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quinta-feira, março 07, 2019

Dia de Luto Nacional pelas Vítimas da Violência Doméstica

Hoje assinala-se o 1º Dia de Luto Nacional pelas Vítimas da Violência Doméstica, em homenagem às vítimas, que este ano já foram 12 (mortais) e ainda só estamos em Março.

Um dia após o afastamento/transferência do juíz Neto de Moura para o tríbunal cível por forma a não julgar mais casos de violência doméstica.

A culpa é sempre de quem agride, diz o povo. No entanto, a justiça portuguesa (nomeadamente as sentenças deste juíz em particular) tem agido de outra forma, desculpando o agressor com os deslizes da vítima aqui e acolá, como se merecesse o tratamento que recebeu.

Quando a imparcialidade não impera nas decisões de um juíz, mas sim as suas convicções, os seus juízos de valor e crenças religiosas, é bom que ele seja afastado e impedido de voltar a cometer os mesmos erros, ainda que com o "empurrão" das tão malfadadas e impudicas redes sociais.

Mas sabe a pouco, este afastamento.

As sentenças proferidas por Neto de Moura trouxeram consequências intransponíveis na vida destas vítimas, pelo que o facto de ser transferido para o cível deveria ser apenas o início do fim desta vergonha.

É imperativo que seja instaurado um processo disciplinar e se avaliem as capacidades deste senhor permanecer sequer a exercer as funções de juíz, sejam em que matéria for. É imperativo que se faça o trabalho até ao fim, que as entidades competentes analisem, avaliem e decidam, com o máximo de imparcialidade possível, o futuro deste senhor. É um direito de justiça que lhe assiste, apesar de não o ter praticado em todos os momentos do exercício das suas funções.

Que tenha direito a maior imparcialidade do que aquela que ele ofereceu às vítimas dos casos de violência doméstica que julgou. Só não deixem o assunto morrer na praia, porque esta transferência sabe a pouco, a muito pouco.

Não fiquemos por aqui. Não deixemos que Neto de Moura seja o único responsável pela falta de punição dos agressores e falha na protecção das vítimas. 

Obriguemos à mudança não só de cargos, mas de leis e de maneiras de pensar.  Para que a violência doméstica termine, em vez de se propagar da forma a que se tem assistido nos últimos anos.


#limonadadavida #netodemoura #babysteps








segunda-feira, setembro 25, 2017

Vamos lutar por este casamento ou vamos pular fora à primeira dificuldade?

Esta manhã vinha a ouvir na TSF os resultados eleitorais da Alemanha, não tanto pela reeleição de Merkel que já se previa, mas pelos 94 (repito 94) deputados que o partido de extrema-direita (AFD) conseguiu para o parlamento alemão, o Bundestag. Foi a 3ª força política com cerca de 13% dos votos.

Apesar da derrota da extrema-dirieta na Holanda, na França (por exemplo), esta vitória na Alemanha vem provar que a vaga nacionalista está longe de ter desvanescido.

A isto juntam-se as manifestações pelo referendo na Catalunha, o Brexit, e eu penso: Bolas, não foi este o discurso que ouvi toda a minha vida. Não é esta a minha Europa!

Desde miúda que ouço falar em união, comunidade, comunidade europeia. Sou do tempo dos discursos europeístas, de abolição de fronteiras, da moeda única, de partilha dos mares. Quando era miúda achava fantástico o conceito de que a Europa não era um conjunto de país isolados e de costas viradas, mas sim um grupo.

No Colégio Moderno onde fiz escola até à Faculdade, incentivava-se bastante o trabalho em equipa, os esforços em conjunto. Foi aí que aprendi que, por muito importante que seja sermos únicos e criativos e inovadores, somos muitos melhores em equipa. Chegamos mais longe quando não estamos sós, quando unimos esforços. A propósito disso chegámos a fazer uma visita de estudo ao Parlamento Europeu, e confesso que me fez muito sentido todos aqueles países a trabalhar em conjunto por um futuro melhor para todos nós. É essa a ideia que tenho dessa visita de estudo, reforçada pela visita uns dias depois ao antigo Campo de Concentração de Struthof(exactamente o oposto daquilo que se possa desejar entre povos). Foi uma visita que me marcou para o resto da minha vida.

Pouco importa aqui se o Colégio tinha ligações a Mário Soares e ao partido socialista, para mim pelo menos nada daquilo era relevante, até porque nunca gostei de política (muito menos naquela idade) e os meus pais nem sequer votavam PS.

O que para mim fazia sentido era o discurso de que a Europa ser uma comunidade gigante era possível, e eu gosto de comunidades. Gosto da ideia de cada um contribuir com aquilo que tem de melhor, e isso fazer um todo mais coeso. Comum não no sentido de todos pensarem de forma igual, mas de sermos mais fortes justamente porque respeitamos e valorizamos as diferenças individuais.

Era um conceito tão Lennonista (John Lennon), que parecia tão utópico e no entanto, eu estava a assistir a toda aquela transformação. Ao vivo e a cores. Que privilégio poder ter assistido a tudo isto se tornar realidade, à queda do muro de Berlim, ao fim da guerra fria.

Então e agora acaba tudo assim?
Com a onda de terrorismo com que a Europa tem vindo a ser assolada, esta era a hora de nos unirmos mais do que nunca, de enfrentarmos isto de mãos dadas, todos com o mesmo objectivo.

Então, mas nas horas difíceis é que saltamos com o rabo fora? Agora que tanto precisamos uns dos outros é que nos lembrámos de ser nacionalistas? De fechar fronteiras aos refugiados?  Vamos lutar por este casamento ou vamos pular fora à primeira dificuldade? Agora é cada um por si e o salve-se quem puder?

Chega a roçar a cobardia, pá!












terça-feira, novembro 17, 2015

O mundo precisa de pessoas assim...#2- Aung Suu Kyi

A Nelson Mandela birmanesa:

Aung San Suu Kyi, líder da oposição à ditadura birmanesa venceu no domingo, dia 9 deste mês, as primeiras eleições livres de Myanmar.

Já não é a primeira vez que a Prémio Nobel da Paz (1991), filha do herói nacional da independência da Birmânia assassinado pelos seus rivais,  vence eleições.

Em 1990, enquanto Líder do Partido Liga Nacional pela Democracia, venceu as eleições que fariam dela a primeira-ministra do país. No entanto, os militares em vez de reconhecerem os resultados, mantiveram-na em prisão domiciliária durante 15 anos, passando a prisão efectiva em Maio de 2009, tendo sido libertada apenas em 2010.

Desta feita os resultados foram assumidos. No entanto, ainda é cedo para os birmaneses respirarem de alívio. As limitações impostas pela constituição de 2008 garantem um papel decisivo dos militares nos destinos do país, uma vez que continuam a ter 25% dos lugares do Parlamento e três das pastas mais decisivas do Governo. Para além disso, a Constituição impede-a de ser candidata a presidente uma vez que foi casada com um estrangeiro, e que os seus filhos têm nacionalidade estrangeira.

Será possível alterar a constituição? Irá Suu Kyi conseguir "conviver" com os militares? Ainda há muito para clarificar.

Ainda é cedo para gritar liberdade, ainda é cedo para gritar democracia, mas o percurso desta mulher, a elegância da sua inconformidade não-violenta, a persistência na luta pelos seus ideais que são coincidentes com os do seu povo, fazem dela uma Nelson Mandela birmanesa, uma heroína da actualidade, um exemplo de paz e perseverança.

O Mundo precisa de pessoas assim.








sábado, novembro 14, 2015

E da religião se cria uma desculpa...

Este assunto do estado islamico não se reduz à religião.

Não podemos nem devemos condenar, achando contraditório ou provocador, quem neste momento "reza por Paris". Religião é a desculpa que eles usam para cometerem estes actos insanos e injustificados. 

Se a questão fosse verdadeiramente religiosa atacavam-se igrejas catolicas e judaicas, atacavam-se locais de peregrinação, o Vaticano, por exemplo. Isto não é um acto religioso, por muito que eles assim o pintem. 

Isto é contra a toda humanidade, crentes ou não crentes, agnósticos e ateus, contra todos os que não são loucos como eles. É o salve-se quem puder.

E é por isso que nos assusta, é daí que nasce o medo. Por desconhecermos o inimigo, por não sabermos que rosto tem, porque o problema não é o Islamismo enquanto religião, mas sim esta facção que se proclama de "estado islâmico", que de religioso pouco tem e do qual desconhecemos ou sequer entendemos motivos e intenções.

Milhares de muçulmanos, cristãos, judeus, etc condenam este acto bárbaro, e nisso estamos todos unidos, somos todos um.

Deixem a religião no seu canto que ela não é para aqui chamada. Aliás "Rezem por Paris" qualquer que seja a vossa religião, mesmo que não seja nenhuma! 

‪#‎prayforparis‬


Dos atentados à humanidade

Apesar de ontem ter sido Dia Mundial da Generosidade, a data ficou marcada na história da humanidade pelos piores motivos: Paris 13 Novembro 2015.

Tinha acabado de chegar a casa por volta das 02.00h da manhã, vinda da volta de rua com a equipa de voluntários da Comunidade Vida e Paz, quando me inteirei da notícia.

Ao tomar conhecimento dos diversos ataques na cidade de Paris, é impossível controlar um misto de sentimentos como a indignação, a compaixão, a raiva, a vontade de vingança e o medo.

Nas redes sociais está já espelhada, àquela hora, esta mixórdia de emoções, e não demora muito para que o discurso de alguns comentários inflame e se passe da indignação às reacções de nacionalismo extremo.

Talvez pela necessidade de encontrar um culpado, o bode expiatório nesta altura são os refugiados sírios. Depressa se passa da vontade de ajudar para a necessidade de nos protegermos. É o instinto de sobrevivência a falar mais alto.

Tudo isto é inflamado pelo sentimento de impotência quanto à forma como estes ataques podem ser prevenidos e evitados. Como combatê-los? Como defendermo-nos quando nos atacam, não na frente de batalha de uma guerra declarada, cara-a-cara e assumida,  mas na cobardia de um café, um estádio, ou uma sala de concertos? Como protegermo-nos quando nos atacam na normalidade do nosso dia-dia, no coração das nossas vidas?

Sou ainda do tempo em que os países tinham fronteiras. Lembro-me de passar fronteiras para ir a Espanha e recordo com lamento o formalismo que essa passagem implicava pelo receio de, por algum motivo, sermos impedidos de passar. Mesmo não tendo nada a esconder, lembro-me de os meus pais nos pedirem, a mim e aos meus irmãos, para não abrirmos a boca se as autoridades nos mandassem parar.

Temo que seja esse o futuro do meu país e da minha Europa. O retrocesso aos limites fronteiriços, políticos e geográficos, o fim da livre circulação de pessoas e bens, o regresso à burocracia e ao entendimento de cada um se deve proteger dentro da sua concha.

Na sequência de tudo isto temo pelo fim da generosidade e da preocupação com o Outro, porque proteger as nossas vidas e as do que nos são próximos, defender o nosso país e a nossa cultura passam obviamente a ser uma prioridade.

Deus queira que assim não seja! Deus queira que não cheguemos a esse extremo. Os extremismos nunca se revelaram benfeitores, nunca trouxeram nada de bom ao mundo!





domingo, novembro 01, 2015

Entretenimento para todos VS o convívio familiar

Tarde de Sábado:
O pai na sala a ver o Sporting na Sport TV, depois de ter acompanhado a meia-final do João Sousa no torneio de ténis de Valência.
A mãe na cozinha a ver a 2ª temporada de The Killing na Netflix pelo computador, ao mesmo tempo que orienta o jantar.
A Smartieteen no seu quarto a ver o concerto dos 5 Seconds of Summer ao vivo em Atlanta, depois de ter visto dois episódios de Teenwolf.
O TeenTim no seu quarto a conversar no chat com os amigos, depois de ter passado a tarde a ver vídeos do CSGO.

Cada um para seu canto! É preocupante?

No meu tempo a TV era objecto de culto, de convívio e aglutinador da família. Os canais eram apenas dois, e todos tínhamos de ver a mesma coisa. Quais eram as opções? Ver a telenovela com os pais, ouvir música no rádio ou ir dormir!

Hoje há TV, PC, iPad, iPhone e a oferta de entretenimento televisivo é tanta que cada um segue o filme, a série, o jogo que mais lhe apraz.

E será isso assim tão mau?  O espaço que cada um dedica aos seus gostos e interesses não tem de ser necessariamente prejudicial para o ambiente familiar, desde que se alimentem e proporcionem momentos em comum, e se guarde tempo para a partilha diária.

Há imensas coisas que se podem fazer em família: idas à praia, ao cinema, teatro, concertos, corridas, passeios pela cidade, etc. E mesmo em casa há coisas que se podem fazer para conviver. O tempo das refeições deve continuar a ser um espaço de diálogo, e há sempre a possibilidade de escolher um programa do qual todos gostem para seguir na TV, há a reunião à volta de um jogo de mesa, e porque não convidá-los a cozinhar?

Na minha adolescência passava horas a fio  ouvir radio ou à volta da aparelhagem, rebobinando cassetes áudio, "sacando" letras das minhas músicas preferidas para depois traduzir. Só eu, a música e um dicionário. Refugiava-me nos livros, na escrita e na música para fugir à monotonia daquilo que os meus pais viam na TV.

E não me fez mal nenhum, muito pelo contrário definiu-me. Inglês sempre foi a minha disciplina preferida durante os tempos de escola, na faculdade segui Línguas e Literaturas Modernas e hoje em dia, entre outros trabalhos, escrevo e faço traduções de sinopses de episódios de séries. Apesar de não tocar nenhum instrumento, a música é fundamental na minha vida.


Desde que haja um certo equilíbrio, desde que nós pais estejamos atentos aos gostos dos filhos e manifestemos interesse por aquilo que eles fazem quando estão sozinhos, sem invadir a sua privacidade, acredito que esses momentos só os ajudam a descobrirem-se, a consolidarem a sua personalidade e os seus gostos,  e entender o que os faz feliz. Quem sabe se os gostos de agora não virão a ser o seu futuro? 

Prefiro isto às amarras de pensamento criadas de cada vez que os obrigamos a ver aquilo que nós vemos, formatando-os à nossa vontade, só porque somos os pais. Nem sempre, nem nunca. Equilíbrio e Bom-senso, é o que se exige nesta história de educarmos e criarmos alguém. Nisto, como em tudo na vida.







sexta-feira, outubro 16, 2015

O mundo precisa de pessoas assim... #1 - Malala

Heróis de hoje e para o futuro - Malala

Quando pensamos em heróis imaginamos super-heróis de banda-desenhada ou do grande ecrã, pensamos em grandes personalidades do passado e esquecemo-nos que é no nosso tempo que se fazem os ícones do futuro.

Os acontecimentos na vida de Malala parecem já corriqueiros, porque fazem parte do nosso dia-a-dia, porque é apenas mais um drama dos milhentos com os quais somos bombardeados diariamente no telejornal.

No entanto, esta miúda tem algo a dizer que deixará marcas profundas certamente, os ensinamentos transmitidos por esta adolescente deverão passar a fazer parte dos livros de História. Tem tudo para ser uma referência, um ícone, uma lenda para as gerações futuras. E agora virou filme!

Não vou perder, e faço questão de levar a minha Smartieteen comigo!
Ser mãe também é isto! E o mundo precisa de pessoas assim!


19 de Novembro nos Cinemas

quinta-feira, agosto 20, 2015

Movimento #Progargalhada com Maria das Palavras




Bloguers deste mundo e arredores, apresento-vos o Movimento Progargalhada. Um movimento criado pela Maria das Palavras em defesa do riso e da gargalhada. (Para o texto original clicar aqui).

Anda tudo demasiado sério, crítico e intolerante neste mundo. A ideia é espalhar a piadola, a laracha, a anedota, qualquer tipo de ironia que leve o leitor a extravasar "desde o sorriso ligeiro à gargalhada aberta", com o intuito de não deixar a gargalhada morrer. Vale tudo menos arrancar olhos!

Por isso libertem o lado cómico que há em cada um de vós e distribuam sorrisos sob a hashtag #progargalhada.

Aderi a este movimento na página do facebook da Limonada com uma piadola dedicada ao, recentemente desaparecido mas já encontrado vivo, Pedro Lemos:
Pedro Lemos, agora que voltaste qual D. Sebastião, vais ter de explicar à tua namorada e a mais 27394 pessoas do facebook onde é que andaste este tempo todo! E livra-te de dizer que foste à pesca...
‪#‎progargalhada‬

Aqui no blog deixo-vos este vídeo "Programa Político" do Porta dos Fundos. Já é velhinho, mas é daqueles que eu não consigo deixar de rir de cada vez que o vejo, e como estamos próximos de eleições legislativas...




Soltem-se as gargalhadas!








quinta-feira, maio 21, 2015

A sentir-me jurássica...

Já cá faltava o agressor-professor para juntar à panóplia de agressividade dos últimos dias. Nada disto é novidade, tal como não o são as anteriores.

Percorrendo as algibeiras rotas da memória lembro-me que, quando andava na escola primária, ainda apanhei algumas reguadas por não saber de cor e salteado toda a tabuada. Não eram precisos outros motivos, este bastava. O mal estava em mim, pois apesar de bem-comportada, sempre fui mais letras...

Tive colegas mais rebeldes que levam chapada à séria, que eram postos de castigo de pé, de costas para a turma e de frente para a parede num canto da sala, que eram humilhados verbalmente pelos professores, como se não bastasse a crueldade dos colegas bullys.

A diferença é que na altura não havia vídeos a comprovar o acto e ninguém acreditava em nós. Se apanhávamos era porque merecíamos.

Lembro-me de as manhãs começarem connosco de pé a cantar o hino nacional, sem ponta de alegria, sem sorrisos e em pose solene, como se de uma reza se tratasse. Já teenager descobri o Another Brick in the Wall part II e aí consolava as minhas revoltas.

Meu Deus, sinto-me jurássica!





quinta-feira, abril 30, 2015

Maria Capaz para o Futuro


"Nas suas dissertações acerca da actual crise financeira e económica, o jurista Medina Carreira não se tem poupado a críticas a este governo, bem como ao anterior, alegando que "qualquer dona de casa teria feito melhor".

Esta semana voltou a repeti-lo em declarações à TVI no programa Olhos nos Olhos, nestes termos: "uma dona-de-casa não tinha consentido que nós falíssemos. Acredito muito mais nas mulheres, sabe, as mulheres não têm golpes, não são politiqueiras, enfim...têm outro sentido de responsabilidade".

Apesar da minha formação em Letras, como mãe, empresária e igualmente dona-de-casa, depressa me imaginei a candidatar-me às próximas legislativas, apelando ao voto deste e de outros Medinas neste país. Podia certamente continuar a divagar sobre o quanto somos multi-facetadas, e que este país estaria muito melhor se governado por mulheres. No entanto, reflectindo sobre o significado verdadeiro das palavras proferidas, cedo nos apercebemos do paternalismo dos elogios, da convicção salazarista e do papel redutor da mulher, e há verdades que têm de ser ditas.

A competência, a inteligência ou a capacidade de trabalho, seja ela para a economia doméstica, para a governação de um país, ou para qualquer outra coisa, não se mede em género.

Com toda a certeza alguns indivíduos têm maior facilidade para certas artes do que outros, mas nunca podemos cometer o erro de traçar essas dicotomias baseando-nos nas idiossincrasias do homem e da mulher.

Para além disso, o gene da maldade, que eu tenha conhecimento, não foi distribuído apenas pelos cromossomas masculinos. Infelizmente conheço algumas mulheres politiqueiras, manipuladoras, traiçoeiras, verdadeiras vilãs de novela. Até nisto vejo equilíbrio nos géneros.

Sou mãe de uma adolescente de 14 anos que, entre outras coisas, toca guitarra, joga ténis, gosta de ler e escrever, viajar, fotografar. Durante toda a sua existência, sempre lhe transmiti que não há nada que um rapaz da sua idade faça que ela não possa fazer. Para o seu futuro, pouco tenho definido a não ser isto. Apenas isto!

Não faço questão que seja dona de casa, que case e tenha filhos, não faço questão que seja empresária, médica, hospedeira ou primeira-ministra. Tudo o que desejo é criar uma Maria Capaz em causa própria, íntegra nos seus princípios, coerente nas suas convicções e que tenha a coragem de cumprir o seu desígnio sem dever nada a ninguém, mas com respeito pelos outros. Quero que tenha experiências, sonhos, paixões e que isso a ajude a desenhar o seu caminho, construído de coração.

Quaisquer frustrações hão-de ser as suas, sem atribuições de culpa a outro alguém. Quaisquer vitórias a ela pertencem, sem mérito de mais ninguém. 

Espero que o seu futuro contemple escolhas e portas abertas, sem quaisquer restrições de género, raça ou religião.
Espero que, ainda durante a existência da minha filha, este país não me defraude e me dê razões para continuar a ser esta mãe."


Publicado no site mariacapaz.pt em 17/04/2015
http://capazes.pt/cronicas/maria-capaz-para-o-futuro-por-susana-esteves/view-all/






terça-feira, abril 07, 2015

Sou toda ouvidos...

Em viagem, mesmo que dentro do nosso país como foi o meu caso, não tive contacto com as notícias, pelo que só hoje tomei conhecimento do massacre na universidade de Garissa, no Quénia. 

E o que se pode dizer mais acerca disto?  Mais importante do que aquilo que possa ser dito, da tristeza e das condolências, o importante é que se fale. 

Que isto não seja mais um atentado com ligações à Al-Qaeda ou ao estado islâmico, só mais um... e não se passa nada... É importante que se diga, e se repita incessantemente, que isto não pode acontecer. É importante verificarmos que, mais uma vez, os presumíveis autores não são radicais ignorantes, sem estudos ou formação e que se dedicam a uma causa por miséria de espírito ou falta de outras oportunidades, ou por assim terem sido ensinados pelas gerações anteriores e não conhecerem outro diálogo que não seja o das armas. 

São estudantes de medicina, recém-licenciados em direito, gentes de alguma intelectualidade, que se entregam de corpo e alma à causa islâmica surpreendendo tudo e todos, inclusivamente os próprios pais, na forma violenta com que o fazem. 

Dá que pensar, pelo menos a mim, o que leva estes indivíduos (não lhes consigo chamar pessoas) a fazerem disto uma forma de vida.  De onde é que esta gente vem? Quem os recruta e como os convence a estas loucuras? Alguém que me explique isto, por favor!

(foto retirada da net)

terça-feira, março 31, 2015

Os Mean Tweets, as ofensas vazias e a Geração Internet

Cada vez mais a crítica vazia, desmesurada e sem qualquer fundamento alimenta posts, tweets e blogues.  Não são apenas brincadeiras inofensivas para o pessoal rir um bocado. São ofensa e asneira da grossa. São ódios raivosos, com alguma frustração à mistura, que tentam passar despercebidos quando confundidos com ironia.

Através da Maria das Palavras descobri que o apresentador Jimmy Kimmel tem um segmento no seu programa intitulado Mean Tweets, no qual coloca as celebridades a ler os tweets que lhes são carinhosamente dedicados. E o resultado é isto:





Por terras lusas também se "brinca" assim. Persegue-se árdua e meticulosamente os concorrentes da Casa dos Segredos, o Cláudio Ramos, o Gustavo Santos, a Ana Malhoa, e tantos outros. Perscruta-se qualquer peidinho que essa gente dá, e depois vale tudo na caça ao "like". Fica a faltar a parte em que se colocam essas celebridades a ler o que é escrito acerca delas. Isso é que eu pagava para ver!

Outro alvo fantástico são os jovens. Dizer o quanto esta juventude está perdida. Como se nós não tivéssemos sido já jovens inconscientes e inconsequentes (parvos, vá!) também. Pessoal, nós somos/éramos a "Geração Rasca", lembram-se?

Critica-se a postura desta juventude na net, a libertinagem permitida pelos pais, a devassidão... Grita-se bem alto (ie, publica-se em letras maiúsculas) que os pais de hoje em dia não querem saber o que os filhos andam a fazer na net. Conheço mães/pais que proibiram o contacto dos filhos com qualquer rede social, e eles estão lá na mesma.

Nós já fomos adolescentes, nós sabemos bem como se faz asneira sem os pais saberem, certo? Estes miúdos (Geração Internet) são a primeira geração a ser posta à prova perante milhões de juízes das atitudes dos outros, juízes que só estão de olhos postos no mal.

Ontem na televisão, no programa "Agora Nós" conheci a Ana Filipa. Uma pensadora atrevida, autora do blogue Diário de uma Borboleta, e que com apenas 16 anos já publicou dois livros. Tão novinha, mas já sabe por onde quer voar e já começa a bater asas para lá chegar.

Tenho cá para mim que sem ser preciso muito esforço, encontramos pensamentos interessantes, escritas coerentes e espíritos inovadores nesta nova geração. Miúdos que habitam nas redes sociais e que as usam em bom proveito, que têm algo de relevante a dizer, e que (por incrível que pareça) sabem pensar!



quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Porque há coisas boas, bem boas, que merecem ser partilhadas

A música "Take me to church" de Hozier já é de 2013, não sendo propriamente novidade, mas parece que recentemente tem estado a ganhar um novo folêgo e o reconhecimento que não teve na altura.

O vídeo original de Hozier confronta-nos com uma potente mensagem de homofobia. Uma crítica directa ao aumento dos ataques contra os homossexuais na Rússia, na sequência das campanhas políticas contra a comunidade gay. Um video que pretende chocar!





Recentemente o fotógrafo David Lachapelle apresentou a sua versão em vídeo para a música de Hozier, com o bailarino russo Sergei Polinin num coreografia de Jade Hale-Christofi.
Um vídeo que pretende emocionar e comover.  A mim dá-me arrepios na espinha!





É ou não é uma coisa maravilhosa?

terça-feira, janeiro 13, 2015

Não estaremos a dar uma de putos mimados?

Agitou-se meio mundo pela liberdade de expressão! Em homenagem às vítimas, em solidariedade para com o Charlie Hebdon, em luta pela manutenção de liberdades e direitos que nos estão consagrados e dos quais não queremos abdicar.

É por isto que estão a lutar e estão correctos, porque é uma afronta que assim não seja.

Mas... porquê tanta agitação pelo recente atentado a esta liberdade em particular, quando há tantas liberdades e direitos que são violadas diariamente por esse mundo fora?

Por que razão este atentado originou esta onda de solidariedade, quando há crimes piores e ninguém faz nada?

Onde está a indignação mundial de cada vez que se violam direitos fundamentais como o direito à vida, à integridade pessoal, à segurança, à saúde, à hábitação, à educação?

Nem quando a Malala foi alvejada se juntaram líderes de todo o mundo em marcha pelos direitos das mulheres e pelo acesso à educação. Malala teve a sorte de os jornais lhe terem dado voz, foi recebida nas Nações Unidas e é hoje uma Prémio Nobel, mas lutou sozinha.

Porquê tanta agitação com a liberdade de expressão, opinião ou pensamento, quando existem outros direitos, tão ou mais importantes, para os quais não se verifica tamanha celeuma?!

Ai, que me tiraram a liberdade expressão! Ai queres ver que eu agora não posso dizer aquilo que penso! E agora, o que faço eu à minha vida?

Não estaremos a dar uma de putos mimados?!

Como será que olham para nós as mulheres que, em vários países, são excisadas na infância?  E o que dirão de nós os habitantes de países africanos que morrem à sede e à fome ou por falta de vacinas e assistência médica?

Será que reagimos assim porque fomos atingidos por "outsiders" na nossa própria casa, no espaço físico do nosso velho continente? Terá sido porque a comunidade jornalística se sentiu ameaçada? Ou antes porque, apesar de básicos e essenciais, esses direitos não nos dizem respeito, não são falha no nosso quotidiano, não são assunto que nos preocupe? São coisas dos outros, eles que lidem com elas!

Sim, morreram pessoas neste atentado! Sim, é um crime horrendo aquilo que se passou, mas é disto que se trata, minha gente!



Artigo 37
Liberdade de expressão e informação
1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Ser Charlie é bullying?

Já li centenas de comentários, posts, artigos, opiniões acerca do recente ataque ao jornal Charlie Hebdon. Ultimamente não se fala noutra coisa. E lá em casa não é excepção.

Ontem ao jantar, a propósito das mais recentes notícias, falou-se à mesa com os miúdos sobre isto de ser Charlie.

Tentei fazer um resumo do que se passou, reforçando que ninguém tem o direito de matar ninguém seja por que motivo for, quanto mais como forma de repressão e para silenciar o outro.

Ao que a minha filha responde, na inocência dos seus 14 anos "mas ofender os outros também não se faz. Não vou gozar com um colega da escola só porque ele não pensa da mesma forma que eu, isso é bullying. Ó mãe ser Charlie é bullying?"

Apesar de ser "filha de Abril", apesar do meu espírito aberto e das minhas convicções democráticas, não consegui dizer que não...






quarta-feira, janeiro 07, 2015

Qual a fronteira entre a brincadeira e a ofensa?

Sem dúvida, o acto é condenável e um crime horrendo. Sim, também eu estou solidária com o Charlie Hebdo. Por isso, espanta-me que haja tanto apelo à tolerância no que diz respeito à liberdade de expressão quando na internet, nomeadamente no facebook, existe tanto ódio, tanta crítica, tanta falta de respeito, tanta incompreensão com certas brincadeiras que ocorrem em blogs carregadinhos de ironia (e da boa), ou até páginas de comediantes conhecidos da nossa praça.

É frequente encontrar comentários violentos e ofensivos, totalmente intolerantes com esta ou aquela simples brincadeira. "A ironia foi longe demais", defendem alguns! "Com esses temas não se brinca", dizem outros! "vai pro cara....",  dizem outros ainda! "Devias morrer, seu palhaço".

Qual o limite? Qual a fronteira entre a brincadeira e a ofensa? Entre a liberdade de expressão e a violência? A quem compete delinear essa fronteira?

O limite, a meu ver, está dentro de cada um de nós no momento em que enfiamos a carapuça, no momento em que permitimos que a "brincadeira" do outro nos atinja.

Felizmente que ainda não se mata ninguém via facebook, caso contrário já estaria meio-mundo morto.

Num piscar de olhos são todos Charlie, quando há apenas alguns segundos atrás alguns eram "terroristas" na página de alguém que simplesmente exercia o seu direito à liberdade de expressão.

"Fanático" é um adjectivo que infelizmente extravasa os meandros da religião, e que não a define apenas a ela.






quarta-feira, novembro 26, 2014

Enfiem-lhe uma máscara de ferro e esqueçam que ele existe!

Tenho resistido a gozar, comentar, filosofar acerca destes acontecimentos relacionados com José Sócrates.

Tenho lido algumas coisas acertadas e outras bastante absurdas, como por exemplo "pena de morte, sem comtemplações".  Esquece o/a comentador/a que não existe pena de morte em Portugal, e, mesmo que houvesse, duvido que corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais fizessem parte dos crimes puníveis com tal pena.

Ele há comentários para todos os gostos. Desde os adeptos fervorosos aos cães raivosos. Descobri esta manhã, por exemplo, uma página comunitária de apoio à libertação do ex-primeiro ministro (aqui ) . Viva a Democracia!

Já li que tudo o que lhe está acontecer é merecido, outros que defendem que um ex-governante deveria ter tido outro tratamento, outros ainda defendem que tudo isto é um conluio por parte do governo para "entalar" António Costa ou até para desviar as atenções do caso dos Vistos Gold, outros que alegam uma encenação dos media, outros ainda protestam que o juíz Carlos Alexandre tem em mãos demasiados processos de extrema complexidade e que significa demasiado poder e responsabilidade concentrados numa única pessoa... Whatever!

Já o rol de piadas acerca de José Sócrates não tem fim à vista. Algumas bastante inteligentes, outras nem por isso. É natural que, depois de tanto tempo a gozar com a nossa cara, o povo pague na mesma moeda. Até porque, normalmente, quem ri por último ri melhor.

Mas o que eu queria mesmo era ver-me livre deste senhor, e a modos que não consigo. Já quando foi substituído e fez as malas recto a Paris, pensei que me livraria da personagem, mas enganei-me. O seu regresso ao país e à nossa RTP deixou-me perplexa. Recusei-me a ver/ouvir qualquer comentário feito nesse tempo de antena, e espantava-me que ainda houvesse quem lhe desse ouvidos.

Desde a história da detenção, não há por onde fugir, levamos com Sócrates 24horas por dia. Já não há paciência! Graças a Deus que ontem houve Liga dos Campeões, graças a Deus que hoje à Benfica!

Em vez de o enviar para Évora, e o pessoal andar por lá a tirar selfies à porta do estabelecimento prisional, mandem-no de volta para França. Levem-no para a ilha de Santa Margarida (ali junto a Cannes), enfiem-lhe uma máscara de ferro e esqueçam que ele existe, pelo menos até ao julgamento.

Já o estou a imaginar a dar cabeçadas na parede da cela, repetindo para si mesmo "devia ter ido para a Venezuela, devia ter ido para a Venezuela, devia ter ido para a Venezuela".






"Se a morte fosse mesmo o fim de tudo, seria isso um óptimo negócio para os perversos, pois ao morrer teriam canceladas todas as maldades, não apenas do seu corpo mas também da sua alma." 
Sócrates, o ateniense




sábado, novembro 22, 2014

A Fé é como a opinião, cada um fica com a sua!

Não faças isso Jim!
Eh pá, não!

Sabes que gosto de ti à brava! Fosses tu 15 anos mais novo e serias com certeza o meu preferido para fazer de Christian Grey no cinema.

Sim, eu sei que sentiste um chamamento quando interpretaste Jesus Cristo, que te saiu do corpo algum do sofrimento pelo qual o grande JC passou, que és feliz e agradecido por Deus e com Deus. Sabes que me apaixonei pela tua entrega a esse Jesus!

Adoro que sejas um homem bom, um homem de fé e de convicções, mas quando te dá a pancada de evangelizar o mundo ninguém te aguenta! Cansas-me com esse discurso estilo Testemunha de Jeová, homem!

Ok, não precisas de ser um mauzão vingativo como o Conde de Monte Cristo, bastava ficares-te pelo John Reese. Podes perfeitamente viver segundo as tuas crenças e praticar o bem sem maçar os outros!

A Fé é como a Opinião, cada um fica com a sua!