas de pesquisa na internet e uns quantos cigarros mais tarde, finalmente surge uma ligação para a dita morada e para o apelido Barnes no My heritage.com, e mais uma vez dei graças a Tim Berners-Lee pela World Wide Web.

“A esperança é o sonho do homem acordado”, e por isso decidi enviar um e-mail. Não tinha nada a perder. Apresentei-me como neto de Catarina Mello de Pais Murray, uma jovem portuguesa residente em Londres por alturas da II Grande Guerra. Perguntei se nessa família existia ou tinha existido alguém de nome Lucy Barnes que a pudesse conhecer. A resposta veio uma eternidade depois, mas com palavras de alento. Jessica Barnes, tinha uma avó Lucy Barnes, ainda viva, e que se recordava de uma amiga e colega de escola a quem chamava Kathy Pais.

Não sabia se tinha encontrado a pessoa certa, mas todos os meus sentidos me diziam que estava “on the right track”. Expliquei que a avó tinha morrido recentemente e que para mim era muito importante encontrar-me pessoalmente com Lucy. Desta vez a resposta foi quase imediata, curta e eficente: “Granny would be delighted”.

No fim-de-semana seguinte estava num avião a caminho de Londres, nervoso e expectante. Jessica teve a amabilidade de me ir buscar a Heathrow, e pelo que percebi estava tão empolgada quanto eu. Não sabia uma palavra de português, mas já tinha ouvido falar do nosso sol, das praias, da simpatia das pessoas, e também ela estava ansiosa por saber mais sobre aquela amiga de infância de que a sua avó tanto falava. Apesar dos seus 30 anos, Jessica tinha um ar menineiro e um sorriso abundante. Simpatizei imediatamente com ela, o que me deixou bastante descontraído e à vontade.

Lucy aguardava-me num longo sofá de tecido beige, com as pernas cobertas por uma manta enxadrezada e um tabuleiro de chá na mesa de apoio. Pediu-me que me sentasse a seu lado, abraçou-me o rosto com as duas mãos, fixou-me o olhar e disse-me “ you have your grandmother´s eyes. It is so nice to meet you, dear”. O seu cabelo era branco, cheio e suavemente ondulado como um floco de neve, o seu rosto era gentil e os gestos lentos.

Ofereceu-me uma chávena de chá e disse-me “ well dear, how can I be of assistance?” Mostrei-lhe a foto do homem de uniforme e num segundo os seus olhos tremeram e um sorriso escapuliu. Percebi imediatamente que o reconhecia, por isso perguntei-lhe afoitamente “Who is he? What was the relation between this soldier and my grandmother?”.

Lucy inspirou languidamente e lançou-me numa espiral de acontecimentos. O meu tempo parou. Na verdade, foi como se o mundo inteiro tivesse parado para escutar. Naquele momento nada era mais relevante do que as palavras de Lucy.

Através das suas saudosas palavras fiquei a saber que Lucy e a minha avó Catarina, tinham sido amigas de infância, as melhores amigas, e igualmente colegas de escola de Peter Murray (meu avô). Andavam sempre os três juntos partilhando sorrisos, brincadeiras, segredos, angústias. Eram inseparáveis. 

Naquele tempo, antes da guerra, visto serem de famílias abastadas e o pai de Kathy ser embaixador de Portugal em Londres, era frequente a presença de figuras da alta sociedade britânica em casa dos meus bisavós em festas de aniversário, bailes de solidariedade e angariação de fundos, etc.

Todavia, não era nessas “absolutely boring parties” que Kathy se sentia bem. O seu espírito rebelde era mais dado a conhecer o mundo de mochila às costas. Acabar os seus dias na opulência de um qualquer palácio londrino herdado da família, não era o destino que Kathy vislumbrasse. Ela queria construir o seu próprio futuro e não herdá-lo. Tinha sido criada num mundo de intelectualidade, cultura, de princípios e bons costumes, mas era demasiado independente para viver a vida a puxar de galões que não fossem os seus.

Foi por isso que, quando entrou para a faculdade, e contra a vontade dos pais, arranjou um emprego. Trabalhou num restaurante na Blackfriars Road e foi aí que conheceu Henry, um rapaz meigo e pouco dado a devaneios que se tornou cliente assíduo do restaurante assim que os seus olhos pousaram em Kathy. Era operário fabril e voluntário da Red Cross, para onde arrastou Kathy num piscar de olhos. Ele representava a liberdade que ela tanto ansiava.

Apesar de Kathy adorar Peter “with all her heart”, apesar de ao seu eterno e inseparável amigo dever horas sem fim de sorrisos e cumplicidade, esse amor era incomparável à paixão frenética e desmesurada que nutria por Henry.

Kathy viveu meses de euforia, até ao dia em que os seus pais tomaram conhecimento desse relacionamento. Não era este o príncipe a quem os seus pais queriam entregar a filha tecida nas malhas da fina flor britânica. Henry era o oposto de tudo o que tinha sido planeado para Kathy. A tensão em casa dos pais subiu de tom, pois não havia dia algum que Henry não fosse motivo de discussão. O ambiente tornou-se infernal.

Em 39 a guerra eclodiu e em Março do ano seguinte Henry foi chamado a combater. Duas semanas depois da sua partida para as linhas da frente, Kathy descobriu que estava grávida. Os seus pais insistiam para que abortasse ou que deixasse a casa de família, tamanha era a vergonha. A minha avó recusou-se. Aquela criança era a possibilidade de dar sentido e continuidade àquele amor incompreendido e rejeitado, era tudo o que lhe restava.

Todavia, de Henry nunca mais teve notícias, nunca chegando sequer a ter a oportunidade de partilhar a alegria pela vinda daquele filho. Independentemente disso, todos os lugares recônditos do seu ser lhe diziam que Henry iria voltar e que, quando isso acontecesse, ela e o bébé estariam à sua espera.

A 15 de Setembro de 1940 Londres foi alvo do bombardeamento mais aterrador de que há memória, 57 noites consecutivas de um autêntico inferno, e Kathy tinha agora um filho no ventre que desejava que vingasse, mais do que qualquer outra coisa na vida. Na casa dos seus pais há muito que não era bem-vinda. Tinha de partir para um lugar seguro.

A dupla nacionalidade de Kathy poderia ser a sua salvação nesse momento. Portugal tinha uma posição neutra na guerra e seria com certeza um óptimo refúgio. Lucy e Peter encarregar-se-iam de dizer a Henry onde ela se encontrava e, assim que a guerra terminasse, poderiam reencontrar-se.

No dia da sua partida, Peter surpreendeu tudo e todos dizendo que não podia deixar de a acompanhar. Apesar de habituada a viajar sozinha, esta não seria uma viagem de recreio, mas um novo começo num país que lhe era estranho e com a responsabilidade acrescida de estar prestes a dar vida a uma criança. Kathy respirou de alívio, a companhia de Peter era obviamente bem-vinda.

A 4 de Janeiro de 1941 nascia a minha mãe, os meus avós casaram no mesmo dia.

- Mas como? Porque é que a minha avó não esperou por Henry?


-“I´m afraid that was my fault, dear. We´d heard some rumours that Henry was missing in action, so I sent a letter to your grandmother telling her that Henry was killed. You see, it took great courage for Peter to take care of Kathy and the baby. He gave up his family, his job, his country, his life for her. He had always loved her. He would do anything to make her happy, and indeed he did.”

Fiquei em estado de choque! Como poderia Lucy tomar as rédeas dos destinos destas três pessoas? 
- “ They were about to become a family, the baby was coming soon, and they were happy in Portugal. If indeed Henry was still alive, he would only be in their way. I just could not bring myself to destroy Kathy and Peter´s future. It wasn´t fair!”

Lucy contou-me ainda que uns anos mais tarde se reencontrou com Henry. As únicas palavras que conseguiu proferir foi que Kathy o julgava morto e que tinha refeito a sua vida. Henry nunca soube que Kathy e Peter tinham casado, nem tão pouco soube que Kathy tinha dado à luz uma menina, a sua menina, minha mãe.
  
A decisão de Lucy tinha sido certamente a decisão mais dolorosa da sua vida.

Já de regresso a Portugal, deparei-me com um dilema semelhante. Dar ou não a conhecer à minha mãe tudo aquilo que acabara de descobrir: as suas origens, quem foi o seu verdadeiro pai…

Facilitou-me a tomada de decisão acreditar que o avô tinha sido o equilíbrio no trapézio da vida da minha avó. Em jeito de agradecimento, ela tenha vivido quase exclusivamente para o fazer feliz.

Por vezes a concretização suprema de uma vida está nos segredos que guardamos, naquilo que fica por dizer. 

Por vezes há pessoas que trazem beleza mesmo às coisas que não nasceram para ser belas.