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sexta-feira, fevereiro 28, 2020

Guardar um segredo

Tomei conhecimento, por intermédio de outrem, de um segredo ( mais um) que contaram à Smartieteen e que ela não me revelou. Tem agora 19 anos, mas desde pequenina que assim é. Se lhe pedirmos que guarde segredo de algo, podemos ter a certeza que morrerá com ela.
Fá-lo com tanta naturalidade que por vezes as pessoas pensam que eu já sei de certas coisas, e eu continuo com ar de ignorante e incrédulo.
Fá-lo com a convicção de que é esse o seu dever.
Fá-lo com a certeza de que é uma pedra basilar da amizade.
Há quem o faça, quem saiba guardar um segredo, apenas e só para garantir que tem o outro mão. Para não perder o trunfo de um dia poder chantagear quem lhe pediu segredo, afirmando algures no meio de uma discussão “não te esqueças daquilo que sei acerca de ti”, mas isso é próprio de gente reles e mal formada. Ou melhor, a isso chama-se “filha putice”.
Exactamente o oposto daquilo que faz a pessoa a quem, de peito inchado que nem um pavão, chamo de filha mais velha.
I must have done something good.





terça-feira, setembro 17, 2019

Isto de criar filhos é uma aventura

Tenho uma filha na creche e os outros dois na faculdade.
Idades tão diferentes, com necessidades tão díspares que por vezes preciso de fazer um switch on e switch off e transitar a minha mente do modo "mãe-galinha" para o modo "deixa voar".
Com a Maria tenho a preocupação da quantidade de vezes que fez cocó, os períodos de sesta, a introdução dos alimentos sólidos, a alimentação saudável e as alergias, as vacinas e as doenças na creche, o percentil de peso e altura, e as teorias Montessori, apesar de todos os dias ela me deslumbrar com uma aprendizagem nova.
Com os crescidos, já adultos (ahahah, adultos! Meu deus, se eles soubessem o que é ser adulto), o chip muda para as saídas à noite, as amizades, os namoros, o percurso académico, a gestão da mesada, a vontade exagerada de liberdade e independência, as respostas mais tortas e arrogantemente cheias de certezas. A gestão de os empurrar para se fazerem à vida pelo próprio pé e não querer ainda que deixem de precisar de mim tão depressa.
Se para a Maria sou o centro do mundo, para os outros sou a periferia (dói, mas tem de ser).
Com a Maria estou a reviver toda a ansiedade do "ser mãe" com outra maturidade, com outra experiência de vida, mas sempre com o mesmo coração apertado. Não há volta a dar.
Com a Maria tenho a certeza de quem nem sempre vai ser assim e que isto passa num piscar de olhos. Coisa que quando os outros eram pequenos eu sabia porque já me tinham avisado, mas eu ainda não tinha sentido na pele.
Vou aproveitar enquanto esta me puxa as saias e pede colo, enquanto me pede para eu me sentar no chão a brincar com as molas da roupa, enquanto chora e se agarra ao meu pescoço ao entalar o dedo na gaveta, que insiste em mexer apesar de eu já ter dito mil vezes "Não Mexe Aí, Mariiiiiiiiiia".
Isto de criar filhos é uma aventura.



sexta-feira, julho 12, 2019

Ainda o pedido de ajuda do Moço

"Boa tarde caro XXXX. Até agora não conseguimos identificar as pessoas. Muito provavelmente já não estão hospedados no hotel, pois o nosso staff de recepção e animação está a par da descrição que fez e está a tentar encontrá-los. Lamentavelmente, as novas regras de protecção de dados (RGPD) não nos permitem partilhar qualquer informação dos nossos hóspedes excepto com autorização expressa dos mesmos. Gratos pela compreensão.
PS: Da próxima vez, seja afoito e vá ter com ela. Pior do que está não fica".
Ainda a propósito do Moço que quer o nome da Moça e nós não sabemos sequer quem ela é.

Pedido de ajuda

Acabo de receber este pedido de ajuda e não sei o que fazer. Ajudo o moço?
“Preciso de saber o nome de uma das pessoas q vou descrever q tá instalada no vosso hotel. Só preciso de um dos seus nomes porque quero descobrir uma rapariga com q falei quando aí estive. São portugueses e são uma família de (...) eu quero saber quem é a filha mais velha q deve ter mais ou menos 16 a 19 anos. (...) 
Só preciso do nome de uma destas pessoas. é por um bom motivo se me ajudarem eu recomendo o vosso hotel a todos os que conheço (...).
Obrigado e por favor ajudem me. cumprimentos”
O sigilo profissional impede-me de ajudar esta criatura, mas e se a miúda que ele procura é a mulher da vida dele?
O que fariam? 

sexta-feira, março 22, 2019

O que se passa com esta geração?

No meu tempo de catraia, tanto eu como os meus colegas, estávamos desejosos de fazer 18 anos para tirar a carta e ter carro. Era a maioridade associada à liberdade do carro, das saídas à noite...
Os meus filhos, ambos com 18 anos, não fazem questão de tirar a carta. Tivémos de ser nós a abordar o assunto. Pior, levámos com a resposta seca e indiferente do "pode ser, se eu tiver tempo para o fazer".
Um deles tem a carta paga desde julho do ano passado e até hoje nunca pôs os pés na escola de condução. Vai ter de lá ir à lei da bala.
O que se passa com esta geração? É culpa nossa que os levámos para todo o lado durante demasiado tempo, até aparecerem os Ubers?