domingo, setembro 16, 2018

Não lhe vou dar mama uma noite em 3 meses de existência, e qual é o drama?

São 10.21 de uma manhã de Domingo.
Dormem todos ainda, excepto eu e a Maria.
Após 3 meses, esta piolha continua a acordar para comer de 2 em 2horas ou  de 3 em 3.  No máximo faz 3horas e meia quando lhe dou biberão após a mama, mas nem sempre o aceita e nem sempre funciona.

É a parte que me custa mais, esta privação de sono. Fiz um esforço hercúleo para evitar dar-lhe de biberão, mas teve de ser. Só com mama isto não ia lá e eu estava a ficar de rastos.
Nestes últimos dois dias o cansaço era tal que tinha sono o dia inteiro, em qualquer lugar, e não conseguindo dormir chegaram as tonturas, a falta de forças....

Ao ver-me neste estado, o Limoneiro ofereceu-se para ficar com ela durante a noite para eu descansar. Nesse cenário, seria uma noite de biberons. Eles no quarto, eu na sala. Custou-me a aceitar. A primeira reacção é de pensar "eu sou a mãe, tenho de me aguentar". E começaram as dúvidas e incertezas e inseguranças.
- Nunca ninguém tratou dela durante a noite a não ser eu. Há sempre uma primeira vez!
- E se o peito inchar e encaroçar? Se precisares de esvaziar o peito, a Maria está a um Hall de entrada de distância. Aproveita, mulher!
A ponderação falou mais alto. É com o pai que ela fica, não com um estranho.

- Não lhe vou dar mama uma noite em 3 meses de existência, e qual é o drama? 

E assim foi. Às 1.30h da manhã ainda fui eu a amamentar, a partir daí ela ia ficar por conta do pai e talvez a noite fosse mais descansada para todos. Até para ela! Estávamos crentes que com biberão, em que ela pudesse comer o que quisesse, a noite fosse mais sossegada.

Eu acabei por descansar entre as 2 da manha e as 6.38h, hora em que despertei, olhei para o relógio e pensei, mas ela ainda não acordou para comer? Segundos depois recordei-me que ela não estava ao meu encargo.

Para eles foi biberão ás 3.30h e às 5.30h.  Às 7.30 sinto o pai a ir á cozinha. Precisava de esterilizar biberons, pois ela já estava a ficar agitada outra vez, com ar de quem já comia novamente. Não esperei pelo biberão, dei-lhe de mamar às 7.30h e às 9.15h da manhã. Tentei adormecê-la novamente, afinal é domingo e se pudessemos dormir até ao meio-dia era um espectáculo, mas já não consegui.

Dei graças ao Limoneiro pelas 4horas e meia seguidas que consegui dormir. De facto, não estava em condições para cuidar dela, e aceitar esta troca de turnos foi o melhor que fiz. A Maria sobreviveu bem sem a mãe. O pai foi cinco, seis, sete estrelas! Só não o fazemos mais vezes porque o pai está a trabalhar, eu ainda estou a gozar a licença de maternidade.

E ao fim de três meses ainda é assim que estamos: noites calmas, sem fitas, nem choros, nem berrarias, mas com muitos muitos despertares para comer.

Ai, Maria!


sábado, setembro 01, 2018

Último dia de férias!


Não houve voos para destinos longínquos. Não houve peles bronzeadas nem noitadas de verão até às tantas da madrugada. 
Não soube a muito nem a pouco. Foram as férias possíveis tendo a Maria apenas 2 meses.  As poucas idas à Praia foram só a partir das seis da tarde, e apesar de eu continuar branca como cal, pelo menos deu para mudar de ares. Deu para perceber que a Maria é mesmo filha dos seus pais, pois só isso justifica o quanto adorou molhar os pezitos todos os dias.  Deu para levar a Maria para junto do resto da família, para além de pais e irmãos. Juntou-se a avós, tios e primos. Houve almoços e jantaradas de tacho, houve sorrisos, colo e muito mimo. Houve banhos felizes no alguidar da avó à falta da sua mini banheira. Houve cansaço, amasso e sonecas prolongadas. Houve amor!
Foram as férias possíveis com uma bebé tão pequenina, ainda a precisar de dormir bastante. 
Soube bem testar os limites da Maria,    e reconhecer os sinais de quando precisa de descansar, apesar do tanto que tem andado de colo em colo e a descobrir outras pessoas que também a querem muito. 
Soube bem experimentar coisas novas, ter rotinas diferentes e deixar o tempo passar sem preocupações, mas também vai saber bem regressar a casa. 
Tem de haver tempo para tudo e agora é tempo de regresso. 





quinta-feira, agosto 23, 2018

Diz que ao segundo filho isto custa menos....

Supostamente ao segundo filho isto custa menos. Pelo menos é o que dizem. Não foi o caso. Hoje foi dia de vacinas. Duas injectáveis ( uma em cada perna) e outra bebível que dizem que dá diarreias horríveis. Custou-lhe muito, coitadinha. Mas a mim também. Não estava a contar. Chorei baba e ranho enquanto a abraçava no meu colo e lhe dizia que tudo iria correr bem. A ver vamos como correm as próximas 48 horas. #marialimao #sermae #vacinas 



segunda-feira, agosto 20, 2018

"Ai ele é um óptimo pai, dá tudo aos filhos!"

"Ele é um óptimo pai, dá tudo aos filhos!"

Não sei se é o vosso caso, mas volta e meia ouço esta expressão e tenho alguma (para não dizer muita) dificuldade em aceitá-la. 

Se por dar tudo o locutor se refere ao amor, à paciência, à atenção dada aos filhos e ao tempo que lhes dedicamos de corpo e alma, a expressão esta correctíssima. Mas grande parte das pessoas usa esta expressão referindo-se ao que os pais compram aos filhos! E isso meus caros amigos, tenham lá santa paciência,  não é ser bom pai. 

O Bom Pai/Mãe não é o que paga as despesas ou o que enche o filho de coisas. O bom Pai é o que cria memórias na memória do seu filho.  

O Bom Pai não é o que paga 500€ de colégio esperando que seja lá que ele ganhe educação.  É certo que uma boa escolaridade o prepara melhor para a vida profissional e para a sua independência financeira no futuro, mas a educação, os valores, os princípios, as memórias, as brincadeiras, o saber rir, em conjunto, é feito em casa, pelos pais. 

O Bom Pai, tão pouco é o que paga a empregados para entreter o seu filho, porque ele próprio não tem pachorra para o fazer. O Bom Pai leva o filho ao parque e desce no escorrega com ele. O Bom Pai é o que está desejoso de o levar à praia e fazer com ele piscinas na areia. É o que não se importa de se sujar para regozijo do seu filho. É o que larga o que está a fazer pois chegou a hora de lhe dar banho. É o que se senta no chão ao seu lado fazendo sons ridículos só para o ouvir a palrar. Sim, o Bom Pai não se importa de parecer ridículo.  É o que se coloca de gatas ensinando-o a gatinhar, é o que o incentiva a andar, correr e jogar à bola, é o que vai com ele andar de bicicleta e o leva ao futebol.

O Bom Pai é o que está presente nas vivências do seu filho e lhe proporciona experiências, não o que compra as suas ausências.

E isto independentemente de serem "pais a tempo inteiro" ou pais que têm dias específicos para estar com os filhos pelas circunstâncias de um divórcio. Os pais divorciados, apesar de não proporcionarem uma vida familiar comum aos seus filhos, podem, devem e conseguem tal como todos os pais se assim o entenderem e se esforçarem, acompanhar o seu filho de perto, vivendo ao seu lado experiências inolvidáveis no dia a dia, estando muitas vezes mais próximos das suas crianças nos dias em que estão com eles do que alguns "pais a tempo inteiro".

Não é por se estar todos os dias com eles que os fazemos felizes, principalmente se nós não formos felizes. A separação de um casal é uma decisão muito complicada, sendo que a parte mais dolorosa é saber que os nossos filhos não estarão connosco todos os dias das suas vidas, mas é exactamente por isso que é importantíssimo aproveitá-los ao máximo nos dias em que eles estão connosco. Antes uma boa separação do que um mau casamento. Antes eles terem duas famílias que os amam, do que assistirem diariamente a faltas de respeito graves e constantes entre os pais.

Das viagens aos concertos e teatros, dos passeios de fim de semana ao acompanhamento escolar, há tanto por fazer por um filho que pagar-lhe as despesas é só o mínimo e obrigatório. "Comprá-lo" com prendas, isso qualquer um faz, dependendo dos seus rendimentos. Não se é um excelente pai porque se ofereceu um carro topo de gama assim que o chavalo tira a carta. Isso é tão fácil. O dinheiro compra. 

O difícil é criar-lhes memórias, saber ouvi-los, ver com eles um filme juntos no sofá (mesmo que já sejam crescidos), saber de cor a letra da sua música preferida, e porque não, terem uma música em comum. 

O difícil é conhecer os seus gostos nas diversas fases do seu desenvolvimento: saber quem é o seu actor preferido, qual a cor que mais gostam de vestir, como gostam de ser acordados, o que os faz rir, o que os faz chorar, saber exactamente a prenda que gostariam de receber. 

O difícil é não escolher por eles o caminho que devem seguir e aprender que temos de os deixar caminhar pelo próprio pé. O Bom Pai não é o que insinua as suas escolhas como sendo as melhores para o filho, e lhe tolda o pensamento e condiciona as decisões enquanto diz "tu podes fazer o que quiseres, mas criei isto para ti ".  O Bom Pai é o que mostra oportunidades que permitem a liberdade de escolha. Abre portas, apresenta cenários e diz "tu podes ser o que quiseres. O céu é o limite!" Amar é saber deixar ir mesmo que estejamos a morrer de saudades.

O difícil é demonstrarmo-nos atentos e interessados em tudo o que fazem. Não lhes dar esse apoio, a isso chama-se abandono, mesmo que se esteja com os filhos todos os dias do ano.

Qualidade, e não quantidade! Até porque a parentalidade não é apenas um estado ou uma condição, é suposto ser uma escolha e uma vontade consciente. Há que ter filhos por gosto.














quinta-feira, agosto 16, 2018

A falta que um telemovel faz

Esta tarde saímos para ir às compras. 
Entre o põe cadeira, tira cadeira do carro, a mala de mão, o saco das fraldas, o carrinho, etc., há sempre a sensação que falta alguma coisa. E hoje foi um desses dias, mas sem saber o que me faltava segui para o hipermercado. 
Fiz as compras e já na fase do pagamento abri a mala e dei por falta do telemóvel na bolsa habitual. Procurei por todo o lado e nada. Lembrava-me de o ter guardado no bolso do vestido. Teria sido roubado? A última vez que lhe tinha mexido tinha sido no carro pelo que haveria uma réstia de esperança que tivesse ficado por lá caído. Não descansei enquanto não me vi de volta ao estacionamento. 
A caminho do carro, não era o dinheirão que iria ter de gastar num telemóvel novo que me preocupava. Tão pouco era ter perdido os e-mails e os contactos de todos os meus amigos. Não pensei na falta de acesso às redes sociais nem ao blogue. O meu pânico era ter perdido todas as fotografias e vídeos da Maria que fiz diariamente, desde que ela nasceu, e que eu não transferi para o computador. O nascimento, os primeiros sorrisos, as tentativas de palrar, as brincadeiras no banho, a troca de olhares durante as mamadas, as saídas à rua. Memórias destes dois meses que já não se repetem. Memórias que não têm preço tal é o valor imenso delas. 
O meu alívio ao chegar ao carro e encontrar o telemóvel intacto é inexplicável. 
Escusado será dizer que as fotografias e vídeos já se encontram todas no computador. 

segunda-feira, agosto 13, 2018

2 meses de ti, Maria!

2 meses de ti, Maria!

2 meses em que não sei o que é dormir mais do que duas horas seguidas, mas são 2 meses em que presencio todos os teus banhos, vigio todos os teus sonos, em que te alimento em cada mamada, em que te crio novos hábitos e descubro os teus gostos,  como em que posição gostas de dormir, em que parte do dia estás mais bem disposta e sorridente.

2 meses de muito mimo, muito colo, muitos beijos e alguma ansiedade por não saber se estou a fazer tudo bem. Já não sou mãe de primeira viagem, mas a responsabilidade de ter um ser humano a depender de mim para tudo continua a pesar e o receio de não conseguir dar conta do recado persiste.

Estou branca com a cal em pleno agosto, estou cansada, precisaria de dormir 24 horas seguidas para recuperar desta privação de sono, sinto falta das minhas rotinas e tenho saudades dos serões a dois com o teu pai, mas não te trocaria por nada deste mundo, minha fofura! 

#2meses #marialimao #limonadadavida #sermae