sexta-feira, janeiro 30, 2015

Ladies, a sério que ainda estamos a competir com eles?

Esta semana li um artigo, na revista Happy de Janeiro, entitulado Women do it better e com o subtítulo " a ciência diz que somos melhores do que eles (em tudo)".

Ladies, e nós precisamos que a ciência nos diga isto? De que forma é que este estudo contribui para a nossa felicidade?  É assim tão importante que nos digam que somos melhores do que os homens?
E somos efectivamente todas melhores do que os homens? Mesmo a mais incompetente das mulheres? Já lá vamos...

O Site Maria Capaz, que acompanho com assiduidade, esta semana teve vários artigos sobre mulheres de topo e a sua influência nas restantes mulheres, sobre o que significa para a sociedade fazer as coisas #like a girl, sobre feminismo, sobre a necessidade de mudança de mentalidades. Mas por que razão temos ainda tanta necessidade de escrever sobre como os outros nos vêem? Será que só com o reconhecimento exterior temos a certeza daquilo que valemos?

A mudança tem de começar dentro de cada uma de nós. Sempre que entramos em comparações e temos necessidade de dizer ao mundo que somos melhores, isso é sinal que o assunto ainda não está resolvido nas nossas cabeças, quanto mais nas dos outros. É sinal que nós, mulheres, ainda temos um longo caminho a percorrer.

Para além disso, nós somos melhores porquê? Paralelamente às mulheres inteligentes, produtivas, competentes deste mundo não há igualmente mulheres burras, incompetentes e calonas? E o mesmo acontece com os homens, certo? Há de tudo, em ambos!

Como podemos nós argumentar contra a discriminação, quando também nós assumimos como boa a dicotomia Mulher vs Homem? Isso não é o mesmo que fazer a separação entre brancos e pretos? Entre hetero e homossexuais?

A competência, a inteligência, a capacidade de trabalho não se mede em géneros, raças, opções sexuais ou religiosas. Não há homens perfeitos e mulheres imperfeitas, não há brancos inteligentes e negros burros, não há hetero trabalhadores e homos calões, ou vice-versa!

Basta que tenhamos consciência das nossas próprias capacidades e dos nossos limites, para ganharmos consciência que estas dicotomias são ridículas e infrutíferas.

Às mães que têm um filho e uma filha, faço a seguinte pergunta: conseguem escolher qual deles é o melhor? Podem reconhecer que um é mais trabalhador e outro mais preguiçoso, mas que o preguiçoso, por acaso, até é mais perspicaz, enquanto o outro é mais engenhoso. Podem verificar que um tem mais queda para a intelectualidade e o outro é mais dado a trabalhos manuais, que um é mais criativo e que o outro tem uma capacidade de memorização incrível, que um é mais impulsivo e distraído mas carinhoso, enquanto o outro é mais calmo e bom coração. Mas nenhum é melhor que o outro, certo mães?

Por isso, ladies, a sério que ainda estamos a competir com eles? O que é que ainda temos a comprovar?







quarta-feira, janeiro 28, 2015

Limonada da Vida é ... #5 - Poupar para Viajar

POUPAR PARA VIAJAR:

Conseguir chegar ao final do mês com um dinheirito de parte para as próximas férias de verão.
Chegar à altura de marcar as férias e ter uma boa parte do valor da despesa no mealheiro.
Ir de férias sem sofrer um arrombo no orçamento mensal.
Viajar sem peso na consciência.
Só usufruir.
Poupa-se numas coisas para termos possibilidade de viver outras que nos dão maior prazer.
Nada como nos desapegarmos do nosso mundo e viver outros mundos por uns tempos.
Quanto mais não seja para conhecermos melhor os nossos limites!

(Primeiro mês, feito!)







terça-feira, janeiro 27, 2015

Não é bonito de se ver, mas recomendo!

Li ontem na net que alguns turistas têm feito comentários negativos no Tripadvisor relativamente ao museu de Auschwitz, e que não recomendam a visita.
Em tempos estive em Struthof . Fazia parte do roteiro de uma visita de estudo ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, promovida pela escola.
Não é de facto uma visita agradável.
Dói percorrer a lista dos nomes dos que lá padeceram.
Dói estar perante as câmaras de gás, os fornos, as chaminés por onde alegadamente saía o cheiro a carne queimada e a sala onde faziam experiências médicas com os prisioneiros, apesar de já não corrermos perigo.
Dói entrar no museu e ver fotos em tamanho real de pessoas de expressão igual e magreza inexplicável.
Dói, incomoda, angustia, comove, devasta. Não, não é uma visita bonita e deslumbrante, mas bolas, não é suposto ser!
Tenho fotos guardadas dessa visita de estudo, esse passeio alegre de autocarro desde Lisboa até Estrasburgo: dos colegas, das brincadeiras, das cidades onde parámos, mas não tenho fotos daquele espaço. Não consegui. Ficou-me na memória. Tinha apenas dezassete anos, mas marcou-me muito aquele lugar.
Foi sem dúvida a visita de estudo mais chocante que uma escola alguma vez me proporcionou, mas igualmente a mais relevante. Locais onde a derrota do ser humano permanece, onde ainda cheira a intolerância.
É importante que se visite para que nunca o esqueçamos.  Para que a história não se repita.



Limonada da Vida é ...#4

Ao fim de milhares de tentativas... conseguir AQUELA foto!




(Castelo de Almourol, Ribatejo)

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Limonada da Vida é... #3


A Limonada-adolescente dizer " Mãe, criei um blog! Chama-se Smartieteen, espreita aqui!"

No seu primeiro post refere que eu e o meu blog a "contagiámos", que somos um dos motivos pelos quais decidiu começar a escrever.

Raios m'a parta se isto não é o mesmo que ela dizer "quando crescer quero ser como tu"?

Hell Yeah, estou babada!







Limonada da Vida é... #2

Ver o Porto dar um empurraozinho ao Glorioso!

(pronta para perder alguns likes)

Limonada da Vida é... #1

Limonada da Vida é ...

acordar a filha enchendo-a de beijos... mesmo que ela reclame!

Não há melhor forma de começar o dia!



quarta-feira, janeiro 21, 2015

O Ted é o urso mais cool da galáxia e arredores!

Quando o filme estreou em Portugal, em 2012, levei os miúdos ao cinema. Eles tinham doze anos no máximo, e eu não sabia o que me aguardava. O cartaz tinha um urso de peluche, que mal poderia haver?

Ás primeiras asneiradas a Limonada-Pequena olhou para mim de boca aberta, com aquele ar de "tens a certeza que nos vais deixar ver isto?!". E eu deixei, fui deixando, porque o Ted também me conquistou.

O Ted não é um urso fofinho normal, é o contrário de tudo aquilo que prescrevemos para os nossos filhos (sim, as mães têm receitas mágicas para o futuro dos seus filhos). O Ted diz asneiras, fuma droga, faz serões com prostitutas em casa, é o típico caso do "ri-te com ele, mas não faças o que ele faz".

Devia ter saído da sala de cinema? Devia, mas não podia. Eles riam à gargalhada, e eu também! Bolas, há lá coisa melhor!

Parece que um dos actores que participou no filme "Ted" (Paul Campbell, e não o Seth MacFarlane, mind you) foi morto pela polícia, depois de se ter passado do boneco (perceberam?) e ter matado a própria mãe de 72 anos à facada!

Mais uma vez filhotes-limonadas mais lindos da vossa mãe, repitam comigo: o Ted é o urso mais cool da galáxia e arredores, e rir com ele é porreiro e faz bem à alma, mas o resto não, ok?


terça-feira, janeiro 20, 2015

Bons livros, depois de começar é muito difícil parar!

Não interessa se és fã de Carl Sagan, da E.L. James, da J.K. Rowling, de Fernando Pessoa, dos autores de agora ou dos grandes clássicos.

Um bom livro é aquele que não conseguimos parar de ler e devoramos em dias ou horas, que nos traz algo de novo, no qual ficamos a remoer porque nos "obriga" à auto-análise e nos faz mudar de atitude perante a vida, que nos dá uma estalada sem aviso prévio.

O sacana do "Crime and Punishment" ainda hoje mexe comigo, e tenho em mim que não haverá com certeza maior castigo do que a nossa própria consciência. Nem sempre as nossas escolhas seguem o caminho que a nossa consciência dita, e quando isso acontece penaliza-te pelo tempo que entenderes necessário, mas se te faz feliz segue em frente. Ninguém pode ficar refém dos seus erros eternamente.

O filha-da-mãe do "Wuthering Heigths" mostrou-me que o amor tem contornos altamente intensos e arrebatadores, mas igualmente dramáticos.

O monstrengo do "Frankenstein" ensinou-me que dar vida a alguém implica uma enorme responsabilidade, que não há nada tão poderoso e assustador. É uma dependência eterna e inquebrável.

A Limonada-adolescente acabou de ler "Queimada Viva" de Souad, e desde então não me fala noutra coisa. Sente-se indignada pelas injustiças que se cometem às raparigas/mulheres por esse mundo fora. De tão revoltada que está, sentiu inclusivamente necessidade de escrever sobre o assunto. Quem sabe se não teremos uma blogger em gestação? Isto também é um bom livro!

E tu, o que andas a ler?

John Green em "Cidades de Papel"



sexta-feira, janeiro 16, 2015

A planear viagem aos Açores...

Limoneiros (para quem não sabe, palavra que designa os que seguem a Limonada) açorianos e malta das viagens:
Tenho viagem marcada para São Miguel, e preciso das vossas calorosas dicas e sugestões de locais a visitar, hotéis, restaurantes, etc.
Tenho três dias para dar a volta a ilha: o que é que não posso perder de maneira alguma?

PS: Se conhecerem sites sobre o assunto, partilhem o link nos comentários.



quinta-feira, janeiro 15, 2015

Agora Escolha!

Assunto premente a precisar de esclarecimento cá em casa, antes que se inicie uma terceira guerra mundial.

Posso contar com a vossa ajuda?

Ora então aqui vai.
Pode dizer-se que uma banda terminou a carreira quando:
1- já não lança um álbum novo, nem anda em digressão, há mais de 20 anos;
2- os membros da banda anunciam aos meios de comunicação que chegou o fim;
3- um dos elementos anuncia que já não quer brincar mais;
4- todas as anteriores;
5- outra (qual?)

PS: Estive quase quase para dizer qual a minha opção... afinal de contas o blog é meu, faço nele o que quiser! Mas prefiro uma batalha justa.






quarta-feira, janeiro 14, 2015

Os superinspirados!

Lá para os lados do ginásio que frequento aquilo está carregadinho de gente nova.

Há menos cacifos disponíveis, há menos espaço para as nossas tralhas, mas é uma alegria vê-los cheios de vontade, e garra, e energia...

Todos os anos em Janeiro é assim, pelo menos durante prá aí uns... mês e meio, vá!

Quando cheirar a praia vem outra leva de superinspirados.



terça-feira, janeiro 13, 2015

Não estaremos a dar uma de putos mimados?

Agitou-se meio mundo pela liberdade de expressão! Em homenagem às vítimas, em solidariedade para com o Charlie Hebdon, em luta pela manutenção de liberdades e direitos que nos estão consagrados e dos quais não queremos abdicar.

É por isto que estão a lutar e estão correctos, porque é uma afronta que assim não seja.

Mas... porquê tanta agitação pelo recente atentado a esta liberdade em particular, quando há tantas liberdades e direitos que são violadas diariamente por esse mundo fora?

Por que razão este atentado originou esta onda de solidariedade, quando há crimes piores e ninguém faz nada?

Onde está a indignação mundial de cada vez que se violam direitos fundamentais como o direito à vida, à integridade pessoal, à segurança, à saúde, à hábitação, à educação?

Nem quando a Malala foi alvejada se juntaram líderes de todo o mundo em marcha pelos direitos das mulheres e pelo acesso à educação. Malala teve a sorte de os jornais lhe terem dado voz, foi recebida nas Nações Unidas e é hoje uma Prémio Nobel, mas lutou sozinha.

Porquê tanta agitação com a liberdade de expressão, opinião ou pensamento, quando existem outros direitos, tão ou mais importantes, para os quais não se verifica tamanha celeuma?!

Ai, que me tiraram a liberdade expressão! Ai queres ver que eu agora não posso dizer aquilo que penso! E agora, o que faço eu à minha vida?

Não estaremos a dar uma de putos mimados?!

Como será que olham para nós as mulheres que, em vários países, são excisadas na infância?  E o que dirão de nós os habitantes de países africanos que morrem à sede e à fome ou por falta de vacinas e assistência médica?

Será que reagimos assim porque fomos atingidos por "outsiders" na nossa própria casa, no espaço físico do nosso velho continente? Terá sido porque a comunidade jornalística se sentiu ameaçada? Ou antes porque, apesar de básicos e essenciais, esses direitos não nos dizem respeito, não são falha no nosso quotidiano, não são assunto que nos preocupe? São coisas dos outros, eles que lidem com elas!

Sim, morreram pessoas neste atentado! Sim, é um crime horrendo aquilo que se passou, mas é disto que se trata, minha gente!



Artigo 37
Liberdade de expressão e informação
1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

domingo, janeiro 11, 2015

A minha primeira vez

Somos nove na carrinha, incluindo o motorista. Uma das mais antigas na equipa é a última a entrar e dispara as novidades:
- O Sr. Manel afinal não morreu, foi internado no São José no dia 29, depois de lá termos estado a 26.

Ouvem-se suspiros de alívio, e desabafos: "ainda bem, ele estava tão mal, coitado!"

- Ah, é verdade! E a "avó" hoje não pode vir.

Não sei quem é o Sr. Manel, não sei quem é a "avó", é a minha primeira vez na volta. Remeto-me ao silêncio, ouvidos e olhos bem atentos, quero apanhar tudo, não quero perder nada.

Alguém sugere que, de vez em quando, seria melhor fazer a volta ao contrário, pois fazendo sempre da mesma forma os últimos são sempre prejudicados, a comida já é pouca e as roupas já estão escolhidas.

Da última vez que foram, enganaram-se no caminho e até calhou bem. Chegaram mais tarde à Rua Castilho e apanharam imensos. É importante saber onde eles param e onde dormem. "Nós é que temos de os encontrar".

Na Castilho, estão de facto imensos. E aproximam-se assim que a carrinha estaciona. Começa a distribuição, com calma, com ordem, com educação, com humildade. Eles sabem que chega para todos. Aproximam-se de mim e perguntam-me:
- arranja-me uma camisolinha de gola alta quentinha? tem estado tanto frio". E umas calças? E uma peúgas? E .... E.... E...
- Veja lá se estas lhe servem. Parecia eu que estava a vender na feira.
- O que é que a menina acha? 
- Acho que sim, que lhe hão-de ficar bem. Fique com essas!
- Obrigada menina, saúde! Muita saúde. Boa noite

No cinema São Jorge estão dois. Ofereci-me para ser eu a entregar o saco com o pão e o iogurte. Vestem-me o colete. Aproximei-me e perguntei: "Somos da Comunidade Vida e Paz, posso deixar-lhe um saquinho?" E levantando as mãos no ar, apalpando no vazio diz-me "deixe dois, se faz favor", continua procurando o saco que apresento à frente dos seus olhos, não o vê, não me vê. Toco-lhe e digo-lhe "deixe estar, eu ponho aqui ao seu lado".

Subimos à Praça da Alegria, e voltamos a parar. Lá está o Sr. António, desta vez não quer comida, só quis falar. Açoreano, alguns 50 anos, todo ele cheira a vinho. No meio do seu dialecto apanho algumas frases soltas. "Não quero comida, tenho a mochila cheia, quero trabalho, devo 20 mil euros às finanças, quero trabalho".

Duas das colegas voltam da entrega naquela paragem e actualizam o resto do pessoal "o senhor daqui já tem quarto. A segurança social arranjou-lhe onde ficar, agora diz que precisa de lençóis. Na próxima volta havemos de lhe trazer lençóis."

Junto ao edifício da PT, mais uma paragem. No sítio onde paramos não se vê ninguém, mas elas (as mais antigas) sabem que eles estão lá e que ainda são muitos. Ofereço-me para fazer a entrega. "Espera, não vás sozinha!"
A esta hora da noite e com o frio a apertar, nesta paragem já não se veem rostos, já não se trocam palavras. Estão a dormir! Cobertos até cima, apenas se veem vultos. Dois deles aninhados debaixo de um cadeeiro de rua, outros dois debaixo das arcadas do edifício, e outros dois mais além. "Olha, aquele parece o Sr. Hermenegildo. Mas ele não tinha ido para a instituição?... já cá está outra vez..."

Junto ao edifício do antigo hospital particular, por baixo das arcadas está a barraca montada com colchão e tudo. Cheiro nauseabundo. Mais dois que compartilham um espaço. Paro para pensar "aqui nasceu a minha filha".  

Chegamos ao Saldanha, e pela primeira vez encontro mulheres de rua. "Não me arranja um cachecol e uma camisolinha para a minha netinha? E uma camisola interior? E shampoo, tem?" Logo aparece outra: "Para que queres tu tanta roupa? Vais vender?" E diz para mim, "Esta é uma mentirosa."
Penso para os meus botões: "porque é que as mulheres têm de ser assim umas para as outras, chiça penico? Até na miséria."

Aproxima-se a "senhora do multibanco". Da última vez, foram dar com ela a dormir dentro de um daqueles espaços fechados onde levantamos dinheiro. Precisa de roupa, já não temos nada para lhe dar. Estamos no fim da volta.

Num qualquer passeio por Lisboa, estas são as pessoas que evitamos encontrar, das quais desviamos o olhar, cartões de visita indesejados. Os voluntários da Comunidade Vida e Paz procuram-nos, querem saber onde estão, o seu nome, o que precisam.

Este é o relato da minha primeira vez na volta com a Comunidade. Não é um passeio engraçado, mas foi bom. Quero repetir. Quero repetir esta sensação de desprendimento, de dar sem olhar para trás, de dar e ver brilhos nos olhos, e educação, e respeito, sem juízos de valor.

Vê-se Lisboa com outros olhos. Vê-se Lisboa, as suas ruas e as gentes que nelas dormem, não com repúdio, mas com o coração!

Obrigada Maria!




sexta-feira, janeiro 09, 2015

Ser Charlie é bullying?

Já li centenas de comentários, posts, artigos, opiniões acerca do recente ataque ao jornal Charlie Hebdon. Ultimamente não se fala noutra coisa. E lá em casa não é excepção.

Ontem ao jantar, a propósito das mais recentes notícias, falou-se à mesa com os miúdos sobre isto de ser Charlie.

Tentei fazer um resumo do que se passou, reforçando que ninguém tem o direito de matar ninguém seja por que motivo for, quanto mais como forma de repressão e para silenciar o outro.

Ao que a minha filha responde, na inocência dos seus 14 anos "mas ofender os outros também não se faz. Não vou gozar com um colega da escola só porque ele não pensa da mesma forma que eu, isso é bullying. Ó mãe ser Charlie é bullying?"

Apesar de ser "filha de Abril", apesar do meu espírito aberto e das minhas convicções democráticas, não consegui dizer que não...






quinta-feira, janeiro 08, 2015

Bloqueio de escritor


Ando há meses às voltas com o tema para o meu primeiro livro.
Se ao menos eu tivesse nascido com dois pénis, como o Diphallic Man, tinha o assunto resolvido e tanto para escrever.




Cameron Diaz casou-se!

Bolas Cameron, mas não havia lá nenhum mais giro?
Quando nos encontrarmos nos Óscares contas-me onde é que lhe encontraste o charme, se há alguma parte do dia em que ele tire o chapéu, e como é que fazes para parecer mais nova do que um gajo 7 anos mais novo que tu...



quarta-feira, janeiro 07, 2015

Qual a fronteira entre a brincadeira e a ofensa?

Sem dúvida, o acto é condenável e um crime horrendo. Sim, também eu estou solidária com o Charlie Hebdo. Por isso, espanta-me que haja tanto apelo à tolerância no que diz respeito à liberdade de expressão quando na internet, nomeadamente no facebook, existe tanto ódio, tanta crítica, tanta falta de respeito, tanta incompreensão com certas brincadeiras que ocorrem em blogs carregadinhos de ironia (e da boa), ou até páginas de comediantes conhecidos da nossa praça.

É frequente encontrar comentários violentos e ofensivos, totalmente intolerantes com esta ou aquela simples brincadeira. "A ironia foi longe demais", defendem alguns! "Com esses temas não se brinca", dizem outros! "vai pro cara....",  dizem outros ainda! "Devias morrer, seu palhaço".

Qual o limite? Qual a fronteira entre a brincadeira e a ofensa? Entre a liberdade de expressão e a violência? A quem compete delinear essa fronteira?

O limite, a meu ver, está dentro de cada um de nós no momento em que enfiamos a carapuça, no momento em que permitimos que a "brincadeira" do outro nos atinja.

Felizmente que ainda não se mata ninguém via facebook, caso contrário já estaria meio-mundo morto.

Num piscar de olhos são todos Charlie, quando há apenas alguns segundos atrás alguns eram "terroristas" na página de alguém que simplesmente exercia o seu direito à liberdade de expressão.

"Fanático" é um adjectivo que infelizmente extravasa os meandros da religião, e que não a define apenas a ela.






Temos mesmo de Gritar?



Para que as crianças se comportem melhor, temos mesmo de ralhar e gritar a toda a hora? Porque será que permitimos que os miúdos nos tirem do sério?

O Blog Mum´s the Boss juntamentamente com o site Parentalidade Positiva decidiram lançar o desafio de vermos com outros olhos a relação com os nossos filhos, uma relação com mais significado do que o mero "educar gritando".

Para tal, criaram o 1º Desafio Berra-me Baixo 2015. A ideia não é deixar de ralhar e fazer-lhes as vontades todas. A ideia é entender que não é a "passarmo-nos da boneca" que a educação se transmite, e ter noção disso é fundamental.

Não é uma sessão de terapia para pais histéricos! Trata-se de entendermos que, se criar uma criança não é tarefa fácil, o grito também não ajuda. O truque está em saber verbalizar e apresentar os nossos argumentos de forma coerente e firme, sem deixar nada por dizer, mas medindo aquilo que se diz.

Bem sei que tudo depende da criança com quem estamos a lidar. Há miúdos mais fáceis do que outros, há miúdos que parece que só funcionam "à lei da bala", mas mesmo assim não custa nada tentar.

Tenho duas crias lá em casa: uma que raramente me leva a tais extremos, e outra que parece só funcionar depois de me ver completamente desfigurada e virada do avesso. Como sempre preferi o diálogo à gritaria, inscrevi-me!

Mães e pais que me lêem, desafio-vos a inscreverem-se também aqui.



terça-feira, janeiro 06, 2015

Era uma D. Alice como a do Intermarché, se faz favor!

Gosto de acreditar que ainda existem locais, aldeias, vilas perdidas nesse Portugal interior onde é possível encontrar uma D. Alice como a do Intermarché. Assim tão disponível, a altas horas da madrugada... porque o Joãozinho quer mamar e os pais deixaram acabar o leite.

É quase como acreditar no Pai Natal.

Se algum de vós conhecer uma D. Alice do Intermarché, por favor manifeste-se. Ainda há réstia de esperança na raça humana.


Anúncio Intermarché




segunda-feira, janeiro 05, 2015

Postais PPC 2014

Já recebi o meu Postal PPC 2014 directamente de Castelo Branco, com direito a bolachinhas, receita e tudo!

Obrigada ao meu querido amigo Quadripolar que assina JSB!

Parabéns à Pólo Norte do Blog Quadripolaridades pela inicitiva carregadinha de espírito natalício, e toda a sorte do mundo para Associação Bairro do Amor.

Espero que, apesar de a morada que recebi estar muuuuito incompleta, o meu postal tenha chegado ao seu destino e tenha feito a Daniela de Ílhavo sorrir.






domingo, janeiro 04, 2015

Dá para fazer isto em Slow motion?

Isto está a ser rápido demais para mim... em directo, ao vivo e a cores, em tempo real, sem direito a Rewind ou Replay, e num piscar de olhos já lá vão 14 anos.

Parabéns filhota!  És ainda uma menina, mas enorme na tua perspicácia, na tua maturidade, no teu sentido de justiça, na tua generosidade.

Tu és a minha aprendizagem diária e a minha obra de arte, num só. És resultado ao mesmo tempo que és experiência. Não trazias livro de instruções, nem tirei curso superior para te criar, mas saíste-me bem. És a minha maior aventura, e eu tenho muito orgulho da pessoa que te estás a tornar.

Gosto de saber que te entregas às coisas com alma.
Gosto que penses pela tua cabeça, que não sejas uma Maria-Vai-Com-as-Outras.
Gosto que tenhas paixões por coisas diferentes (música, teatro, cinema).
Gosto que gostes de estar comigo.
Gosto que te preocupes com os outros e não vivas centrada no teu umbigo, no egoísmo tão típico da adolescência.
Não Gosto que tenhas mau perder e que não consigas rir-te de ti própria. Isso é um dom, sabias? Nem tudo tem de ser sério.

Eu sei, fala a rainha dos dramas, e do "tudo tem de estar perfeito", e do "arruma o teu quarto", e do "vai tomar banho", mas é esse o meu papel, entendes? O teu papel é dar-me dores de cabeça e podes dar, estás no teu direito.

Não te vou esconder que, tal como a generalidade dos pais, tenho sonhos para ti, de coisas que quis fazer e não fiz, de coisas que quis ser e não fui, mas prometo que não me vais desiludir se não os cumprires. Apesar de responsável por te dar vida, tu não és a minha segunda oportunidade. Não és tu que tens de dar vida ao que eu não fui. Tu só tens de cumprir o que à tua vida diz respeito, não tens de preencher os meus vazios.

Não faz mal se errares, desde que sejam os teus erros e não os dos outros.  Aprende-se muito com os erros, sabes?
Não faz mal arriscar, isso é viver.

Lembras-te quando te dizia que as mães são mágicas, e que têm super-poderes e que têm um dedo que adivinha coisas?  A verdade é que, tal como a grande maioria das mães, tenho receio daquilo que possas vir a sofrer, e por isso vivo sempre preparada para combater o que for preciso na luta pela tua felicidade. E é nisto que as mães são super-heroínas. Estão prontas para o que der e vier.

Por isso, brinca, cresce, sorri, arrisca, petisca e vive sem pressas de ser crescida. Faz as tuas escolhas, aprende as tuas lições, percorre o teu caminho, mas fá-lo em Slow Motion, please.

Eu estarei aqui sempre a amar-te desmesuradamente, pronta para um conforto em forma de abraço, para o sorriso que te anima, para aquela cumplicidade no olhar que só nós entendemos.

Love you baby




Everything I give you all comes back to me