segunda-feira, outubro 23, 2017

A culpa é sempre de quem agride

O discurso do Juiz Neto de Moura no caso de violência doméstica, em que a vítima foi agredida pelo ex-marido e pelo homem com quem tinha mantido uma relação extraconjugal, discurso no qual “a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher” é vista “com alguma compreensão”, em muito me lembra o tipo de julgamentos que corriqueiramente se ouvem acerca de mulheres violadas.
Frases que são ditas levianamente, e que de certa forma "desculpam" o agressor das suas atitudes. Frases como as escritas em baixo.
Mesmo quando vítimas, as mulheres têm sempre uma pontinha de culpa, e isso é vergonhoso!
No caso do Juíz Neto de Moura , o que ele quer dizer com a decisão proferida é "se ela traiu o marido, esperava o quê?"
Não é só este Juíz que é um idiota, são todos os que nos rodeiam e que têm este tipo de discurso.
Quem julga assim contribui para a cultura do abuso, da violência, da violação.

A culpa é sempre do abusador, de quem agride, de quem viola, de quem estupra.


quinta-feira, outubro 19, 2017

#metoo

Tinha cerca de 12 anos.
Tinha mudado de cidade e de escola no decorrer daquele ano.
Ao contrário da escola antiga para onde ia a pé bastando apenas atravessar a casa do vizinho e a estrada, para a nova escola tinha de ir de autocarro.
As aulas começavam às 8.15h, pelo que apanhava o transporte um pouco antes das 8.00 da manhã.
Vinha dos arredores de Lisboa e na capital tudo era novo para mim. O autocarro cheio, o jogo do empurra, o salve-se quem puder.
No início, algumas vezes acabei por ficar em terra à espera do próximo autocarro, devido à minha dificuldade em empurrar e esmagar as pessoas que já lá estavam.
Não tinha muitas opções: ou o 17B que partia das Galinheiras ou o 36 que já vinha de Odivelas a rebentar pelas costuras.
Depressa tive de abrir a pestana. Se não queria chegar atrasada às aulas, tinha de fazer como os outros: empurrar até caber.
Eram apenas 4 paragens, mas foi o suficiente para aquele dia me marcar para o resto da vida.
Numa dessas viagens, enlatada que nem uma sardinha, eu e a maior parte dos passageiros que iam de pé, sinto um certo desconforto provocado pela pessoa que está atrás de mim. Sinto-o demasiado próximo. Sinto ainda mais porque ele aproveitava os solavancos do autocarro para se encostar e esfregar. Tento mudar de posição, mas cada vez o sinto mais próximo. Tento pedir passagem dizendo que estou para sair. Tenho pressa em chegar à porta traseira. Finalmente a minha paragem.
Saio e caminho em direcção à escola, confusa, sem saber o que se tinha passado, sem saber interpretar muito bem se tudo aquilo tinha sido apenas impressão minha ou algo mais que eu ainda não percebia muito bem o que era. Já no passeio, ouço atrás de mim:
- Então gostaste?
Olho para trás para ver quem era.
- Soube-te bem? A mim soubeste-me..
Era ele. O homem que me tinha deixado desconfortável no autocarro.
Leva a mão à braguilha com um ar de satisfação e .... eu desato a correr em direcção ao portão da escola num misto de pânico, confusão e necessidade de desaparecer dali.
Só parei à porta da casa de banho onde me sentei no chão a chorar.
Não percebia o que tinha feito.
Não percebia por que razão aquele homem me tinha feito aquilo.
Afinal não tinha sido uma mera sensação estranha. Afinal a minha intuição, com apenas 12 anos, estava certa.
Não pedi ajuda, não chamei ninguém. Tinha um misto de raiva e culpa dentro de mim.
Apenas tive coragem para contar à minha mãe, já à tarde, quando cheguei a casa vinda da escola.
Disse-me:
- Amanhã é o teu pai que te leva à escola, e se o vires outra vez dizes ao pai quem ele é.

Nunca mais o vi! Não sei se feliz ou infelizmente.

Nunca tive a oportunidade de o denunciar, mas daí em diante, inventei truques, criei defesas durante aquele trajecto.  Entre o ir encostada a um homem ou uma mulher, as senhoras inspiravam-me mais confiança; entre o ir encostada a um homem ou à porta de saída do autocarro preferia a porta (mesmo que corresse o risco de ela abrir); quando não havia outra escolha ficava de frente, onde pudesse olhá-lo nos olhos, onde pudesse analisar todos os seus movimentos. Era preferível do que ficar de costas.

Uma coisa lhe agradeço: abriu-me a pestana para o quanto alguns homens são nojentos. Ensinou-me que nem todos os homens são normais. Há-os doentes. Muito doentes.



segunda-feira, outubro 16, 2017

Já chega!

Há lugares neste país onde já se fazem rezas e procissões a pedir chuva.

Precisamos que chova, é verdade! Mas não é a chuva (ou a falta dela) a culpada de tudo isto.O que precisávamos mesmo, era de apanhar e punir veementemente os idiotas criminosos que ateiam os fogos. O que precisávamos mesmo era de prevenir, de reordenar. 

Fala-se muito no reordenamento do território, no repensar que tipo de floresta devemos ter para que o fogo não se alastre desta forma descomunal. Talvez quem sabe até voltar a ter guardas florestais, e criar espaços corta-fogo entre as florestas e as estradas e zonas habitacionais.

Não sou perita no assunto, e longe de mim achar que sei o que é melhor para o país. Não sei, de todo.Só acho que está na hora de quem percebe do assunto passar das palavras à acção.

Já chega!

sexta-feira, outubro 13, 2017

Traumas de Infância

De cada vez que estou para publicar um Rascunho o Facebook faz-me lembrar a minha mãe.

Facebook : "Tens a certeza de que queres publicar este rascunho?"
A minha Mãe : "Tens a certeza que é isso que tu queres fazer da tua vida?"

Medo!
#sermae #limonadadavida #traumasdeinfancia

Do assédio em Hollywood e por esse mundo fora

Hollywood anda em alvoroço com o escândalo das alegações de assédio sexual contra o produtor cinematográfico Harvey Weinstein.

Várias são as actrizes que têm vindo a denunciar os abusos, as insinuações, os assédios cometidos ao longo de cerca de 3 décadas.

Jane Fonda salienta nesta entrevista o quanto isto é, e sempre foi, terrivelmente comum e habitual para todas as mulheres, no seu dia-a-dia, no seu local de trabalho, no ginásio, num restaurante só porque está a almoçar sozinha, na rua enquanto atravessa a passadeira, nos Estados unidos da América, em Portugal e em qualquer parte do mundo.

Sempre foi. Uma mulher não tem, em pleno século XXI, o direito de andar na rua sem ser importunada.




Mas não quero cair em exageros.  Não estou a falar de um mero piropo. Esse eu até dou de barato. Esse por vezes até tem a sua graça. Não é disso que se trata.

Estou a falar de expressões ordinárias, badalhocas e rudes.

Estou a falar de uma pessoa, muitas vezes numa situação profissional superior, que enche o seu ego e a sua masculinidade com insinuações ridículas e despropositadas, que oferece contrapartidas para o sucesso dos seus avanços, e que chantageia quando não correspondidos.

Estou a falar de homens que acreditam lá bem no fundo das suas entranhas que toda a mulher é carne para canhão.

Estou a falar desse direito que os homens acham que têm de se insinuar, de meter a mão, de se mostrarem muito machos, de fazerem de uma mulher um objecto que existe apenas para seu gáudio e desejo.


Nem todos os homens são predadores, nem todos os homens merecem este rótulo. Também existem homens que conseguem perceber o quanto isto é errado e que denunciam estes actos, como Ben Affleck e George Clooney fizeram em relação a Weinstein.

Perante a denúncia de mulheres e homens, pode ser que estes descompensados comecem a ganhar vergonha e deixem o fazer. É esta a esperança de Jane Fonda, a minha e a de qualquer uma de nós, creio eu.

Há que ter a coragem de denunciar!

#limonadadavida


A culpa é dela!

O comboio atrasou-se.
O trânsito está um caos.
Bateste com o dedo mindinho do pé na esquina do móvel.
Não conseguiste bilhetes para o espectaculo que querias.
O médico diz que precisas de começar a fazer exercício físico.
Conheceste um gajo ontem à noite que hoje, a esta hora, ainda não te ligou.
Achas que estás a chocar uma gripe,
Um quilo a mais na balança.
Não está sol.
O saldo da conta é uma vergonha e ainda nem a meio do mês vais.

Vai uma aposta que tudo o que correr mal hoje é culpa da sexta-feira 13?
#sextafeira13 #limonadadavida

quinta-feira, outubro 12, 2017

Quem nunca


Quando uma pessoa que tu adoras é amicíssima de uma pessoa que tu detestas, e fica aquele sentimento de "mas o que é que tu vês nesse idiota?"