Tomei conhecimento, por intermédio de outrem, de um segredo ( mais um) que contaram à Smartieteen e que ela não me revelou. Tem agora 19 anos, mas desde pequenina que assim é. Se lhe pedirmos que guarde segredo de algo, podemos ter a certeza que morrerá com ela.
Fá-lo com tanta naturalidade que por vezes as pessoas pensam que eu já sei de certas coisas, e eu continuo com ar de ignorante e incrédulo.
Fá-lo com a convicção de que é esse o seu dever.
Fá-lo com a certeza de que é uma pedra basilar da amizade.
Há quem o faça, quem saiba guardar um segredo, apenas e só para garantir que tem o outro mão. Para não perder o trunfo de um dia poder chantagear quem lhe pediu segredo, afirmando algures no meio de uma discussão “não te esqueças daquilo que sei acerca de ti”, mas isso é próprio de gente reles e mal formada. Ou melhor, a isso chama-se “filha putice”.
Exactamente o oposto daquilo que faz a pessoa a quem, de peito inchado que nem um pavão, chamo de filha mais velha.
I must have done something good.
Toda a comida precisa de uma pitada de sal, toda a vida precisa de um toque de limonada.
A Limonada da Vida
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sexta-feira, fevereiro 28, 2020
quinta-feira, setembro 05, 2019
Movimento #Deixa jogar
Sempre associei o futebol a asneiredo, é verdade. Eu própria o faço, quando estou a ver futebol e há uma bola à trave ou um lance que poderia dar golo e não dá. De vez em quando lá sai uma caralh&%$#. São desabafos.
Não obstante, não concebo o futebol como uma possibilidade de agredir ninguém, seja verbal ou fisicamente. O futebol não é isso. Muito menos em jogos dos nossos filhos, em que os putos só se querem divertir, correr e jogar à bola.
Uns dias ganha-se, noutros perde-se. Não se pode ganhar sempre, mas parece que só os pais é que ainda não entenderam isso. Neste cenário os pais são muitas vezes um péssimo exemplo do que significa competição. São o exemplo da ofensa desmesurada, do racismo, do sexismo, da violência física nas bancadas com outros pais e da opressão aos próprios filhos. Sem paninhos quentes: o pais a serem completos idiotas, vá.
No meu tempo jogava-se à bola na escola, no recreio ou nas aulas de educação física, e os pais não estavam lá para ver. Felizmente. Tinhamos tempo de chegar a casa e explicar o joelho esmurrado por causa do quase-golo que marcámos. Éramos felizes.
terça-feira, junho 25, 2019
A primeira palavra da Maria não foi Mamã
A primeira palavra da Maria não foi Mãe nem Pai. A primeira palavra da Maria foi "TÊEEEEES", enquanto se preparava para deslizar no escorrega do Parque perto da nossa casa, na sexta-feira 14 de Junho, depois de sair da creche, enquanto eu contava "UM, DOIS, TRÊS". A partir daí passou a repetir o TÊEEES sempre que fazemos a contagem.
A segunda palavra da Maria também não foi Mãe nem Pai. A segunda palavra da Maria foi "Táquiiiii". Quando lhe perguntamos "Onde está o patinho (o gato, a mãe, o piriquito)?" Ela faz um brilharete ao responder Táqui enquanto nos mostra o objecto/pessoa que pedimos para identificar.
Apesar da nossa insistência diária, dizer "Mamã" e/ou "Papá" vai ser só quando ela quiser, e não quando nós queremos. Como aliás, acredito que deverá ser tudo na vida dela. Isto é só a XoDona Maria a deixar o aviso aos pais.
A segunda palavra da Maria também não foi Mãe nem Pai. A segunda palavra da Maria foi "Táquiiiii". Quando lhe perguntamos "Onde está o patinho (o gato, a mãe, o piriquito)?" Ela faz um brilharete ao responder Táqui enquanto nos mostra o objecto/pessoa que pedimos para identificar.
Apesar da nossa insistência diária, dizer "Mamã" e/ou "Papá" vai ser só quando ela quiser, e não quando nós queremos. Como aliás, acredito que deverá ser tudo na vida dela. Isto é só a XoDona Maria a deixar o aviso aos pais.
quinta-feira, maio 02, 2019
Os teus sonhos também vão mudar, Smartieteen!
Este blogue gira muito à volta das coisas que nos fazem bem, que nos refrescam a vida. Ora realizar um sonho é obviamente uma dessas coisas. Realizar um sonho é Limonada da Vida. E os nossos sonhos, concretizáveis ou não, vão mudando com a passagem do tempo e com a nossa idade.
Neste fim de semana, a Smartieteen esteve em Milão a realizar o actual sonho da sua vida: conhecer a protagonista da série da Netflix "Reign", a actriz Adelaide Kane.
Bastou para tal comprar entradas para a Convenção da série. Teve a sorte de no mesmo fim de semana, também em Milão, decorrer a Convenção de Once Upon a Time, onde pode estar ao vivo e a cores com a Evil Queen, Lana Parrila, e outros protagonistas.
Ora apesar de ter passado por momentos indescritivelmente felizes, a Smartieteen chegou de Milão triste e pensativa. Aquele sonho pelo qual aguardou cerca de um ano já tinha passado. Acabou! Nunca mais na vida ela ia reencontrar-se com aquele grupo de actores e actrizes. Restava-lhe continuar a segui-los nas redes sociais.
Fiz o meu papel de mãe, e disse-lhe aquela frase muito motivaconal e inspiradora do "não fiques triste porque acabou, fica feliz porque aconteceu", mas não serviu de muito.
Ontem, estava eu nas minhas lides de casa, e de repente a Smartieteen entra na cozinha histérica de alegria. Durante a convenção, ela tinha pedido à Adelaide Kane para a mencionar no seu Insta Stories, nunca pensando que ela o fizesse. Mas fez o pedido na mesma com um cartaz todo catita. Talvez pela originalidade do pedido da Smartieteen, a actriz cumpriu o prometido e partilhou a foto dela no seu Instagram:
Não imaginam a euforia dela. Estava a ver que a miúda tinha um ataque cardíaco. Com a partilha da actriz, começaram a surgir dezenas de novos seguidores da sua conta AdelaideKanePortugal e ela em êxtase com tudo aquilo.
Fiquei a pensar nesta alegria imensa dela, e de repente tive uma epifania. Desde cedo que a Smartieteen tem sonhos, e felizmente a maior parte deles foram concretizados.
Quando era pequenina, o sonho dela era ver a Floribella ao vivo. Levei-a. Mais tarde, já seguidora da Hanna Montana/Miley Cyrus realizei-lhe o sonho de a ir ver em concerto no Rock in Rio. Depois seguiu-se a febre dos One Direction. Fomos de propósito ao Porto, só para ela os ver.
Ah, e o Shawn Mendes também, com direito a Meet and Greet e tudo!
O Harry Styles, em Amesterdão.
E agora, a sua Adelaide Kane.
Já passava da meia-noite, mas fui ao quarto da Smartieteen e disse-lhe:
- tu és uma sortuda danada, sabias? Tens tido a possibilidade de ver ao vivo todos os teus ídolos, mas mais do que isso tiveste a enorme felicidade de conhecer, abraçar, beijar, tirar fotos, falar com a Adelaide Kane. Por isso, mais do que estares feliz, mais do que agradeceres ao teu pai pela viagem que te proporcionou, mais do que partilhares em todas as redes sociais e mais alguma este momento, eterniza-o!
- Como assim, mãe?
- Escreve no teu livro de memórias ou no teu Diário a experiência fantástica que tiveste. Torna este momento eterno partilhando-o com a Smartieteen que o irá ler daqui a 30 ou 40 anos, e só assim o ele será eterno para ti própria. Quando tiveres a minha idade e releres o que for escrito agora, vais lembrar o quanto foste feliz neste momento.
- Achas mãe?
- Sabes, eu nunca tive essa oportunidade. Eu não tive tanta sorte, ou então fui eu que não soube escolher o meu ídolo. Eu era fã de uma lenda que já não era viva, o Elvis Presley. Tinha de me contentar com o poster que tinha pendurado na parede do quarto. Lembro-me de chorar à noite na cama só de pensar que nunca na vida iria ter a oportunidade de o ver em concerto, quanto mais de o conhecer pessoalmente.
Mas tu tiveste essa sorte! De cada vez que te bater a saudade da Adelaide Kane e te sentires triste porque nunca mais a vais ver, lê o que escreveste. Tenho a certeza que te vais sentir muito melhor. Daqui por uns anos vais ter outros objectivos, outros sonhos e, se deus quiser, vais concretizá-los, ou não! Vais-te apaixonar, casar, querer ser mãe, e ter outras ambições profissionais e sonhos diferentes destes da adolescência, mas nessa altura vai ser importante aperceberes-te que muitos dos teus desejos de adolescente foram tornados realidade.
- A vontade de reencontrar a Adelaide nunca me vai passar, mãe! Tu se hoje tivesses a possibilidade de conhecer o Elvis, não o ias ver?
- Ia com certeza, mas já não com a mesma euforia. Estas fases têm o seu tempo. E nós têmo-las na idade própria de as ter. Hoje em dia, com 43 anos, o meu sonho de vida já não é conhecer o Elvis, mas sim ver-te a ti e à tua irmâ crescer. Ter saúde e vitalidade para criar a tua irmã e concretizar-lhe os sonhos, tal como fiz contigo. É esse o meu sonho hoje em dia. E os teus também vão mudar acredita!
Neste fim de semana, a Smartieteen esteve em Milão a realizar o actual sonho da sua vida: conhecer a protagonista da série da Netflix "Reign", a actriz Adelaide Kane.
Bastou para tal comprar entradas para a Convenção da série. Teve a sorte de no mesmo fim de semana, também em Milão, decorrer a Convenção de Once Upon a Time, onde pode estar ao vivo e a cores com a Evil Queen, Lana Parrila, e outros protagonistas.
Ora apesar de ter passado por momentos indescritivelmente felizes, a Smartieteen chegou de Milão triste e pensativa. Aquele sonho pelo qual aguardou cerca de um ano já tinha passado. Acabou! Nunca mais na vida ela ia reencontrar-se com aquele grupo de actores e actrizes. Restava-lhe continuar a segui-los nas redes sociais.
Fiz o meu papel de mãe, e disse-lhe aquela frase muito motivaconal e inspiradora do "não fiques triste porque acabou, fica feliz porque aconteceu", mas não serviu de muito.
Ontem, estava eu nas minhas lides de casa, e de repente a Smartieteen entra na cozinha histérica de alegria. Durante a convenção, ela tinha pedido à Adelaide Kane para a mencionar no seu Insta Stories, nunca pensando que ela o fizesse. Mas fez o pedido na mesma com um cartaz todo catita. Talvez pela originalidade do pedido da Smartieteen, a actriz cumpriu o prometido e partilhou a foto dela no seu Instagram:
Não imaginam a euforia dela. Estava a ver que a miúda tinha um ataque cardíaco. Com a partilha da actriz, começaram a surgir dezenas de novos seguidores da sua conta AdelaideKanePortugal e ela em êxtase com tudo aquilo.
Fiquei a pensar nesta alegria imensa dela, e de repente tive uma epifania. Desde cedo que a Smartieteen tem sonhos, e felizmente a maior parte deles foram concretizados.
Quando era pequenina, o sonho dela era ver a Floribella ao vivo. Levei-a. Mais tarde, já seguidora da Hanna Montana/Miley Cyrus realizei-lhe o sonho de a ir ver em concerto no Rock in Rio. Depois seguiu-se a febre dos One Direction. Fomos de propósito ao Porto, só para ela os ver.
Ah, e o Shawn Mendes também, com direito a Meet and Greet e tudo!
O Harry Styles, em Amesterdão.
E agora, a sua Adelaide Kane.
Já passava da meia-noite, mas fui ao quarto da Smartieteen e disse-lhe:
- tu és uma sortuda danada, sabias? Tens tido a possibilidade de ver ao vivo todos os teus ídolos, mas mais do que isso tiveste a enorme felicidade de conhecer, abraçar, beijar, tirar fotos, falar com a Adelaide Kane. Por isso, mais do que estares feliz, mais do que agradeceres ao teu pai pela viagem que te proporcionou, mais do que partilhares em todas as redes sociais e mais alguma este momento, eterniza-o!
- Como assim, mãe?
- Escreve no teu livro de memórias ou no teu Diário a experiência fantástica que tiveste. Torna este momento eterno partilhando-o com a Smartieteen que o irá ler daqui a 30 ou 40 anos, e só assim o ele será eterno para ti própria. Quando tiveres a minha idade e releres o que for escrito agora, vais lembrar o quanto foste feliz neste momento.
- Achas mãe?
- Sabes, eu nunca tive essa oportunidade. Eu não tive tanta sorte, ou então fui eu que não soube escolher o meu ídolo. Eu era fã de uma lenda que já não era viva, o Elvis Presley. Tinha de me contentar com o poster que tinha pendurado na parede do quarto. Lembro-me de chorar à noite na cama só de pensar que nunca na vida iria ter a oportunidade de o ver em concerto, quanto mais de o conhecer pessoalmente.
Mas tu tiveste essa sorte! De cada vez que te bater a saudade da Adelaide Kane e te sentires triste porque nunca mais a vais ver, lê o que escreveste. Tenho a certeza que te vais sentir muito melhor. Daqui por uns anos vais ter outros objectivos, outros sonhos e, se deus quiser, vais concretizá-los, ou não! Vais-te apaixonar, casar, querer ser mãe, e ter outras ambições profissionais e sonhos diferentes destes da adolescência, mas nessa altura vai ser importante aperceberes-te que muitos dos teus desejos de adolescente foram tornados realidade.
- A vontade de reencontrar a Adelaide nunca me vai passar, mãe! Tu se hoje tivesses a possibilidade de conhecer o Elvis, não o ias ver?
- Ia com certeza, mas já não com a mesma euforia. Estas fases têm o seu tempo. E nós têmo-las na idade própria de as ter. Hoje em dia, com 43 anos, o meu sonho de vida já não é conhecer o Elvis, mas sim ver-te a ti e à tua irmâ crescer. Ter saúde e vitalidade para criar a tua irmã e concretizar-lhe os sonhos, tal como fiz contigo. É esse o meu sonho hoje em dia. E os teus também vão mudar acredita!
terça-feira, janeiro 15, 2019
O que eu não gostava que as minhas filhas fossem
A semana passada foi uma semana complicada.
Eu e a Smartieteen com gastroentrite e a Maria Limão com faringite, o que me obrigou a passar a semana toda em casa, de molho e a tratar das minhas babes.
Ora com uma bebé pequena, há que inventar maneiras de passar o tempo. Uma delas é ver televisão.
Sim, a Maria Limão já vê TV. Não me crucifiquem já! É apenas uma maneira fantástica de conseguir fazer alguma coisa em casa. É pô-la a ver a Baby TV ou o Disney Junior durante uns minutos e lá consigo ter tempo para puxar as orelhas à cama, ou arrumar a loiça do pequeno-almoço, ou pôr uma roupita a lavar. Na verdade ela não vê desenhos animados, ela ouve as músicas do início de cada programa e as músicas dos anúncios. É isso que a entretem, e eu até gosto porque há músicas que ela aos seis meses já reconhecia.
Ultimamente no Disney Junior apareceu uma nova série chamada Fancy Nancy Clancy. A Nancy Clancy é uma menina de seis anos (seis anos, repito) que adora tudo o que é chique. A onda dela é o glamour, o luxo, a etiqueta e tudo o que seja dito em Francês. A voz da boneca é super irritante, mas pior do que a voz são os seus tiques e todo aquele mundo que me parece absolutamente irreal numa criança de seis anos. Com tanto para brincar, com tanto para ser e fazer neste mundo, e a Nancy Clancy brinca às festas chiques e aos convites para as suas festas.
Atente-se à letra da música do genérico para perceberem do que falo.
"Chique faz-me vibrar
Brilho não tem fim
Chique é algo para todos,
mas em especial para MIM"
Repararam nas parecenças com "O Sol quando nasce é para todos, mas mais para mim do que para os outros"?
A Nancy Clancy representa tudo aquilo que eu não gostava que as minhas filhas fossem, pelo que já pensei mudar de canal de cada vez que a série começa. Também já pensei em criar uma petição pelo fim da série no Disney Junior, mas na verdade vivemos num país democrático e eu sou totalmente contra o lápis azul.
Assim sendo, prefiro que a Nancy Clancy sirva de exemplo às minhas filhas daquilo que elas não devem ser. Não pelo simples facto de a menina de seis anos gostar do que é chique. Na verdade todas nós gostamos de nos arranjar e de nos vermos bonitas. Mas por aquilo que ela representa. Quando penso no futuro da Nancy Clancy, apenas consigo imaginar uma gaja que não faz nada na vida e que casou com um gajo rico para conseguir manter o estilo de vida com que sempre sonhou. E para mim uma mulher pode e deve ser muito mais, e ter muito mais com que se preocupar na vida do que em ser uma fútil Barbie, ou neste caso uma Nancy Clancy.
Gostava que as minhas filhas fossem muito mais do que isso. Gostava que as minhas filhas sonhassem e ambicionassem fazer algo por si, pelos outros, e que se apercebessem que há tanto para fazer por esse mundo fora, pelo que preocupar-nos em ser chiques é simplesmente ridículo.
A Smartieteen já está encaminhada. Aliás, é a primeira a dizer que a boneca a irrita. Já a pequenina ainda está no início. Compete-me ensinar-lhe que a vida tem de ser muito mais do que isto.
E perguntam vocês, mas são apenas desenhos animados, não estás a exagerar Limonada?
Não, meus queridos, não são apenas uns desenhos animados, são aquilo que ajuda na formação e educação das nossas crianças. As histórias que contamos aos nossos filhos à noite para dormir não são apenas histórias de embalar. É suposto ajudá-los a distinguir o bem do mal. São histórias com uma moral, com uma lição de vida. Isso é formação.
As histórias que lhes contamos e os exemplos que lhes damos em pequenos limitam as suas ambições e os sonhos daquilo que podem ser quando forem crescidos. Principalmente as meninas às quais toda a vida foi dito nas histórias da Carochinha que só podem ser princesas quando casam com o príncipe encantado, ou se forem filhas do rei.
E se em vez de casar com o príncipe a menina decidisse ser astronauta ou engenheira? E se em vez de ela ser alguma coisa na vida porque o pai dela era o rei, ela fosse uma mulher extraordinária por algo que ela própia criou?
Nem todas nascemos para grandes invenções ou para mudar o mundo, mas podemos ser muito mais do que meras meninas chiques!
Aliás, se cada uma de nós (mães) conseguir mudar as mentalidades dos nossos filhos e filhas, no sentido de lhes abrir os horizontes para o tanto que podem ser e fazer, aos poucos a mudança há-de ser notória, clara e evidente. E não é a ver Fancy Nancy Clancy que isso vaí acontecer!
Eu e a Smartieteen com gastroentrite e a Maria Limão com faringite, o que me obrigou a passar a semana toda em casa, de molho e a tratar das minhas babes.
Ora com uma bebé pequena, há que inventar maneiras de passar o tempo. Uma delas é ver televisão.
Sim, a Maria Limão já vê TV. Não me crucifiquem já! É apenas uma maneira fantástica de conseguir fazer alguma coisa em casa. É pô-la a ver a Baby TV ou o Disney Junior durante uns minutos e lá consigo ter tempo para puxar as orelhas à cama, ou arrumar a loiça do pequeno-almoço, ou pôr uma roupita a lavar. Na verdade ela não vê desenhos animados, ela ouve as músicas do início de cada programa e as músicas dos anúncios. É isso que a entretem, e eu até gosto porque há músicas que ela aos seis meses já reconhecia.
Ultimamente no Disney Junior apareceu uma nova série chamada Fancy Nancy Clancy. A Nancy Clancy é uma menina de seis anos (seis anos, repito) que adora tudo o que é chique. A onda dela é o glamour, o luxo, a etiqueta e tudo o que seja dito em Francês. A voz da boneca é super irritante, mas pior do que a voz são os seus tiques e todo aquele mundo que me parece absolutamente irreal numa criança de seis anos. Com tanto para brincar, com tanto para ser e fazer neste mundo, e a Nancy Clancy brinca às festas chiques e aos convites para as suas festas.
Atente-se à letra da música do genérico para perceberem do que falo.
"Chique faz-me vibrar
Brilho não tem fim
Chique é algo para todos,
mas em especial para MIM"
Repararam nas parecenças com "O Sol quando nasce é para todos, mas mais para mim do que para os outros"?
A Nancy Clancy representa tudo aquilo que eu não gostava que as minhas filhas fossem, pelo que já pensei mudar de canal de cada vez que a série começa. Também já pensei em criar uma petição pelo fim da série no Disney Junior, mas na verdade vivemos num país democrático e eu sou totalmente contra o lápis azul.
Assim sendo, prefiro que a Nancy Clancy sirva de exemplo às minhas filhas daquilo que elas não devem ser. Não pelo simples facto de a menina de seis anos gostar do que é chique. Na verdade todas nós gostamos de nos arranjar e de nos vermos bonitas. Mas por aquilo que ela representa. Quando penso no futuro da Nancy Clancy, apenas consigo imaginar uma gaja que não faz nada na vida e que casou com um gajo rico para conseguir manter o estilo de vida com que sempre sonhou. E para mim uma mulher pode e deve ser muito mais, e ter muito mais com que se preocupar na vida do que em ser uma fútil Barbie, ou neste caso uma Nancy Clancy.
Gostava que as minhas filhas fossem muito mais do que isso. Gostava que as minhas filhas sonhassem e ambicionassem fazer algo por si, pelos outros, e que se apercebessem que há tanto para fazer por esse mundo fora, pelo que preocupar-nos em ser chiques é simplesmente ridículo.
A Smartieteen já está encaminhada. Aliás, é a primeira a dizer que a boneca a irrita. Já a pequenina ainda está no início. Compete-me ensinar-lhe que a vida tem de ser muito mais do que isto.
E perguntam vocês, mas são apenas desenhos animados, não estás a exagerar Limonada?
Não, meus queridos, não são apenas uns desenhos animados, são aquilo que ajuda na formação e educação das nossas crianças. As histórias que contamos aos nossos filhos à noite para dormir não são apenas histórias de embalar. É suposto ajudá-los a distinguir o bem do mal. São histórias com uma moral, com uma lição de vida. Isso é formação.
As histórias que lhes contamos e os exemplos que lhes damos em pequenos limitam as suas ambições e os sonhos daquilo que podem ser quando forem crescidos. Principalmente as meninas às quais toda a vida foi dito nas histórias da Carochinha que só podem ser princesas quando casam com o príncipe encantado, ou se forem filhas do rei.
E se em vez de casar com o príncipe a menina decidisse ser astronauta ou engenheira? E se em vez de ela ser alguma coisa na vida porque o pai dela era o rei, ela fosse uma mulher extraordinária por algo que ela própia criou?
Nem todas nascemos para grandes invenções ou para mudar o mundo, mas podemos ser muito mais do que meras meninas chiques!
Aliás, se cada uma de nós (mães) conseguir mudar as mentalidades dos nossos filhos e filhas, no sentido de lhes abrir os horizontes para o tanto que podem ser e fazer, aos poucos a mudança há-de ser notória, clara e evidente. E não é a ver Fancy Nancy Clancy que isso vaí acontecer!
sexta-feira, janeiro 04, 2019
18 anos de ti, Smartieteen.
18 anos de ti, Smartieteen.
Há 18 anos que sou uma mulher diferente só porque te tive. Foi contigo que aprendi que um filho está acima de tudo, inclusivamente de nós próprias. É um amor que extravasa todos os nossos limites e nos preenche alma e coração.
Ser mãe é muito mais do que andar grávida e dar à luz. É uma partilha diária, é um diálogo contínuo, uma aprendizagem mútua, uma dança que não tem fim.
Há 18 anos que sou uma mulher diferente só porque te tive. Foi contigo que aprendi que um filho está acima de tudo, inclusivamente de nós próprias. É um amor que extravasa todos os nossos limites e nos preenche alma e coração.
Ser mãe é muito mais do que andar grávida e dar à luz. É uma partilha diária, é um diálogo contínuo, uma aprendizagem mútua, uma dança que não tem fim.
Lembro-me que na tua infância cada gesto meu tu acompanhavas, cada música que eu cantava tu aprendias, cada história que te contava tu absorvias com espanto e alegria. E eu orgulhava-me disso, não para ficares igual a mim, mas para fazeres tu as tuas próprias escolhas.
Não és de todo um espelho meu, e nem eu queria que o fosses. Gosto muito que tenhas as tuas opiniões, mesmo que não sejam as minhas e que muitas vezes sejas ríspida na forma como te vinculas a elas. Se há coisa que te ensinei foi que deves ter as tuas convicções e seguir o teu caminho independentemente do que os outros pensam, mas com respeito pelos outros. Não é por as pessoas não concordarem que têm de se dar mal, desde que haja espaço para as convicções de cada um.
Olha para mim e para o teu padrasto: eu sou do benfica, ele é do sporting; eu acredito em deus, ele só acredita nele mesmo, votamos sempre em partidos diferentes, somos tão diferentes em tanta coisa e somos tão felizes.
A diferença é boa, até porque muitas vezes é a diferença que nos abre os olhos e nos permite ver as coisas de outra perspectiva.
Herdaste de mim o gosto pela quarta e sétima artes: a música e o cinema. Tens algo meu em ti, e isso basta-me! Terás sempre o meu amor a andar de braço dado contigo, e creio que isso para ti também será o bastante para enfrentares “come what may”.
Não és de todo um espelho meu, e nem eu queria que o fosses. Gosto muito que tenhas as tuas opiniões, mesmo que não sejam as minhas e que muitas vezes sejas ríspida na forma como te vinculas a elas. Se há coisa que te ensinei foi que deves ter as tuas convicções e seguir o teu caminho independentemente do que os outros pensam, mas com respeito pelos outros. Não é por as pessoas não concordarem que têm de se dar mal, desde que haja espaço para as convicções de cada um.
Olha para mim e para o teu padrasto: eu sou do benfica, ele é do sporting; eu acredito em deus, ele só acredita nele mesmo, votamos sempre em partidos diferentes, somos tão diferentes em tanta coisa e somos tão felizes.
A diferença é boa, até porque muitas vezes é a diferença que nos abre os olhos e nos permite ver as coisas de outra perspectiva.
Herdaste de mim o gosto pela quarta e sétima artes: a música e o cinema. Tens algo meu em ti, e isso basta-me! Terás sempre o meu amor a andar de braço dado contigo, e creio que isso para ti também será o bastante para enfrentares “come what may”.
A cada gargalhada tua o meu mundo sorri contigo, porque cada sorriso teu é também uma alegria minha, cada lágrima tua é uma dor por mim sofrida, cada conquista tua é uma vitória que alcancei, cada desaire que te aconteça é porque eu também errei. E não penses que isto assim foi apenas quando eras pequenina como a mana Maria. Continua a ser assim hoje e enquanto eu por cá andar.
O que nos une é muito mais do que os óbvios laços de sangue. São momentos, afectos, partilhas, cumplicidades, gostos comuns. Riquezas que já ninguém nos tira, memórias felizes que o tempo não apaga. Serás sempre a minha baby.
When the sun goes down, and the band won’t play, I’ll always remember us this way!
terça-feira, junho 05, 2018
Uma princesa não fuma
O anúncio choca, mas é esse o propósito, bolas! E mesmo assim não sei se atingirá os seus objectivos primários: que um fumador compulsivo deixe de fumar ou que uma criança curiosa deixe de experimentar.
O anúncio aponta o dedo a uma mãe que, apesar de amar muito a sua princesa, aparentemente o amor que lhe tem não é suficiente para que deixe de fumar e o vício ganha a esse amor.
Se o anúncio discrimina as mulheres? Não o senti como tal quando o vi pela primeira vez, mas compreendo a questão levantada pela deputada socialista Isabel Moreira.
Também já fui fumadora, apesar de ser daquelas que só fumava 2 a 3 cigarros por dia depois do café, mas confesso que nunca fumei em frente aos meus pais e sempre me incomodou fumar à frente dos miúdos. Sempre senti que estava a fazer algo que não queria que eles fizessem. Mas como proibir ou recriminar se eles me viam a fazê-lo?
Eu sempre achei altamente hipócrita o lema "faz o que eu digo, não faças o que eu faço"!
A verdade é que eles nos imitam, nós somos o exemplo, nós somos a referência.
Mas quando digo nós, não me refiro só às mães. Digo mães e pais. E por isso acho que esta campanha necessita da versão masculina.
Em vez de se apelar a que o Ministério da Saúde retire o anúncio, façam lá um anúncio com um pai com a mesma intenção acusadora, para equilibrar as coisas. Pode ser que o povo se reveja nas duas versões, porque nesta de facto os pais (homens) podem achar que só as mães é que têm de dar o exemplo.
E depois façam um para quem não tem filhos. E assim sucessivamente.
Façam lá isso, Ok?
Sim, porque fumar é uma merda.
#campanhaantitabaco #sns #limonadadavida #sermae #serpai
O anúncio aponta o dedo a uma mãe que, apesar de amar muito a sua princesa, aparentemente o amor que lhe tem não é suficiente para que deixe de fumar e o vício ganha a esse amor.
Se o anúncio discrimina as mulheres? Não o senti como tal quando o vi pela primeira vez, mas compreendo a questão levantada pela deputada socialista Isabel Moreira.
Também já fui fumadora, apesar de ser daquelas que só fumava 2 a 3 cigarros por dia depois do café, mas confesso que nunca fumei em frente aos meus pais e sempre me incomodou fumar à frente dos miúdos. Sempre senti que estava a fazer algo que não queria que eles fizessem. Mas como proibir ou recriminar se eles me viam a fazê-lo?
Eu sempre achei altamente hipócrita o lema "faz o que eu digo, não faças o que eu faço"!
A verdade é que eles nos imitam, nós somos o exemplo, nós somos a referência.
Mas quando digo nós, não me refiro só às mães. Digo mães e pais. E por isso acho que esta campanha necessita da versão masculina.
Em vez de se apelar a que o Ministério da Saúde retire o anúncio, façam lá um anúncio com um pai com a mesma intenção acusadora, para equilibrar as coisas. Pode ser que o povo se reveja nas duas versões, porque nesta de facto os pais (homens) podem achar que só as mães é que têm de dar o exemplo.
E depois façam um para quem não tem filhos. E assim sucessivamente.
Façam lá isso, Ok?
Sim, porque fumar é uma merda.
#campanhaantitabaco #sns #limonadadavida #sermae #serpai
quarta-feira, janeiro 17, 2018
Como eu contei à minha mãe que estava grávida...
Como eu me vi obrigada a contar à minha mãe que estava grávida (às 11 semanas):
Ela: ouve lá, mas que barriga é essa? Agora deste em te deixar engordar, é?! Andas-te a desleixar!
Eu: Surpreeeeeeeeeeeeeesa!
#gravidaaos42 #serfilha #sermae #limonadadavida
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