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sexta-feira, fevereiro 28, 2020

Guardar um segredo

Tomei conhecimento, por intermédio de outrem, de um segredo ( mais um) que contaram à Smartieteen e que ela não me revelou. Tem agora 19 anos, mas desde pequenina que assim é. Se lhe pedirmos que guarde segredo de algo, podemos ter a certeza que morrerá com ela.
Fá-lo com tanta naturalidade que por vezes as pessoas pensam que eu já sei de certas coisas, e eu continuo com ar de ignorante e incrédulo.
Fá-lo com a convicção de que é esse o seu dever.
Fá-lo com a certeza de que é uma pedra basilar da amizade.
Há quem o faça, quem saiba guardar um segredo, apenas e só para garantir que tem o outro mão. Para não perder o trunfo de um dia poder chantagear quem lhe pediu segredo, afirmando algures no meio de uma discussão “não te esqueças daquilo que sei acerca de ti”, mas isso é próprio de gente reles e mal formada. Ou melhor, a isso chama-se “filha putice”.
Exactamente o oposto daquilo que faz a pessoa a quem, de peito inchado que nem um pavão, chamo de filha mais velha.
I must have done something good.





sexta-feira, fevereiro 07, 2020

Uma filha com 19 anos e outra com 19 meses


Uma tem 19 anos e a outra 19 meses.
Não se torna a repetir esta coincidência de idades. Quando a Beatriz tiver 20 anos já a Maria tem 31 meses. Aliás, a partir de certa altura chega a ser ridículo continuar a contar meses, pelo que terá simplesmente 2 anos.
Estou numa fase fantástica da minha vida. A viver coisas maravilhosas com ambas.
A Beatriz entrou este ano na faculdade de psicologia, está a tirar a carta, ontem foi ao picar o ponto e fazer figura de corpo presente no Dia da Defesa Nacional. Está a largar-me as saias aos poucos. Está sempre contra mim, apesar de continuar a pedir a minha opinião e de partilhar comigo os seus gostos. Musicais principalmente.
Já com a Maria estou na fase da descoberta diária, na fase de me chamar para tudo (mãe , mãe , mãe a toda a hora) na fase de ela nos espantar com o seu vocabulário e crescimento, Estou na fase dos projectos para a creche em materiais recicláveis, na fase do largar a chucha e a fralda, na fase do colinho para dormir e da explosão de alegria e uma recepção calorosa sempre que meto a chave à porta.
Estou tão grata à vida por me permitir viver estas duas fases tão distintas da maternidade, por absorver cada gesto destas duas criaturas que, apesar de terem idades tão dispares, projectam em mim a figura do porto de abrigo, da força, o melhor remédio para todas as maleitas, a heroína sem capa, rainha sem coroa.
Sinto-me dona de um amor reciclado, renovado em cada amanhecer e nunca desperdiçado. Dar amor, mimo e colo nunca é um desperdiço. Seja em que idade for. Quando fui mãe aos 25 não tive a noção da velocidade abismal a que tudo isto passa. Carregamos tanta incerteza e ansiedade que nos focamos mais nos medos do que nas coisas boas.
Na primeira vez, somos mais mães do será que anda a comer o suficiente?, será que a posso levar à rua?, será que não vai ficar doente? E quando damos por isso está a gatinhar, a andar, a entrar para a escola, a sair com os amigos e a viajar sozinha. E a infância foi-se.
Agora que fui mãe aos 42, já estava preparada para sugar ao máximo a Maria Limão e tento fazê-lo mais e mais todos os dias. Quero apertá-la ainda mais, dar-lhe ainda mais colo, chegar a casa mais cedo, sentar-me mais vezes no chão, estar cada dia mais disponível.
Quero Mais, para ambas!
É que parecendo que não, estas idades passam e não voltam mais.






terça-feira, novembro 26, 2019

É que isto passa num piscar de olhos

Esta foto não é de hoje. 
Hoje, desde que o pai a foi buscar à escola e deu um pulinho com ela no supermercado antes de vir para casa, não houve tempo para brincadeiras e muito menos para fotografias ou filmagens. Estava chatinha, birrenta, chorosa, podre de sono. Foi dar-lhe o jantar, o banho e metê-la na cama. Despediu-se de todos, excepto do mano Timteen que ainda nem tinha chegado a casa da faculdade quando a deitámos. 
Estava tão cansada que assim que foi para a cama, virou-se de barriga para baixo, rabinho para o ar e nem mais um pio. 
É nestas alturas que penso no tempo que estive no escritório e que não a aproveitei. É nestes dias que penso que hoje foi um dia perdido, pois cada dia que passa em que não brincamos é um dia perdido. Só por causa disso amanhã vou tentar chegar a casa mais cedo, vou-lhe comprar umas galochas e chapinhar com ela nas poças de água. Da maneira que gosta de correr e andar ao ar livre, não tenho dúvidas que vai adorar. 
É que isto passa num piscar de olhos.


Dont Become The Person On The Left

Ontem depois do jantar, estava eu com os mais velhos a arrumar a cozinha.
A Smartieteen a pôr a loiça na máquina e a queixar-se que estava a fazer tudo sozinha, como se tivesse medo de "trabalhar" mais que os outros.
Disse-lhe:
- Estou aqui e o Tim também, não estás a fazer nada sozinha. Mas se estivesses também não era nada que eu já não tivesse feito por vocês.
O Timteen a preparar a sua marmita com as sobras do jantar para o almoço do dia seguinte.
Disse-lhe:
- o que sobrar daquilo que retirares para ti, guarda noutro tupperware para o almoço do pai.
- Ah não, cada um que trate do seu almoço.
- Ok, então amanhã quando eu fizer o jantar vou fazer só para mim, e cada um que trate do seu. Parece-te bem?
Filho, as poucas sobras que deixaste são o almoço do teu pai. Já que estás a preparar o teu, custa-te assim tanto tratar do tupperware do teu pai e guardá-lo no frigorífico juntamente com o teu?
Com muita má-vontade, lá fez o que lhe pedi.
Bem me esforço para lhes ensinar, a ambos, que não custa nada fazer uns pelos outros. É que não custa nada mesmo! Mas estão naquela idade de só arrumar o seu copo, só lavar o seu prato, só limpar o que os obrigam. Não fazem nada por alguém, mesmo que esse alguém seja eu ou o pai, ou até mesmo pela irmã, Maria Limão.
Ambos adultos em idade, mas ambos ainda com taaaaaaaanto para amadurecer.


segunda-feira, novembro 18, 2019

Para quem pensa que a recuperação pós-parto é fácil ...não é!

Partilhei ontem no Facebook e no Instagram da Limonada a medalha que recebi após concluir a Corrida Dom Dinis, mas o que vocês não sabem é o significado gigante que esta prova teve para mim. 
Decidi abordar o tema em pormenor, pois acredito que possa ajudar outras mulheres com o mesmo problema.
Eu já tinha feito algumas corridas antes de ficar grávida da Maria, e andava nessa altura com aquele bichinho de tentar fazer sempre mais e melhor. Estava a fazer 10kms em 55minutos, o que eu nunca pensei ser possível quando me iniciei neste gosto pelas corridas.
Durante a gravidez continuei a fazer o meu step até às 38 semanas, fazia uns treinos de corrida leves, mas provas não fiz. 
Depois do parto e naqueles meses em que estive com ela em casa e a amamentar não tinha forças nem para me manter acordada durante o dia, quanto mais ir correr. 
Quando as noites passaram a ser mais tranquilas e comecei a recuperar energias, voltei ao meu adorado step coreografado e aos poucos tentei voltar às corridas, mas assim que comecei a correr os primeiros quilómetros apercebi-me que algo não estava bem. 
Por mais que evitasse beber líquidos e por mais vezes que fosse ao wc antes de começar a correr, quando começava uma prova era impossível controlar. Ainda me inscrevi em duas provas, mas o descontrolo e o incómodo foram tais que me deixei disso, e pensei seriamente que nunca mais voltaria a correr na vida. 
Curiosamente no meu dia-a-dia nada disto acontecia (nem sequer no step), mas em corrida algo de incontrolável se passava. Assim como quem dá um espirro e deita umas piguinhas sem querer. Pois, só que correr 10kms não é um espirro.
A corrida em que efectivamente percebi que precisava de fazer algo mais foi a Corrida de Santo António, a minha Corrida predilecta, a Corrida do Santo da minha Maria Limão (nascida a 13 de junho), a Corrida onde bati o meu record pessoal, a Corrida da minha cidade. Começou a minha luta logo ao km 2 e ainda faltavam 8kms. Um desconforto imenso, um esforço hercúleo para não urinar. 
Não correu bem, posso dizer-vos! 

Decidi falar com a minha médica de família que me deu três possibilidades dependendo do grau de gravidade da minha Incontinência Pós-Parto:
1- não sendo ainda uma situação grave, e tratando-se de um parto recente, podíamos começar com exercícios específicos durante 10 minutos por dia. 
2- se a primeira fase não resultasse, avançávamos para a fisioterapia.
3- se essa também não fosse a solução, restava-me a Cirurgia. 



"A incontinência urinária no pós-parto caracteriza-se por perdas involuntárias de urina nas mulheres que foram mães, devido a alterações do pavimento pélvico, que suporta a bexiga e controla os esfíncteres. Essas alterações dificultam o controlo da micção e levam a perdas involuntárias de urina. As perdas urinárias acontecem com ações simples do dia a dia, como tossir, espirrar, rir ou baixar-se para apanhar um objeto." 


No meu caso era quando tossia ou espirrava (o que não é frequente nem abundante), mas principalmente quando corria, pelo que precisava mesmo de começar a trabalhar para alterar este cenário.
Os exercícios em causa têm o nome de Exercícios de Kegel e basta fazer uma pesquisa simples no Google para os encontrar, mas posso recomendar este site da CUF para uma abordagem inicial.

Mas também existem outros exercícios que se podem fazer como por exemplo, colocar uma almofada entre as pernas e apertar, contraindo também toda a zona pélvica.

Ora a minha grande conquista na corrida de ontem foi exactamente esta. Pela primeira vez, após alguns meses destes exercícios e treinos de corrida na passadeira, fiz a minha primeira prova. 
Pouco me importava o tempo que demoraria a concluir o percurso. Não fui para tempos, não fui para records. Fui para tentar concluir a prova sem um único pingo,  e consegui. Verdade seja dita que não bebi uma gota de água durante a prova, para não correr o risco, mas esse será o próximo passo. Passinhos curtos para atingir grandes conquistas.

Se eu podia simplesmente ter deixado de correr, uma vez que era a única actividade em que isto me acontecia?  Podia, mas ia ser forçada a deixar de fazer algo que gosto quando é uma coisa que até tem solução. Dá trabalho, é preciso empenho, mas é possível resolver. O meu pânico era pensar que se aos 44 já era assim, daqui por uns anos seria bem pior, porque a tendência é para piorar com a idade. 

Se ficou resolvido de vez? Estou certa que não. Este problema pode durar anos após o nascimento do bebé, pelo que os exercícios não são para fazer apenas antes e imediatamente após o parto, não são para fazer quando há sintomas, são para fazer parte do dia-a-dia. Têm de passar a ser uma rotina. 

Para quem pensa que a recuperação pós-parto é fácil, não é! Não são só os primeiros meses, não são só os pontos, não é só recuperar o peso e a queda de cabelo. Isso é o de menos. A gravidez e o parto deixam marcas para o resto da vida. Que o digam as hemorróidas com que a minha primogénita me presenteou há 18 anos. 
Só não vale é desleixarmo-nos e conformarmo-nos com as mazelas. Se houver algo a fazer para resolver o assunto é tentar tudo. Aceitar o perder qualidade de vida é que não! 

 Citações retiradas do site CUF.








terça-feira, outubro 22, 2019

Momentos que nos marcam para sempre

Longe vão as noites em que ambas estávamos acordadas de duas em duas horas, enquanto o pai e os manos dormiam profundamente. Nessas noites o meu instinto de lhe dar de mamar era automático, pois tudo o que eu queria era que ela voltasse a dormir. E chegámos a adormecer as duas naquela posição de amamentar.
Agora, tirando quando está doente, as noites têm sido relativamente tranquilas. Dou-lhe o biberon antes de me deitar e depois levanto-me uma /duas vezes a meio da noite quando ela tem o sono mais agitado para a cobrir com o edredon, porque o rebuliço é tal que se não fossem as minhas longas e dolorosas deslocações entre o meu quarto e o dela, ela passava a noite destapada.
Quando não acorda ou não se mexe como habitualmente, sou eu que lá vou espreitar se está tudo bem (silly me).
Talvez por ser sempre esta figura que está presente todas as noites desde que lhe dei vida, é o meu nome que ela repete o dia inteiro. Dia ou noite. E seja a que hora for eu estou lá.
É mãe que ela diz repetidamente assim que acorda pela manhã e que só se cala quando eu entro no quarto.
É mãe que ela chama para pedir colo quando se magoa.
É mãe que ela repete para pedir "titinho" quando lhe dá a fome de madrugada.
É a mãe que ela procura pela casa toda, quando eu ando nas minhas lides e de repente lhe bate a saudade, no intervalo dos desenhos animados.
Anda sempre à minha volta, e por isso não é difícil apanhá-la a "arrumar" a despensa, a tirar a roupa do cesto e a colocar na máquina de lavar com muito jeitinho, ou até entretida a brincar com a esfregona.
Ultimamente, quando se deita não é nenhum dos peluches que tem ao fundo da cama que ela quer para aquele aconchego de adormecer. É a mão da mãe.
- queres a coelha bailarina?
- mãe
- queres o piglet?
- mãe
- queres a ovelha?
- mãe.
- ok, queres a mãe. Então deita-te que eu dou-te a mão e fico aqui até adormeceres.
Quando começo a ficar com o braço dormente tento esgueirar-me, mas ela aperta ainda mais a minha mão e não me deixa ir. E repete, a mãaaaae!
Quando finalmente adormece e me liberto, dou-lhe um beijo de boa noite e penso que, apesar de há muito eu não ter uma noite de dormir 8 horas seguidas, esta ligação é fundamental. Para ela e para mim. Estes momentos ninguém nos tira, e são estes momentos que nos marcam para sempre.
Penso que tê-la foi uma das melhores decisões da minha vida. Penso na alegria que ela trouxe a todos nesta casa. Penso no milagre da natureza e na sorte de ela ter vindo assim saudável e perfeita. Penso na magia que ela trouxe à minha vida e que nem nos meus melhores sonhos eu imaginava voltar a ter um amor assim.
Amor de Mãe.




terça-feira, setembro 17, 2019

Isto de criar filhos é uma aventura

Tenho uma filha na creche e os outros dois na faculdade.
Idades tão diferentes, com necessidades tão díspares que por vezes preciso de fazer um switch on e switch off e transitar a minha mente do modo "mãe-galinha" para o modo "deixa voar".
Com a Maria tenho a preocupação da quantidade de vezes que fez cocó, os períodos de sesta, a introdução dos alimentos sólidos, a alimentação saudável e as alergias, as vacinas e as doenças na creche, o percentil de peso e altura, e as teorias Montessori, apesar de todos os dias ela me deslumbrar com uma aprendizagem nova.
Com os crescidos, já adultos (ahahah, adultos! Meu deus, se eles soubessem o que é ser adulto), o chip muda para as saídas à noite, as amizades, os namoros, o percurso académico, a gestão da mesada, a vontade exagerada de liberdade e independência, as respostas mais tortas e arrogantemente cheias de certezas. A gestão de os empurrar para se fazerem à vida pelo próprio pé e não querer ainda que deixem de precisar de mim tão depressa.
Se para a Maria sou o centro do mundo, para os outros sou a periferia (dói, mas tem de ser).
Com a Maria estou a reviver toda a ansiedade do "ser mãe" com outra maturidade, com outra experiência de vida, mas sempre com o mesmo coração apertado. Não há volta a dar.
Com a Maria tenho a certeza de quem nem sempre vai ser assim e que isto passa num piscar de olhos. Coisa que quando os outros eram pequenos eu sabia porque já me tinham avisado, mas eu ainda não tinha sentido na pele.
Vou aproveitar enquanto esta me puxa as saias e pede colo, enquanto me pede para eu me sentar no chão a brincar com as molas da roupa, enquanto chora e se agarra ao meu pescoço ao entalar o dedo na gaveta, que insiste em mexer apesar de eu já ter dito mil vezes "Não Mexe Aí, Mariiiiiiiiiia".
Isto de criar filhos é uma aventura.



quinta-feira, setembro 05, 2019

Antes da ida para a creche

Hoje, antes da ida para a creche, ainda houve tempo para cuspo em frente ao espelho. 
Houve beijinho na Maria, beijinho na mamã.
Houve brincadeiras com o carrinho (espero que os vizinhos já tenham as miúdas na escola).
Houve gargalhadas, palhaçadas e abracinhos.
Ela ri desmesuradamente até os olhos sorrirem com ela, e eu também.
Ela fica melhor na escola, e eu venho trabalhar de coração cheio.





sexta-feira, agosto 30, 2019

Um ano separa estas duas fotos



Um ano separa estas fotos. 

A Maria tinha 2 meses na foto da esquerda, tem 14 meses na da direita. 
Tanta aprendizagem, dela e nossa. Tanta coisa mudou na adaptação dos nossos ritmos à chegada da Maria, e ela a nós.
Para se ir habituando, começou a viajar cedo. Com apenas 4 meses a Maria Limão estreou-se no avião ✈️ até Amesterdão. Repararam na rima? Esta rima deu origem a uma canção que eu inventei e lhe cantava constantemente. Nesta altura a Maria ainda tinha medo de tomar banho de chuveiro, e como a casa de banho do hotel não tinha banheira, tivémos de nos desenrascar a dar-lhe banho no lava-loiça da Kitchenette.  Alojarmo-nos em quartos com kitchenette sempre que viajávamos passou a ser uma prioridade. Andou de avião, metro, autocarro, sempre no seu Conjunto de rua Duo Adventure ZY Safe, no qual passeva e dormia onde e quando calhava. 
Trouxemos as tradicionais socas de madeira no tamanho do pé da MAria, o tamanho 17, imaginem o quão
minúsculas são.



Como na 1ª experiência de viagem a Maria se revelou tão boa companhia, aos 8 meses fomos a Sevilha onde comprámos a máscara de carnaval que a Maria usou no carnaval passado.




Celebrámos os seus 10 meses em Paris, e ainda fomos a tempo de visitar a Notre Dame antes do incéndio que ocorreu uns dias depois.  Estão a ver o metro de Paris? Escada acima, escada abaixo, desce, sobe e torna a descer, com o carrinho ao colo, pois não há elevadores no metro de Paris. às tantas largámos o carrinho no hotel e passámos a andar com ela no marsúpio. Tivémos alturas de parecer pais pela primeira vez, pois tendo o Timteen e a Smartieteen 18 anos, há coisas das quais já não nos lembrávamos, Nesse sentido cometemos alguns erros, como termos perdido o voo em Paris, lembram-se? Burrice nossa, teimosia do pai.




As corridas do pai levaram-nos ainda a Basel em Maio (11 meses), onde aproveitámos para conhecer Estrasburgo e algumas das maravilhosas aldeias da Alsácia. 



Por cá tivemos passeios por Fátima, Porto, Aveiro, Peniche, e as férias de verão em Albufeira e na Zambujeira do Mar (descritas no post de ontem).



Anda connosco para todo o lado. Aventuras atrás de aventuras. Experiências, aprendizagens, adaptações para viajarmos a 3 e muitas vezes a 5 (quando o Timteen e a Smartieteen se juntam a nós).  Mais uma mala com fraldas e toalhitas, a mochila das sopas, iogurtes e frutas em boião, o carrinho de rua, tudo encaixa e tudo se faz se assim tiver de ser. E em breve tudo isso deixará de ser preciso se lhe dermos tempo para crescer. Já não conseguimos é viajar sem ela.

Em todas as viagens uma constante: a música que usamos para adormecer a Maria onde quer que ela esteja. A música que o tio compôs ainda ela estava na minha barriga. A música que ela reconhece, que a acalma e a prepara para o sono da noite, independemente da parte do mundo onde está. Depois de tanta novidade e descoberta, ao fim do dia sabe bem ter algo que nos relembra a nossa casa, algo que nos é familiar. No caso da Maria esse aconchego é a sua música. (cliquem no link para ouvir).

As histórias são como as cerejas e levam-nos a outras histórias. É que o pai bateu o seu recorde na maratona de Amesterdão com o tempo 3h09m55s, atingindo os mínimos para se candidatar à maratona de Boston. Se for apurado, Boston here we go. E muitas mais histórias teremos para contar. 

Possivelmente ela não se vai lembrar de tudo isto, mas fica o tempo de qualidade que passa connosco, fica o pai fazer cada maratona, seja em que país for, sabendo que estamos na meta para o apoiar e fica aqui o registo do primeiro ano da Maria, para ela ver quando for crescida e para vocês irem acompanhando. Continuam a seguir-nos? 




quinta-feira, agosto 29, 2019

Estas férias de Verão

Estas férias foram um pouco atípicas.
Na 1a semana a Maria esteve doente e ficámos por casa.
Na 2ª semana fomos ao Zmar e viemos, fomos ao Algarve e viemos. Foram férias aos bochechos e sem um verão quente a sério. Valeu principalmente por ver a Maria a percorrer tudo, e perceber o quanto ela cresceu nestas férias. Andamos deliciados com o quanto ela desenvolveu neste curto espaço de tempo.
A Maria Limão começou a andar pouco depois de ter feito um ano, e agora ninguém a pára.
Não gosta de estar fechada em casa, pelo que assim que lhe dizemos "Maria, vamos à rua" ela larga o que está a fazer e dirige-se para a porta de casa.
Se connosco ela já é imensamente estimulada pelos irmãos Timteen e Smartieteen, agora imaginem passando férias com uns avós no Alentejo e com os outros avós e primos no Algarve. Bastou sairmos da rotina, creio eu, porque com a mudança aprende-se sempre muito.
Foi nestas férias que teve a sua primeira queda e esfolou a perna esquerda toda, que partiu um copo espetando um vidro no pé, e que aprendeu a beber água do bebedouro do parque. Foi nestas férias que demos conta que percebe grande parte do que lhe dizemos, como por exemplo, se lhe pedirmos para ir pôr a fralda no lixo, lá vai ela toda catita.
Na piscina dos avós dá gargalhas, bate com as mãos na água numa excitação enorme e aventura-se tentando largar-se do colo onde está. Quer andar à solta.
Já reconhece o avô, a avó, e tenta falar deles dizendo bô e bó quando os revê nas fotografias.  Sabe onde ficam os quartos dos irmãos, faz birras e pede cô (colo). Quando está birrenta só quer o colo da mãe. Diz adeus enquanto diz Ádi e manda beijinhos.
Está mais alta e magrinha e já tem 8 dentes.
Adora arroz de toda a maneira e feito, mas ainda tem dificuldade em comer alimentos maiores ou mais sólidos, come toda a espécie de fruta desde que passada.
Continua a preferir a sua chucha mesmo que com 14 meses de uso e não pega em mais nenhuma, é fã dos livros que a avó paterna lhe ofereceu e preferindo-os aos peluches e bonecas. Gosta de legos, mas rapidamente se cansa deles.
Só quer andar, andar, andar para um lado e para o outro. Assim que chega à praia entra pela água dentro, sem medos e sem frios, só quer é ondas, baldes e bolachas. Come bolachas misturadas com areia, desfaz os castelos que lhe fazemos e entorna para cima dela a água que recolhemos com o balde.
Gosta de ser o centro das atenções e se estou ocupada ou distraída ela grita para que eu saiba que está ali. Quando finalmente lhe dou atenção, estende-me um dos seus livrinhos como que a pedir-me para lhe contar a história. Quando lhe devolvo o livro, se o fizer de pernas para o ar, ela vira-o e pega-lhe na posição certa. Não sei como, nem que indícios ela recebe daqueles livros para que perceba que estão ao contrário, mas percebe.
Já teve momentos de chegar ao pé de nós e dizer cócó, e quando vamos verificar tem mesmo a fralda suja. Já tenta repetir algumas palavras, tagarela o dia todo, e aprendeu a pedir bábua (água).
Adora escorregas e já os sobe no sítio por onde é suposto descer, tal qual uma spider-baby, mas não é fã de baloiços. Dá gargalhadas contagiantes quando lhe fazemos cócegas ou jogamos ao "A Maria Não Está Cá".
Vai para a casa de banho quando lhe dizemos que é hora do banho e diferencia os brinquedos da banheira com os quais se entretinha durante horas, se a deixássemos.
Sabe onde ficam os pés, as mãos, a cabeça, o pipi e o nariz. Descobriu o nariz recentemente, e escarafuncha-o com o dedo indicador como se não houvesse amanhã.
Dança quando lhe pomos música do rádio e fica especada a olhar para a televisão com um sorriso de orelha a orelha quando reconhece os seus desenhos animados preferidos. Vibra com tudo o que seja músicas, genéricos e publicidade do Disney Junior e Baby TV.
Quando lhe digo que NÃO ela testa-me uma e outra vez com aquele ar de safada, até o NÂO ser dito aos berros e de olhos arregalados.  Sim, este fedelho de 14 meses sabe o que quer e o que não quer. Nesta fase a sua decisão mais difícil é responder se quer água ou bolacha, mas já diz na na na na quando não quer, e acena que sim com a cabeça em sinal de aprovação.
Ao fim do dia está de rastos e podre de sono, mas mesmo assim liga e desliga a luz de presença da cama de grades até se render ao cansaço.
É irrequieta, teimosa, palhaçona, insatisfeita, espertalhona, faladora, expressiva, doce, refilona e não gosta de ser contrariada.
Tenho sempre a tendência para a comparar com a irmã, que era muito mais tranquila e calminha, chegando a pensar que desta vez o desafio da maternidade vai ser muito maior. Diferente pelo menos está a ser.
Dá trabalho, muito trabalho, e com esta personalidade forte parece-me que me vai dar muita luta, mas não há nada melhor do que estar com ela o dia inteiro, vê-la crescer a este ritmo, desfrutar dela todos os dias e sentir-lhe o cheiro, mesmo que seja a chulé quando lhe descalço as sandálias ao fim do dia. Até isso é maravilhoso nela.
Nunca lhe perguntei, porque não me vai saber responder, mas tenho cá para mim que é uma miúda feliz. Nestas férias pelo menos foi muito feliz. E nós também.






segunda-feira, agosto 19, 2019

Há sempre duas maneiras de vermos as coisas

Voltei hoje ao trabalho e a Maria à creche. Como mãe-galinha que sou acabei de ligar para saber como ela tem estado esta manhã.
Disseram-me:
- choramingou um bocadinho, mas almoçou bem e agora está a dormir. É normal, esteve com os pais estes dias todos, Quando eles voltam choramingam sempre um bocadinho.
- Pois, eu já imaginava, ela tem andado estas férias muito colada a mim, só quer o meu colo, não dorme sozinha, só quer estar agarrada ao meu pescoço. Ainda esta madrugada tive de a ir buscar ao seu quarto, levá-la para a nossa cama e ela só adormeceu novamente agarrada a mim. (Eu a lamentar-me pesarosamente da minha noite mal-dormida)
Do outro lado, respondem-me:
- Aproveite, mãe. Aproveite esses mimos que isso passa num instante.
Há sempre duas maneiras de vermos as coisas. Em vez de me lamentar por ter tido o meu sono interrompido às 5 da manhã, eu tenho mesmo é de absorver tanto carinho e este amor imenso.
Certo?

sexta-feira, julho 12, 2019

Colinho? Hoje e sempre

Tenham a idade que tiverem: colinho sempre!
Eu até tenho em casa um cadeirão igual a este, calha bem.

Via Oh Mamã












segunda-feira, julho 08, 2019

Sinto-me novamente com 25 anos

Já me têm perguntado se a Maria Limão veio a este mundo por acidente, ou se foi uma escolha.
Ser mãe aos 42 anos depois de ter uma filha já com 17 anos, foi efectivamente uma escolha. Uma das melhores decisões da minha vida.
Quem segue o blogue há algum tempo sabe que a nossa ida às Maldivas 🇲🇻 levou-nos a planearmos o nosso casamento. Foi deitada nas areias de uma ilha no Índico que fui pedida em casamento. Ora, com a vontade de casar veio a vontade de termos um filho, ao fim de 9 anos relacionamento. Foi lá que decidimos que iríamos tentar. Nós tentámos, a natureza quis e a Maria nasceu.
Desde que fiquei grávida que me chamam de atrevida, aventureira, corajosa.
Não me identifico com nenhum desses adjectivos. Sinto antes que sou uma sortuda. Sou uma sortuda por ter conseguido engravidar (dois meses depois de um aborto espontâneo), por a gravidez ter corrido às mil maravilhas permitindo-me continuar com o meu step, por olhar para a Maria e achar que ela é perfeita. Sortuda pela saúde que a tem acompanhado, sortuda por estar a viver novamente a maternidade como se fosse a primeira vez.
Também já me têm perguntado se tenho a mesma paciência que tive quando a Smartieteen nasceu. A mesma paciência para as brincadeiras, para as idas aos parques, e eu penso “Então não tenho paciência? Como não ter?  Há lá coisa melhor do que fazer um filho feliz?”
Há lá coisa melhor do que levá-la aos escorregas e fazê-la gargalhar de alegria? Há lá coisa melhor do que vê-la a aprender todos os dias uma coisa nova?
Esta tarde foi a festa de fim de ano da creche da Maria. Sabem aquelas festas em que nos babamos todos só de vermos os nossos filhos no palco? Em que filmamos cada segundo para mais tarde recordar?
Hoje senti-me novamente com 25 anos. Como se estivesse a assistir a estas festas pela primeira vez. A maternidade renascida e vivida como se fosse a primeira vez.
Por ela subi ao palco e dancei em frente a dezenas de pessoas. Por ela deito-me no chão a brincar, jogo à bola, volto a andar descalça na relva, dou mergulhos na água gelada da praia, deslizo no escorrega, ando de baloiço, faço caretas e ponho a língua de fora 😛 . Por ela tudo! Tal como fiz com a Smartieteen. Com a mesma vontade de fazer parte da sua vida e de lhe criar memórias.
Se isto é ser aventureira e corajosa, então eu sou.
Para mim isto é só ser mãe.


terça-feira, junho 25, 2019

A primeira palavra da Maria não foi Mamã

A primeira palavra da Maria não foi Mãe nem Pai. A primeira palavra da Maria foi "TÊEEEEES", enquanto se preparava para deslizar no escorrega do Parque perto da nossa casa, na sexta-feira 14 de Junho, depois de sair da creche, enquanto eu contava "UM, DOIS, TRÊS".  A partir daí passou a repetir o TÊEEES sempre que fazemos a contagem.

A segunda palavra da Maria também não foi Mãe nem Pai. A segunda palavra da Maria foi "Táquiiiii". Quando lhe perguntamos "Onde está o patinho (o gato, a mãe, o piriquito)?"  Ela faz um brilharete ao responder Táqui enquanto nos mostra o objecto/pessoa que pedimos para identificar.

Apesar da nossa insistência diária, dizer "Mamã" e/ou "Papá" vai ser só quando ela quiser, e não quando nós queremos. Como aliás, acredito que deverá ser tudo na vida dela. Isto é só a XoDona Maria a deixar o aviso aos pais.






terça-feira, junho 18, 2019

Baptizado da Maria Limão

Este Domingo foi o dia do baptizado da Maria. 
Foi um dia de amor, sorrisos rasgados, abraços prolongados e emoções fortes. 
Foi dia de partilha com as pessoas que amamos e que nos fazem felizes. 
Esqueci o telemóvel. Não tirei uma única foto (o fotógrafo estava lá para isso).
Não filmei um segundo. 
Vivi.
Vivi este dia em pleno. Como ele merecia ser vivido.
Isto é Limonada da Vida! 



Foi um dia muito feliz com a enorme ajuda de todos os que nos honraram com a sua presença e com o excelente trabalho da equipa da Quinta D'Ouressa. 












sexta-feira, junho 14, 2019

Um ano que passou num piscar de olhos




Um ano que passou num piscar de olhos, como tudo na vida que se vive intensamente e com alegria. 
Parabéns 🎊🎉🎈Filhota! 
É tão bom ter-te nas nossas vidas

quarta-feira, junho 12, 2019

Amanhã é o 1º aniversário da Maria.


Amanhã é o 1º aniversário da Maria.

O dia do nascimento de um filho é sempre uma data que nos marca para a vida.Mas a mim acontece-me algo mais do que relembrar o nascimento, e o momento em que as vi pela primeira vez.
Sempre me aconteceu com a Smartieteen, e agora com a Maria Limão também. No dia anterior relembro e revivo nos meus pensamentos o que estava a fazer a esta ou aquela hora.
Sei o que estava a fazer quando foi hora de ir para o hospital, a que horas foi, como fiquei internada e porquê, as pessoas para quem liguei a avisar que tinha chegado a hora, etc.
Numa rebentaram-se a águas em casa, na outra os médicos tiveram de as rebentar já no hospital. De uma levei pontos até à lua, da outra não tive um único ponto.
De ambas tive a sensação de um amor imenso, de um amor que apetece dar mesmo que dali não venha retorno, porque são bebés e não sabem retribuir, mas também porque não interessa se eles nos amam ou não. Nós mães sabemos que sim, mas mesmo que não amassem, nós iríamos amá-los sempre e para sempre.
Amanhã a Maria faz um ano e eu tenho estado o dia inteiro a reviver este meu dia há um ano. As dores, as diferentes fases do parto, a bem dita e tão desejada epidural, a força que ela fazia para nascer e eu a ter de a aguentar por mais uns minutos até fazer a dilatação toda, a vontade de lhe ver o seu rosto, a emoção do pai, o querer tê-la nos meus braços e nunca mais era hora.
A relembrar o momento em que decidimos lançar-nos nesta aventura de ter mais um filho quando o Timteen e a Smartieteen ja tinham ambos 17 anos. A sentir que foi das melhores escolhas da minha vida. Das nossas vidas.
Amanhã a Maria faz um ano e eu já estou a festejar.

quinta-feira, maio 02, 2019

Os teus sonhos também vão mudar, Smartieteen!

Este blogue gira muito à volta das coisas que nos fazem bem, que nos refrescam a vida. Ora realizar um sonho é obviamente uma dessas coisas. Realizar um sonho é Limonada da Vida. E os nossos sonhos, concretizáveis ou não, vão mudando com a passagem do tempo e com a nossa idade.

Neste fim de semana, a Smartieteen esteve em Milão a realizar o actual sonho da sua vida: conhecer a protagonista da série da Netflix "Reign", a actriz Adelaide Kane.

Bastou para tal comprar entradas para a Convenção da série. Teve a sorte de no mesmo fim de semana, também em Milão, decorrer a Convenção de Once Upon a Time, onde pode estar ao vivo e a cores com a Evil Queen, Lana Parrila, e outros protagonistas.

Ora apesar de ter passado por momentos indescritivelmente felizes, a Smartieteen chegou de Milão triste e pensativa. Aquele sonho pelo qual aguardou cerca de um ano já tinha passado. Acabou! Nunca mais na vida ela ia reencontrar-se com aquele grupo de actores e actrizes. Restava-lhe continuar a segui-los nas redes sociais.

Fiz o meu papel de mãe, e disse-lhe aquela frase muito motivaconal e inspiradora do "não fiques triste porque acabou, fica feliz porque aconteceu", mas não serviu de muito.

Ontem, estava eu nas minhas lides de casa, e de repente a Smartieteen entra na cozinha histérica de alegria. Durante a convenção, ela tinha pedido à Adelaide Kane para a mencionar no seu Insta Stories, nunca pensando que ela o fizesse. Mas fez o pedido na mesma com um cartaz todo catita. Talvez pela originalidade do pedido da Smartieteen, a actriz cumpriu o prometido e partilhou a foto dela no seu Instagram:



Não imaginam a euforia dela. Estava a ver que a miúda tinha um ataque cardíaco. Com a partilha da actriz, começaram a surgir dezenas de novos seguidores da sua conta AdelaideKanePortugal e ela em êxtase com tudo aquilo.

Fiquei a pensar nesta alegria imensa dela, e de repente tive uma epifania. Desde cedo que a Smartieteen tem sonhos, e felizmente a maior parte deles foram concretizados.

Quando era pequenina, o sonho dela era ver a Floribella ao vivo. Levei-a. Mais tarde, já seguidora da Hanna Montana/Miley Cyrus realizei-lhe o sonho de a ir ver em concerto no Rock in Rio. Depois seguiu-se a febre dos One Direction. Fomos de propósito ao Porto, só para ela os ver.
Ah, e o Shawn Mendes também, com direito a Meet and Greet e tudo!
O Harry Styles, em Amesterdão.
E agora, a sua Adelaide Kane.

Já passava da meia-noite, mas fui ao quarto da Smartieteen e disse-lhe:

- tu és uma sortuda danada, sabias? Tens tido a possibilidade de ver ao vivo todos os teus ídolos, mas mais do que isso tiveste a enorme felicidade de conhecer, abraçar, beijar, tirar fotos, falar com a Adelaide Kane. Por isso, mais do que estares feliz, mais do que agradeceres ao teu pai pela viagem que te proporcionou, mais do que partilhares em todas as redes sociais e mais alguma este momento, eterniza-o! 
- Como assim, mãe?
- Escreve no teu livro de memórias ou no teu Diário a experiência fantástica que tiveste. Torna este momento eterno partilhando-o com a Smartieteen que o irá ler daqui a 30 ou 40 anos, e só assim o ele será eterno para ti própria. Quando tiveres a minha idade e releres o que for escrito agora, vais lembrar o quanto foste feliz neste momento.  
- Achas mãe?
- Sabes, eu nunca tive essa oportunidade. Eu não tive tanta sorte, ou então fui eu que não soube escolher o meu ídolo. Eu era fã de uma lenda que já não era viva, o Elvis Presley. Tinha de me contentar com o poster que tinha pendurado na parede do quarto. Lembro-me de chorar à noite na cama só de pensar que nunca na vida iria ter a oportunidade de o ver em concerto, quanto mais de o conhecer pessoalmente.
Mas tu tiveste essa sorte! De cada vez que te bater a saudade da Adelaide Kane e te sentires triste porque nunca mais a vais ver, lê o que escreveste. Tenho a certeza que te vais sentir muito melhor. Daqui por uns anos vais ter outros objectivos, outros sonhos e, se deus quiser, vais concretizá-los, ou não! Vais-te apaixonar, casar, querer ser mãe, e ter outras ambições profissionais e sonhos diferentes destes da adolescência, mas nessa altura vai ser importante aperceberes-te que muitos dos teus desejos de adolescente foram tornados realidade.
- A vontade de reencontrar a Adelaide nunca me vai passar, mãe! Tu se hoje tivesses a possibilidade de conhecer o Elvis, não o ias ver?
- Ia com certeza, mas já não com a mesma euforia. Estas fases têm o seu tempo. E nós têmo-las na idade própria de as ter. Hoje em dia, com 43 anos,  o meu sonho de vida já não é conhecer o Elvis, mas sim ver-te a ti e à tua irmâ crescer. Ter saúde e vitalidade para criar a tua irmã e concretizar-lhe os sonhos, tal como fiz contigo. É esse o meu sonho hoje em dia. E os teus também vão mudar acredita!
 

segunda-feira, abril 29, 2019

Um dos sítios que mais me faz ir às lágrimas

A seguir à zona de chegadas de um aeroporto, a meta de uma maratona é um dos sítios que mais me faz ir às lágrimas.



Alguém disse que sempre que perdermos a fé na humanidade devemos ir à meta de uma maratona para a recuperar. Não faço ideia quem o disse, eu própria ouvi dizer, mas faz todo o sentido. A meta de uma maratona é o lugar onde explodem as lágrimas, os sorrisos, as alegrias, a amizade, o amor, a cumplicidade, a entre-ajuda, mesmo por pessoas que não conhecemos.

Nas provas mais pequenas, de 5 e 10kms, já a alegria é imensa, mas na meta de uma maratona tudo é exponencial, tudo é elevado ao extremo: tanto o desgaste físico como as emoções.  Desespero e superação estão entrelaçados como nunca.

Não interessa se corres só para terminar ou se corres com um objectivo de tempo. Não interessa se tens o objectivo de fazer uma maratona em 4 horas, ou baixo das 3horas. Todos estão no mesmo turbilhão de emoções. Indescritível.

Pais e mães a correrem os últimos metros com os filhos pela mão ou até mesmo ao colo. Maridos e mulheres (companheiros) no conforto de correrem juntos. Amigos que correm em equipa para aquela motivação extra, e os solitários que estão lá por eles e para eles, pelo desafio, pela concretização do objectivo pura e dura.

Na meta de uma maratona já vi pessoas a acabar a prova com uma energia incrível, mas também já vi os que a terminam a cambalear no limite das suas forças, a cortar a meta de joelhos ou apoiados no ombro de alguém.  Já vi chorar de alegria e chorar de sofrimento, lágrimas profundas, soluçadas e partilhadas.

Este fim de semana foi a vez da 1ª edição da Maratona da Europa na cidade de Aveiro. Já conheciámos a nossa maravilhosa Veneza (aqui com dicas e tudo!) , pelo que desta vez fomos mais pela prova do que pela visita. O Limoneiro não correu a maratona, mas sim a meia (21kms). Deu obviamente o seu melhor, e fez o percurso em 1h29m, mas não se sentia em condições para fazer a sua 13ª maratona, depois de ter feito a sua 12ª em Paris há apenas 15 dias. Assim sendo, no fim, ficou comigo junto à meta a aguardar pelos restantes amigos que estavam a fazer a prova. Ele nunca tinha estado do lado de quem espera ansiosamente pelos que lhe são queridos. Pela primeira vez teve a oportunidade de ver no rosto sofrido de quem terminava a prova naquele momento, o sofrimento e a alegria da superação que tantas vezes já sentiu. Reconheceu-se de tal forma que o apanhei duas ou três vezes de lágrima no olho, ao ponto de me dizer "isto é muito emocionante, gostava de fazer isto contigo".

Não tenho pretensões de correr uma maratona, pois acho que o sofrimento é maior do que o prazer, pelo menos para mim. Sugiram-me uma maratona de Step e eu estou lá, Já o fiz 4 ou 5 vezes de sorriso estampado no rosto do princípio ao fim, mas de corrida não tenho essa ambição. Gostava de voltar a fazer provas de 10kms, como fazia antes da Maria nascer. Gosto da sensação de terminar, gosto daquele "está feito!" que nos vem à cabeça assim que cruzamos a meta, gosto de me desafiar a reduzir o tempo. Adorei ter terminado os 10kms de Madrid finalmente abaixo de uma hora (58 minutos), e de dois meses depois o fazer em 55 minutos,  mas não me peçam para me matar a correr durante 42 kms. Não o faria por gosto.  Se por acaso mudar de ideias, não tenho dúvidas que é o Limoneiro quem eu quero a meu lado, a fazer de minha lebre, a puxar por mim. Já me estou a ver a chamar-lhe nomes e a mandá-lo "à fava" de cada vez que ele não me deixar desistir,  mas por enquanto a minha resposta à pergunta "gostavas de correr uma maratona?"  é "não, obrigada!"

Para além disso,  já tentei acabar uma prova juntos e não correu muito bem.  Na 1ª vez que ele fez a maratona do Porto, eu corri a prova dos 6kms e depois voltei ao tapete para correr aqueles últimos metros ao lado dele assim quando ele chegasse. Na minha cabeça aquele momento era cheio de corações vermelhos e nós os dois a correr, lado a lado. de mão dada. Não resultou muito bem e hoje esse episódio é motivo de risota lá em casa. As metas de ambas as provas eram lado a lado, separadas apenas por uma grade de ferro. Eu pulei para o tapete assim que o vi, e corri até à meta ao seu lado, a gritar o seu nome enquanto o filmava ao mesmo tempo. Figura triste, pois o miúdo ia num desgaste tal que nem me viu. Apenas uma grade nos separava, mas ele não me viu, não me ouviu, nada! Fica o vídeo para a posteridade para nos rirmos até cair.

Não sei se alguma vez cruzaremos a meta de uma maratona juntos, mas gosto imenso de o acompanhar, de estar lá para o apoiar. Sei que do lado de quem corre esse apoio é fundamental. Eu e a nossa maravilhosa Maria Limão, que nos acompanha nesta loucura para todo o lado. Com dez meses já viu o pai correr no Porto, em Sevilha, Amesterdão, Paris (onde pela primeira vez na vida perdemos o voo) e, este fim-de-semana em Aveiro. Para o mês que vem, se deus quiser, estaremos em Basel, na Suíça. Quando crescer a Maria até pode não se lembrar dos sítios por onde andou, mas guardará com certeza memórias das sensações, dos maravilhosos e emocionantes momentos que passou connosco. Isso ninguém lhe (nos) tira!