sábado, abril 11, 2015

Pelos Caminhos de Portugal #1 - Açores

#1 - Ilha de São Miguel - Açores

Enquanto isto ainda está fresquinho na memória, enquanto ainda sinto o pulsar da natureza e o sotaque açoriano, faço aqui um "pequeno post" sobre a Ilha de São Miguel.

Após mais de 1100 fotografias em três dias, não vai ser fácil resumir a beleza incontornável daquela ilha, a simpatia das gentes, e as paisagens de cortar a respiração, mas vou tentar.

Os que têm o prazer de conhecer a ilha, podem aqui relembrá-la. Os que ainda não conhecem, podem acabar de ler e ir fazer uma reserva, para ontem!

A Ryanair e a Easyjet já voam para Ponta Delgada, com preços bastante acessíveis. A própria TAP decidiu reduzir as suas tarifas, para acompanhar a concorrência das companhias low cost. Por isso, já não há desculpa para não conhecer este paraíso.

A melhor forma de conhecer a ilha, é alugar carro e, com a ajuda de um mapa, partir à descoberta.

A ilha é riquísima em paisagens e recursos naturais, gastronomia variada e de qualidade, e apesar da calmia aparente há muito para fazer.





Eu fui apenas três dias, mas aconselho pelo menos mais um dia ou dois. Ficaram alguns sítios por visitar, com muita pena minha.


1º DIA
Dedicado ao extremo ocidental da ilha. Começámos o passeio por uma paragem na Lagoa do Canário, tendo uma perspectiva maravilhosa da Lagoa das Sete Cidades (maior reservatório de água doce dos Açores).












A partir dessa estrada é continuar a percorrer os vários miradouros (parar em todos), para depois descer até à ponte que cruza ambas lagoas.

Deste miradouro, por exemplo, é possível ver toda a caldeira das Sete Cidades: a Lagoa azul e Lagoa verde, separadas pela ponte do Rego.








Daí partimos para o Pico das Camarinhas e Ponta da Ferraria, onde estão as termas de água salgada com a água a temperaturas que variam dos 18º aos 28º C. Aconselho vivamente um mergulho nestas águas.









Restaurantes 1º dia: Cais 20 em Ponta Delgada, São Roque, mesmo junto ao mar (óptimo para os experimentar petiscos, morcelas e chouriços, queijos, lapas, inhame, etc. ) e O Galego em também em São Roque (uma casa de bifes muito apreciada).







2º DIA
Começámos o dia no Mercado da Graça. Não sendo um mercado extraordinário, vale a pena visitar para conhecer os produtos locais (ananás, batata doce, inhame, anonas). Junto ao mercado está a loja "O Rei dos Queijos" e nessa sim, dá vontade de trazer de tudo: dos licores aos queijos e manteigas, do pão ao chá da Gorreana, das queijadas aos doces. Apetece comprar tudo, mas cuidado com a passagem desses produtos no aeroporto, se só levarem bagagem de mão. As embalagens de doces e manteigas terão de ir na bagagem de porão.

Mercado de Ponta Delgada:







Rei dos Queijos:












Apesar de estar a chover, viajámos em direcção à Lagoa das Furnas para visitar o local onde é feito o célebre cozido das Furnas, o qual permance cerca de seis horas debaixo de terra até estar pronto. O parque atualmente é pago (0.50€ p.pessoa) e os cozidos são retirados até às 12.30h.









O almoço foi no Restaurante Miroma, mesmo na aldeia das Furnas. Vale a pena experimentar, apesar de não ser nada de extraordinário, nem muito diferente daquilo a que estamos habituados no continente. Vale mais pela forma como foi cozinhado do que pelo sabor em si, mas mesmo assim recomendo a experiência.






Da parte da tarde, o sol deu o ar da sua graça pelo que demos uma volta pela freguesia e subimos ao Miradouro do Salto do Cavalo e do Pico do Ferro, ambos com vistas fantásticas sobre a Lagoa das Furnas.




Mais ao final da tarde, fomos visitar o Parque Terra Nostra. Um jardim bicentenário, com vegetação variada e recantos lindíssimos. Uma perdição para quem gosta de fotografar. Para além disso, é possível mergulhar no tanque de águas termais. A água está entre os 35º e os 40ºC, carregada de minerais essenciais, dá uma sensação de relaxamento absoluto num cenário idílico. A água é cor de terra (devido ao ferro), pelo que aconselho ao uso de um fato de banho já velho e escuro.












Restaurantes 2º Dia:
O Miroma- cozido das Furnas.
Monte Verde- restaurante só de peixe na Ribeira Grande.


3º DIA
Dirigimo-nos desde cedo à Lagoa do Fogo, até porque o céu estava azul, o que prometia fotos e vistas fantásticas. Num dos miradouros existe um trilho pelo qual é possível descer pela caldeira até à Lagoa, e foi o que fizémos. Do miradouro a vista é de cortar a respiração, mas lá em baixo o silêncio é arrebatador, apenas se ouvem as rãs...









Depois de subir a caldeira, fomos novamente a banhos, desta vez, na Caldeira Velha.  A entrada é paga, mas isso não afasta os visitantes. Trata-se de uma ribeira alimentada por nascentes de água quente de origem termal que caem formando cascatas. A água encontra-se a 38ºC, pelo que mesmo que esteja frio cá fora, dentro de água é um consolo.






No regresso a Ponta Delgada o almoço foi no Restaurante Aliança, junto à Câmara Municipal, perto das portas da cidade, onde provámos o delicioso bife Lagarto.





Alojamento: fiquei num alojamento particular, e parece que cada vez há mais essa possibilidade. Apesar do apartamento ser o suficiente para o que queríamos e de estar tudo com muito asseio, tinha a desvantagem de estar demasiado perto do aeroporto, o que tornou o descanso complicado com o barulho dos aviões.

Metereologia: Uma inconstante na ilha. Tão depressa faz sol, como o vento começa a puxar chuva e desata a chover. As temperaturas são amenas, mas aconselho várias camadas de roupa, pois, para além de o clima variar muito ao longo do dia, as subidas aos picos levam a que as temperaturas desçam bastante e muito repentinamente.

Iguarias:
Queijos e Manteigas de São Miguel, Queijadas, Bife Regional, Inhame, Lapas Grelhadas, Cerveja Especial, Kima e Laranjada, Licores do capote, Chás, Bolo Lêvedo, etc.


De recordação, para a minha estante das viagens, trouxe esta "requinha":





PS: Agradeço imenso a todos os Limoneiros que me foram dando dicas de iguarias e restaurantes, sítios a não perder. Vocês ajudaram-me a aproveitar melhor estes três dias e a desfrutar em grande desta ilha maravilhosa. Obrigada a todos.





sexta-feira, abril 10, 2015

Challenge Body Step no Terreiro do Paço

Segundo ouvi dizer, vai ser um evento à séria, de arromba, a não perder!




Quando: 23 Maio - das 13.30 às 19.00h
Onde: Terreiro do Paço
O quê: Três horas de Body Step

Cenas que vos podem interessar:
- mais de 700 convidados;
- 3 grandes profs de body step: Gonçalo Pires Pinheiro, Carina Dias e Francisco Carreira do Ó;
- luz e som profissionais;
- um drone a filmar tudinho;
- três divertidas horas de Body Step, ou talvez mais...

Por isso, juntem os amigos e bora lá pôr a estátua do D. José I aos saltos.






Link para informações e inscrição: https://www.caressnatura.pt/bodystep





quarta-feira, abril 08, 2015

BONITA ou NORMAL?



Mais uma vez a DOVE dá cartas junto das mulheres ditas normais, aquelas que vemos na rua no dia-a-dia, que não sendo modelos estonteantes têm uma beleza própria e singular, mas que nem sempre reconhecem isso em si mesmas.

O vídeo coloca-as num dilema: entrar num edifício tendo de escolher a Porta Bonita ou a Porta Normal. "Afinal, sentires-te bonita depende de quem?", pergunta a marca.

Esta manhã, uma amiga, daquelas de sorriso rasgado e que nos faz sentir bem-dispostas a qualquer hora do dia, partilhou este vídeo no facebook e identificou-me no mesmo. Respondi com um coração e um beijo em forma de agradecimento, e acrescentei "bonita, sem dúvida!".

Não porque me ache um espanto de gaja, mas porque adoro a palavra! Acho-a a palavra mais bonita de todas no vocabulário português: é doce e elegante foneticamente, sem ser excessiva nem exuberante no seu significado. Tem tudo a ver comigo.  

Ora repitam-na em voz alta e vejam lá se não soa bem: BO-NI-TA.

E vocês, qual escolheriam?




terça-feira, abril 07, 2015

Sou toda ouvidos...

Em viagem, mesmo que dentro do nosso país como foi o meu caso, não tive contacto com as notícias, pelo que só hoje tomei conhecimento do massacre na universidade de Garissa, no Quénia. 

E o que se pode dizer mais acerca disto?  Mais importante do que aquilo que possa ser dito, da tristeza e das condolências, o importante é que se fale. 

Que isto não seja mais um atentado com ligações à Al-Qaeda ou ao estado islâmico, só mais um... e não se passa nada... É importante que se diga, e se repita incessantemente, que isto não pode acontecer. É importante verificarmos que, mais uma vez, os presumíveis autores não são radicais ignorantes, sem estudos ou formação e que se dedicam a uma causa por miséria de espírito ou falta de outras oportunidades, ou por assim terem sido ensinados pelas gerações anteriores e não conhecerem outro diálogo que não seja o das armas. 

São estudantes de medicina, recém-licenciados em direito, gentes de alguma intelectualidade, que se entregam de corpo e alma à causa islâmica surpreendendo tudo e todos, inclusivamente os próprios pais, na forma violenta com que o fazem. 

Dá que pensar, pelo menos a mim, o que leva estes indivíduos (não lhes consigo chamar pessoas) a fazerem disto uma forma de vida.  De onde é que esta gente vem? Quem os recruta e como os convence a estas loucuras? Alguém que me explique isto, por favor!

(foto retirada da net)

quinta-feira, abril 02, 2015

Vale Abraão - eu tentei, juro que tentei!

Não desconheço por completo a obra de Manoel de Oliveira, mas pouco falta.

Estávamos no ano de 1993, eu era jovem, tinha ambições de me licenciar em Línguas e Literaturas Modernas, e achava que me devia "cultivar" indo ver o "Vale Abraão". Sendo o filme inspirado no romance de Agustina Bessa-Luís, ia fazer-me bem por certo...

Devia ter adivinhado, olhando para a audiência, que a coisa não ia correr bem. A sala de cinema estava a menos de meio, e o público presente trazia consigo algumas características inconfundíveis: algumas senhoras de idade num serão de domingo à tarde, alguns tipos com bigodes farfalhudos e pinta de intelectualóides de esquerda, um casal de namorados lá prá última fila, e mais uns quantos rapazolas que não devem ter chegado a tempo de comprar bilhetes para o Jurassic Park (na sala ao lado e com lotação esgotada)...Ou seria a Lista de Schindler?

Ao fim de menos de uma hora, os primeiros desertores: os tais que não conseguiram bilhete para o Jurassic Park ...

Ao fim de hora e meia, os segundos desertores: o casalinho lá de trás.

Ao fim de duas horas já se ouvia ressonar...

Fiquei com os restantes, fiz-me de valente e mentalizei-me que havia de chegar ao fim, desse por onde desse.

Não me lembro muito bem da história, tenho a ideia que a protagonista (Leonor Silveira) casava com um amigo do pai, muito mais velho do que ela (Luís Miguel Cintra). Recordo-me da particularidade de o casal dormir em quartos separados e que, sendo infeliz no casamento, ela arranja um amante. A história até teria tudo para ser um sucesso e agarrar-nos até ao fim.

No entanto, a parte do filme de que mais guardo memória é uma cena em que a câmara se fixa numa árvore ao longo de largos minutos (não sei quantos, mas para mim foram largos) enquanto o narrador debita matéria...

Foi remédio-santo, arrumei Manoel de Oliveira a um canto e nunca mais vi qualquer outro filme seu.

Muito provavelmente o mal está em mim. O mal só pode estar em mim. Ao fim de 106 anos de vida, mais de 30 filmes (entre longas e curtas-metragens), depois de tantos prémios e festivais internacionais, o mal só pode estar em mim.  Mas eu esforcei-me.

Que culpa tenho eu de achar que o supra-sumo do cinema português é o "Pátio das Cantigas"?  Que culpa tenho eu de gostar de bife com ovo a cavalo, enquanto outros se deliciam com foie gras?

Pode ter-se dado o caso de eu ter escolhido exactamente o único filme "maçador" do nosso grande mestre e de haver algum outro que me encha as medidas.

Ora sugiram lá aí outro, faz favor.  Sugiram que eu esforço-me novamente.