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terça-feira, novembro 26, 2019

Dont Become The Person On The Left

Ontem depois do jantar, estava eu com os mais velhos a arrumar a cozinha.
A Smartieteen a pôr a loiça na máquina e a queixar-se que estava a fazer tudo sozinha, como se tivesse medo de "trabalhar" mais que os outros.
Disse-lhe:
- Estou aqui e o Tim também, não estás a fazer nada sozinha. Mas se estivesses também não era nada que eu já não tivesse feito por vocês.
O Timteen a preparar a sua marmita com as sobras do jantar para o almoço do dia seguinte.
Disse-lhe:
- o que sobrar daquilo que retirares para ti, guarda noutro tupperware para o almoço do pai.
- Ah não, cada um que trate do seu almoço.
- Ok, então amanhã quando eu fizer o jantar vou fazer só para mim, e cada um que trate do seu. Parece-te bem?
Filho, as poucas sobras que deixaste são o almoço do teu pai. Já que estás a preparar o teu, custa-te assim tanto tratar do tupperware do teu pai e guardá-lo no frigorífico juntamente com o teu?
Com muita má-vontade, lá fez o que lhe pedi.
Bem me esforço para lhes ensinar, a ambos, que não custa nada fazer uns pelos outros. É que não custa nada mesmo! Mas estão naquela idade de só arrumar o seu copo, só lavar o seu prato, só limpar o que os obrigam. Não fazem nada por alguém, mesmo que esse alguém seja eu ou o pai, ou até mesmo pela irmã, Maria Limão.
Ambos adultos em idade, mas ambos ainda com taaaaaaaanto para amadurecer.


terça-feira, setembro 17, 2019

Isto de criar filhos é uma aventura

Tenho uma filha na creche e os outros dois na faculdade.
Idades tão diferentes, com necessidades tão díspares que por vezes preciso de fazer um switch on e switch off e transitar a minha mente do modo "mãe-galinha" para o modo "deixa voar".
Com a Maria tenho a preocupação da quantidade de vezes que fez cocó, os períodos de sesta, a introdução dos alimentos sólidos, a alimentação saudável e as alergias, as vacinas e as doenças na creche, o percentil de peso e altura, e as teorias Montessori, apesar de todos os dias ela me deslumbrar com uma aprendizagem nova.
Com os crescidos, já adultos (ahahah, adultos! Meu deus, se eles soubessem o que é ser adulto), o chip muda para as saídas à noite, as amizades, os namoros, o percurso académico, a gestão da mesada, a vontade exagerada de liberdade e independência, as respostas mais tortas e arrogantemente cheias de certezas. A gestão de os empurrar para se fazerem à vida pelo próprio pé e não querer ainda que deixem de precisar de mim tão depressa.
Se para a Maria sou o centro do mundo, para os outros sou a periferia (dói, mas tem de ser).
Com a Maria estou a reviver toda a ansiedade do "ser mãe" com outra maturidade, com outra experiência de vida, mas sempre com o mesmo coração apertado. Não há volta a dar.
Com a Maria tenho a certeza de quem nem sempre vai ser assim e que isto passa num piscar de olhos. Coisa que quando os outros eram pequenos eu sabia porque já me tinham avisado, mas eu ainda não tinha sentido na pele.
Vou aproveitar enquanto esta me puxa as saias e pede colo, enquanto me pede para eu me sentar no chão a brincar com as molas da roupa, enquanto chora e se agarra ao meu pescoço ao entalar o dedo na gaveta, que insiste em mexer apesar de eu já ter dito mil vezes "Não Mexe Aí, Mariiiiiiiiiia".
Isto de criar filhos é uma aventura.



sexta-feira, agosto 30, 2019

Um ano separa estas duas fotos



Um ano separa estas fotos. 

A Maria tinha 2 meses na foto da esquerda, tem 14 meses na da direita. 
Tanta aprendizagem, dela e nossa. Tanta coisa mudou na adaptação dos nossos ritmos à chegada da Maria, e ela a nós.
Para se ir habituando, começou a viajar cedo. Com apenas 4 meses a Maria Limão estreou-se no avião ✈️ até Amesterdão. Repararam na rima? Esta rima deu origem a uma canção que eu inventei e lhe cantava constantemente. Nesta altura a Maria ainda tinha medo de tomar banho de chuveiro, e como a casa de banho do hotel não tinha banheira, tivémos de nos desenrascar a dar-lhe banho no lava-loiça da Kitchenette.  Alojarmo-nos em quartos com kitchenette sempre que viajávamos passou a ser uma prioridade. Andou de avião, metro, autocarro, sempre no seu Conjunto de rua Duo Adventure ZY Safe, no qual passeva e dormia onde e quando calhava. 
Trouxemos as tradicionais socas de madeira no tamanho do pé da MAria, o tamanho 17, imaginem o quão
minúsculas são.



Como na 1ª experiência de viagem a Maria se revelou tão boa companhia, aos 8 meses fomos a Sevilha onde comprámos a máscara de carnaval que a Maria usou no carnaval passado.




Celebrámos os seus 10 meses em Paris, e ainda fomos a tempo de visitar a Notre Dame antes do incéndio que ocorreu uns dias depois.  Estão a ver o metro de Paris? Escada acima, escada abaixo, desce, sobe e torna a descer, com o carrinho ao colo, pois não há elevadores no metro de Paris. às tantas largámos o carrinho no hotel e passámos a andar com ela no marsúpio. Tivémos alturas de parecer pais pela primeira vez, pois tendo o Timteen e a Smartieteen 18 anos, há coisas das quais já não nos lembrávamos, Nesse sentido cometemos alguns erros, como termos perdido o voo em Paris, lembram-se? Burrice nossa, teimosia do pai.




As corridas do pai levaram-nos ainda a Basel em Maio (11 meses), onde aproveitámos para conhecer Estrasburgo e algumas das maravilhosas aldeias da Alsácia. 



Por cá tivemos passeios por Fátima, Porto, Aveiro, Peniche, e as férias de verão em Albufeira e na Zambujeira do Mar (descritas no post de ontem).



Anda connosco para todo o lado. Aventuras atrás de aventuras. Experiências, aprendizagens, adaptações para viajarmos a 3 e muitas vezes a 5 (quando o Timteen e a Smartieteen se juntam a nós).  Mais uma mala com fraldas e toalhitas, a mochila das sopas, iogurtes e frutas em boião, o carrinho de rua, tudo encaixa e tudo se faz se assim tiver de ser. E em breve tudo isso deixará de ser preciso se lhe dermos tempo para crescer. Já não conseguimos é viajar sem ela.

Em todas as viagens uma constante: a música que usamos para adormecer a Maria onde quer que ela esteja. A música que o tio compôs ainda ela estava na minha barriga. A música que ela reconhece, que a acalma e a prepara para o sono da noite, independemente da parte do mundo onde está. Depois de tanta novidade e descoberta, ao fim do dia sabe bem ter algo que nos relembra a nossa casa, algo que nos é familiar. No caso da Maria esse aconchego é a sua música. (cliquem no link para ouvir).

As histórias são como as cerejas e levam-nos a outras histórias. É que o pai bateu o seu recorde na maratona de Amesterdão com o tempo 3h09m55s, atingindo os mínimos para se candidatar à maratona de Boston. Se for apurado, Boston here we go. E muitas mais histórias teremos para contar. 

Possivelmente ela não se vai lembrar de tudo isto, mas fica o tempo de qualidade que passa connosco, fica o pai fazer cada maratona, seja em que país for, sabendo que estamos na meta para o apoiar e fica aqui o registo do primeiro ano da Maria, para ela ver quando for crescida e para vocês irem acompanhando. Continuam a seguir-nos? 




quinta-feira, agosto 29, 2019

Estas férias de Verão

Estas férias foram um pouco atípicas.
Na 1a semana a Maria esteve doente e ficámos por casa.
Na 2ª semana fomos ao Zmar e viemos, fomos ao Algarve e viemos. Foram férias aos bochechos e sem um verão quente a sério. Valeu principalmente por ver a Maria a percorrer tudo, e perceber o quanto ela cresceu nestas férias. Andamos deliciados com o quanto ela desenvolveu neste curto espaço de tempo.
A Maria Limão começou a andar pouco depois de ter feito um ano, e agora ninguém a pára.
Não gosta de estar fechada em casa, pelo que assim que lhe dizemos "Maria, vamos à rua" ela larga o que está a fazer e dirige-se para a porta de casa.
Se connosco ela já é imensamente estimulada pelos irmãos Timteen e Smartieteen, agora imaginem passando férias com uns avós no Alentejo e com os outros avós e primos no Algarve. Bastou sairmos da rotina, creio eu, porque com a mudança aprende-se sempre muito.
Foi nestas férias que teve a sua primeira queda e esfolou a perna esquerda toda, que partiu um copo espetando um vidro no pé, e que aprendeu a beber água do bebedouro do parque. Foi nestas férias que demos conta que percebe grande parte do que lhe dizemos, como por exemplo, se lhe pedirmos para ir pôr a fralda no lixo, lá vai ela toda catita.
Na piscina dos avós dá gargalhas, bate com as mãos na água numa excitação enorme e aventura-se tentando largar-se do colo onde está. Quer andar à solta.
Já reconhece o avô, a avó, e tenta falar deles dizendo e quando os revê nas fotografias.  Sabe onde ficam os quartos dos irmãos, faz birras e pede (colo). Quando está birrenta só quer o colo da mãe. Diz adeus enquanto diz Ádi e manda beijinhos.
Está mais alta e magrinha e já tem 8 dentes.
Adora arroz de toda a maneira e feito, mas ainda tem dificuldade em comer alimentos maiores ou mais sólidos, come toda a espécie de fruta desde que passada.
Continua a preferir a sua chucha mesmo que com 14 meses de uso e não pega em mais nenhuma, é fã dos livros que a avó paterna lhe ofereceu e preferindo-os aos peluches e bonecas. Gosta de legos, mas rapidamente se cansa deles.
Só quer andar, andar, andar para um lado e para o outro. Assim que chega à praia entra pela água dentro, sem medos e sem frios, só quer é ondas, baldes e bolachas. Come bolachas misturadas com areia, desfaz os castelos que lhe fazemos e entorna para cima dela a água que recolhemos com o balde.
Gosta de ser o centro das atenções e se estou ocupada ou distraída ela grita para que eu saiba que está ali. Quando finalmente lhe dou atenção, estende-me um dos seus livrinhos como que a pedir-me para lhe contar a história. Quando lhe devolvo o livro, se o fizer de pernas para o ar, ela vira-o e pega-lhe na posição certa. Não sei como, nem que indícios ela recebe daqueles livros para que perceba que estão ao contrário, mas percebe.
Já teve momentos de chegar ao pé de nós e dizer cócó, e quando vamos verificar tem mesmo a fralda suja. Já tenta repetir algumas palavras, tagarela o dia todo, e aprendeu a pedir bábua (água).
Adora escorregas e já os sobe no sítio por onde é suposto descer, tal qual uma spider-baby, mas não é fã de baloiços. Dá gargalhadas contagiantes quando lhe fazemos cócegas ou jogamos ao "A Maria Não Está Cá".
Vai para a casa de banho quando lhe dizemos que é hora do banho e diferencia os brinquedos da banheira com os quais se entretinha durante horas, se a deixássemos.
Sabe onde ficam os pés, as mãos, a cabeça, o pipi e o nariz. Descobriu o nariz recentemente, e escarafuncha-o com o dedo indicador como se não houvesse amanhã.
Dança quando lhe pomos música do rádio e fica especada a olhar para a televisão com um sorriso de orelha a orelha quando reconhece os seus desenhos animados preferidos. Vibra com tudo o que seja músicas, genéricos e publicidade do Disney Junior e Baby TV.
Quando lhe digo que NÃO ela testa-me uma e outra vez com aquele ar de safada, até o NÂO ser dito aos berros e de olhos arregalados.  Sim, este fedelho de 14 meses sabe o que quer e o que não quer. Nesta fase a sua decisão mais difícil é responder se quer água ou bolacha, mas já diz na na na na quando não quer, e acena que sim com a cabeça em sinal de aprovação.
Ao fim do dia está de rastos e podre de sono, mas mesmo assim liga e desliga a luz de presença da cama de grades até se render ao cansaço.
É irrequieta, teimosa, palhaçona, insatisfeita, espertalhona, faladora, expressiva, doce, refilona e não gosta de ser contrariada.
Tenho sempre a tendência para a comparar com a irmã, que era muito mais tranquila e calminha, chegando a pensar que desta vez o desafio da maternidade vai ser muito maior. Diferente pelo menos está a ser.
Dá trabalho, muito trabalho, e com esta personalidade forte parece-me que me vai dar muita luta, mas não há nada melhor do que estar com ela o dia inteiro, vê-la crescer a este ritmo, desfrutar dela todos os dias e sentir-lhe o cheiro, mesmo que seja a chulé quando lhe descalço as sandálias ao fim do dia. Até isso é maravilhoso nela.
Nunca lhe perguntei, porque não me vai saber responder, mas tenho cá para mim que é uma miúda feliz. Nestas férias pelo menos foi muito feliz. E nós também.






sexta-feira, março 22, 2019

O que se passa com esta geração?

No meu tempo de catraia, tanto eu como os meus colegas, estávamos desejosos de fazer 18 anos para tirar a carta e ter carro. Era a maioridade associada à liberdade do carro, das saídas à noite...
Os meus filhos, ambos com 18 anos, não fazem questão de tirar a carta. Tivémos de ser nós a abordar o assunto. Pior, levámos com a resposta seca e indiferente do "pode ser, se eu tiver tempo para o fazer".
Um deles tem a carta paga desde julho do ano passado e até hoje nunca pôs os pés na escola de condução. Vai ter de lá ir à lei da bala.
O que se passa com esta geração? É culpa nossa que os levámos para todo o lado durante demasiado tempo, até aparecerem os Ubers?